Terça-feira, Julho 21, 2026
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Motores laterais e alumínio: Ghinis Boats na Web Summit Lisboa

Por: Ana Marisa Vieira


A Ghinis Boats, startup fundada por Jorge Ghinis, desenvolveu uma patente que reposiciona os motores de popa para as laterais das embarcações, criando novas possibilidades de design, segurança e acessibilidade. Na Web Summit Lisboa, a startup procura ganhar visibilidade e atrair investidores. 

“A nossa patente permite utilizar os motores de popa, mais leves e económicos e, ao mesmo tempo, libertar a zona traseira do barco, que é a mais nobre e procurada pelos utilizadores”, explicou Jorge Ghinis, CEO e fundador, à PME Magazine.

Segundo o responsável, o novo sistema torna possível guardar uma mota de água num barco de apenas 10 metros (33 pés), algo até agora exclusivo de embarcações de 45 a 50 pés. “É o único barco da categoria que permite isso”, acrescentou.

Do setor do lazer à defesa

A inovação patenteada pela Ghinis Boats tem potenciais aplicações em vários setores, desde o turismo e lazer até à defesa ou vigilância marítima.

“A tecnologia pode ser usada em embarcações de intervenção rápida, em contextos militares ou de segurança, e também em barcos de recreio”, explicou Ricardo Oliveira, consultor da empresa.

O sistema também aumenta a acessibilidade, permitindo que pessoas com mobilidade reduzida utilizem o barco com facilidade. Uma estrutura integrada de elevação possibilita transferir passageiros em cadeira de rodas do cais para o interior da embarcação e até para a posição de piloto.

“Com este sistema, eliminamos as limitações de acesso a bordo, algo especialmente relevante para o turismo marítimo inclusivo”, acrescentou Oliveira.


Alumínio e construção modular

O barco da Ghinis é construído em alumínio, um material mais leve, reciclável e resistente que a tradicional fibra de vidro. 

“O alumínio não propaga fogo, é mais durável e, no caso de impacto, amassa em vez de partir. É muito mais seguro”, explicou o fundador e CEO. 

Foto: Jorge Ghinis com o barco construído em alumínio (Foto Divulgação)


Além desta patente, a empresa está a desenvolver um sistema construtivo em compósito com infusão, também patenteado, que permite fabricar embarcações modulares sem necessidade de moldes, reduzindo custos e facilitando a exportação.

 

Procura de investimento e produção no Algarve

Fundada em 2022, a Ghinis está incubada no CRIA (Divisão de Empreendedorismo da Universidade do Algarve) e reconhecida como startup pela Startup Portugal.

Neste momento, a empresa procura investidores e distribuidores para concluir o barco de demonstração e acelerar a entrada no mercado. O investimento necessário ronda os 160 mil euros.

“O nosso objetivo é concluir o primeiro modelo e apresentá-lo ao mercado. Vivemos no Algarve e queremos construir ali a fábrica, criando emprego qualificado e gerando exportações”, referiu o fundador.

A startup acredita que o seu produto poderá gerar impacto direto na economia portuguesa, não só pela criação de emprego especializado, mas também pela valorização de Portugal como polo de inovação marítima.

Além das aplicações comerciais e recreativas, a tecnologia da Ghinis Boats poderá integrar motores elétricos ou a hidrogénio, contribuindo para reduzir o impacto ambiental da navegação.

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