Quarta-feira, Agosto 12, 2026
InícioDestaque“Monitorizamos desde o cultivo até à mesa do consumidor" - Enoport

“Monitorizamos desde o cultivo até à mesa do consumidor” – Enoport

Por: Helena Schlindwein e Ana Vieira


Produzir vinhos com herança histórica e projeção internacional é a missão da Enoport Wines, um grupo vitivinícola com raízes no património português e presença em mais de 40 mercados internacionais.

Fundada em 2005 e com uma faturação de 23 milhões de euros em 2024, nasceu da união de várias casas históricas do vinho português, com origens que remontam aos séculos XIX e XX, como as Caves Velhas, as Adegas Camilo Alves e as Caves Dom Teodósio.

Em entrevista à PME Magazine, Paula Faria, diretora executiva da Enoport Wines, revela como a empresa tem equilibrado tradição e inovação, os investimentos em sustentabilidade e tecnologia, os desafios de mão de obra, a estratégia de internacionalização e o posicionamento da marca num setor cada vez mais competitivo.

 

PME Magazine (PME Mag.) – Como surgiu a marca Enoport Wines?
Paula Faria (P. F.) – A Enoport resulta da unificação, em 2005, de várias casas históricas do vinho português com origem nos séculos XIX e XX, nomeadamente: Caves Velhas, Caves Dom Teodósio, Adegas Camilo Alves e Caves Moura Basto.

Estas marcas traziam legados desde 1881 (Adegas Camilo Alves) até 1940 (Caves Velhas, Caves Moura Basto), cada uma com especialidade regional e reconhecimentos na produção de vinho, especialmente engarrafado, ao longo do tempo.

Os principais marcos até hoje incluem a fundação de Adegas Camilo Alves (1881), o surgimento de Lagosta, Serradayres, Dom Teodósio, Caves Velhas, Moura Basto (1902-1940), a aquisição das Quintas de São João Batista e do Boição (1996), a criação do grupo Enoport Wines (2005) e múltiplos prémios internacionais (“Produtor de Excelência” e “Melhor Produtor Português/Europeu”) entre 2011 e 2013.

 

PME Mag. – Como é que a Enoport Wines equilibra práticas tradicionais com sustentabilidade e inovação nas quintas e adegas?
P. F. – A Enoport defende uma herança tradicional, mas com “espírito vanguardista e inovador”. Combina práticas clássicas no cultivo e vinificação com certificações de qualidade (IFS,  e BRC). Em sustentabilidade, monitorizamos desde o cultivo até à mesa do consumidor, com preocupações ambientais e comunitárias. Nas quintas, apostamos em tecnologia para proteger ecossistemas, como na Quinta de São João Batista, inserida na Reserva da Biosfera da UNESCO – Reserva Natural do Paul do Boquilobo, e inovamos em produtos, como o Faisão Fusion (baixa graduação e vegan), e o lançamento de Lagosta Ice e edições comemorativas como Lagosta 120 anos e agora Summer Edition.

 

PME Mag. – Qual é a capacidade de produção e engarrafamento na sede, em Rio Maior?
P. F. – A sede em Rio Maior dispõe de linhas altamente especializadas, automáticas para garrafas (187 ml a 1.500 ml), com capacidade para até 30 milhões de garrafas por ano, mais quatro linhas para embalagens tetra brik (1 000 ml e 250 ml).

 

PME Mag. – Quais são os principais desafios na contratação de mão de obra? E como os superam?
P. F. – Somos um grupo de grande dimensão com operações em várias regiões, enfrentamos algumas dificuldades típicas de escassez de mão‑de‑obra rural e qualificada.

Estas são superadas através da centralização da produção (três centros de vinificação em Amarante, Bucelas e Rio Maior) com protocolos bem definidos entre enólogos e viticultores, um plano estratégico centrado na simplificação de marcas para otimizar recursos humanos e produtivos e na promoção contínua de desenvolvimento de talentos (enólogos, equipa técnica).

 

PME Mag. – Como é que a empresa se diferencia dos seus concorrentes e acompanha as tendências de consumo?
P. F. – A Enoport diferencia-se por um vasto portefólio de marcas históricas com identidade própria; Foco estratégico recente em “Marcas Foco” (Faisão, Lagosta, Cabeça de Toiro) com forte potencial de crescimento; inovação contínua, com produtos low-alcohol, vegan e experiências de enoturismo; estratégias de branding e rebranding, como Casaleiro (atualização de imagem e distinções internacionais em 2019, 2024) e aposta no e‑commerce e presença em plataformas digitais de venda, adaptando-se aos hábitos de compra atuais (Enoport loja online e Vivino).

 

PME Mag. – Em quantos mercados está a Enoport presente e qual a estretégia de crescimento?
P. F. – A Enoport Wines está presente em 47 mercados internacionais. A estratégia de crescimento acontece pelo aumento na participação em concursos (medalhas no Berliner, Mundus Vini, Concours Mondial, International Wine Challenge, Mundus Vini).

Marcamos presença em feiras internacionais e reforçamos visibilidade com prémios e exportação para EUA, Canadá, Brasil, Angola, China, Reino Unido, França.

Reforçamos canais próprios, como o e‑commerce lançado recentemente com entregas em Portugal Continental e ofertas especiais. E apostamos também no desenvolvimento do enoturismo nas quintas (Quinta de São João Batista e Quinta do Boição) com foco no património e reservas naturais.

 

 

A Enoport Wines patrocina o evento Fórum PME Magazine by UniPeople, um encontro de networking para líderes e gestores, a acontecer nos dias 29 e 30 de outubro, no Taguspark. 

PODE GOSTAR DE LER
Continue to the category
PUB

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

NEWSLETTER

PUB
PUB

SUSTENTABILIDADE

Continue to the category