Domingo, Julho 12, 2026
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Mundial pode subir risco de ciberataques às empresas portuguesas

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

A realização do mundial de futebol 2026 poderá aumentar a exposição das empresas portuguesas a ciberataques, sobretudo nos setores mais ligados ao turismo, comércio eletrónico, transportes e serviços digitais, alerta a Hiscox em comunicado. A seguradora especializada em seguros para empresas explica que grandes eventos internacionais criam oportunidades acrescidas para campanhas de fraude, phishing ransomware

Segundo a empresa, o risco não resulta apenas da competição desportiva, mas de todo o ecossistema digital que a envolve, incluindo reservas, viagens, pagamentos, bilhética, fornecedores e comunicações internacionais. 

“A conclusão de que o Mundial 2026 poderá aumentar a exposição das empresas a ciberataques assenta numa análise de risco baseada na crescente digitalização das operações empresariais, na maior sofisticação das ameaças e na forma como acontecimentos de grande visibilidade são utilizados pelos cibercriminosos para tornar campanhas de fraude e engenharia social mais credíveis”, explica Ana Silva, Cyber Lead da Hiscox Ibéria, em declarações à PME Magazine. 

A responsável afirma que, de acordo com o Relatório de Ciberpreparação da Hiscox 2025, 95% das pequenas e médias empresas portuguesas prevê reforçar o investimento em cibersegurança e proteção de dados durante 2026. A nível global, o mesmo estudo indica que 59% das PME sofreram pelo menos um ciberataque nos 12 meses anteriores, enquanto 27% foram alvo de ataques de ransomware. Além disso, 57% das empresas que registaram incidentes afirmam que estes estiveram relacionados com vulnerabilidades associadas à inteligência artificial. 

 

Portugal registou aumento da atividade maliciosa 

A empresa aponta ainda para dados do Relatório de Cibersegurança – Riscos & Conflitos 2025, do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), que identificam 2024 como um ano marcado por uma elevada incidência de ataques de phishing, smishing, ransomware e esquemas de engenharia social. 

Segundo Ana Silva, estes são precisamente os tipos de ameaças que tendem a intensificar-se durante acontecimentos de grande mediatização. “Estes contextos aumentam a superfície de exposição das empresas e podem ser explorados através de emails fraudulentos, falsas faturas, pedidos urgentes de pagamento, tentativas de roubo de credenciais ou ataques a sistemas críticos”, afirma. 

Apesar de o Mundial decorrer nos países anfitriões – Estados Unidos, Canadá e México -, a Hiscox sublinha que “as empresas portuguesas podem ser alvo de campanhas que aproveitem o contexto do Mundial para simular comunicações legítimas, como falsas faturas de fornecedores internacionais, pedidos urgentes de pagamento, reservas de grupo, propostas comerciais, comunicações sobre viagens ou oportunidades de ativação associadas ao evento”, explica a Hiscox à PME Magazine. 

 

Turismo, comércio eletrónico e tecnologia entre os setores mais expostos 

Na perspetiva da seguradora, as empresas com maior risco são as que possam estar direta ou indiretamente ligadas ao evento ou beneficiar da sua visibilidade internacional. 

Entre os setores potencialmente mais vulneráveis apontados pela empresa encontram-se o turismo e a hotelaria, plataformas de reservas, transportes e mobilidade, pagamentos e comércio eletrónico, retalho, empresas tecnológicas, fornecedores de serviços digitais, comunicação e media, bem como PME com relações comerciais internacionais. 

O impacto de um eventual ataque “pode traduzir-se em perdas económicas diretas, por exemplo, através do cancelamento de reservas caso os sistemas de um hotel deixem de funcionar, ou em interrupções operacionais com impacto na mobilidade de equipas, adeptos e parceiros”, diz a empresa em comunicado. 

Perante este cenário, a Hiscox recomenda que as empresas reforcem a sua preparação através de cinco medidas essenciais, que passam por testar regularmente os sistemas de backup e os planos de continuidade do negócio; reforçar a proteção dos sistemas críticos contra ransomware e ataques DDoS (Distributed Denial of Service); avaliar a segurança dos fornecedores e parceiros; formar os colaboradores para reconhecer tentativas de phishing e engenharia social; e definir planos de resposta a incidentes para garantir uma atuação rápida em caso de ataque. 

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