Quinta-feira, Agosto 13, 2026
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Mercado global de fusões e aquisições subiu 41% em 2026 e Portugal desce no arranque

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

O mercado global de fusões e aquisições (M&A) continua a ganhar ritmo em 2026. Nos primeiros cinco meses deste ano, o valor das operações anunciadas atingiu 2,4 biliões de dólares (cerca de 2,11 milhões de milhões de euros ao câmbio atual), um aumento de 41% face ao mesmo período em 2025, colocando o mercado no caminho para registar o segundo melhor desempenho anual de sempre. Os dados constam do M&A Midyear Report 2026, divulgado hoje, 13 de julho, pela consultora Bain & Company.  

Segundo o relatório, o valor global das transações já tinha aumentado cerca de 40% em 2025, para 4,9 biliões de dólares (cerca de 4,31 milhões de milhões de euros), o segundo valor anual mais elevado de que há registo. Em 2026, a tendência mantém-se, embora o crescimento esteja a ser sustentado sobretudo por operações estratégicas e de maior dimensão.  

Segundo a Bain, o valor das operações de M&A estratégico aumentou 36% desde o início do ano, enquanto o número total de operações cresceu apenas 2%. 

As chamadas megatransações – negócios superiores a 10 mil milhões de dólares (cerca de 8,8 mil milhões de euros) – continuam a liderar esta recuperação. De acordo com a Bain, o número destas operações aumentou 52% e o seu valor cresceu 53% face ao mesmo período do ano anterior. 

A consultora destaca ainda, em comunicado, que a recuperação é transversal, sendo que “todos os setores estão a acompanhar esta tendência de crescimento, com destaque para a energia e recursos naturais, indústria e saúde e ciências da vida a liderarem o valor total das transações”, diz a empresa. Em sentido contrário, ressalta que “os investidores financeiros tiveram um arranque mais lento, com o valor das operações a recuar 9% até maio”. 

Na Europa, o dinamismo também se intensificou. A região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) registou um crescimento homólogo de 77% nas megatransações durante a primeira metade do ano, refletindo o peso crescente de operações estratégicas entre grandes empresas. 

 

Integração das operações continua a exigir vários anos 

A Bain considera que a inteligência artificial está a influenciar cada vez mais as estratégias de aquisição das empresas, não apenas no setor tecnológico, mas também em áreas como a energia, a indústria ou os serviços. O relatório refere, por exemplo, a proposta de fusão entre as norte-americanas NextEra Energy e Dominion Energy, avaliada em 119 mil milhões de dólares (cerca de 104,7 mil milhões de euros), que a Bain associa, entre outros fatores, ao aumento das necessidades energéticas. 

“As empresas estão a avançar para grandes operações de forma a garantir escala e capacidades de que precisam para competir. O desafio é que o boom da IA, que está a impulsionar muitas destas transações, também está a tornar mais complexa a sua execução”, afirma Álvaro Pires, partner da Bain & Company. 

O estudo assinala ainda que as grandes operações de M&A exigem processos de integração prolongados. Segundo a Bain, negócios superiores a 10 mil milhões de dólares demoram, em média, cerca de sete meses até à sua conclusão, sendo necessários entre dois e três anos adicionais para concretizar a maioria das sinergias previstas. 

 
 
Portugal regista menos operações no arranque do ano 

Em Portugal, a atividade de fusões e aquisições seguiu uma trajetória diferente da tendência global. Segundo o TTR Data 1Q M&A Report, foram anunciadas 109 operações no primeiro trimestre de 2026, menos 31% do que no mesmo período em 2025. O capital mobilizado totalizou 989 milhões de euros, uma quebra de 26% face aos primeiros três meses do ano passado. 

O relatório indica que as operações de M&A representaram 48 negócios, avaliados em 316 milhões de euros, enquanto o capital de risco (venture capital) somou 18 operações, no valor de 284 milhões de euros. Já o segmento do capital de investimento privado (private equity) registou 17 transações, num montante de 20 milhões de euros. 

Entre as operações de maior dimensão destacam-se a aquisição da Secil pela espanhola Cementos Molins e a compra da alemã Kaia Health pela portuguesa Sword Health. 

Os dados sugerem que, enquanto o mercado global continua a ser impulsionado por operações de grande dimensão, a atividade em Portugal registou um arranque mais contido no início de 2026. 

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