Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Na engenharia e na vida, a criatividade é uma ferramenta valiosa

Por: Luís Pereira, Research and Development Director da Opensoft

 

Fui uma das primeiras crianças da minha geração a ter um computador em casa, algo que determinou estar ligado para sempre ao mundo dos computadores. O objeto fascinou-me desde o início, muito além dos clássicos jogos que começaram a colar as crianças ao ecrã, e a engenharia informática tornou-se na escolha óbvia da minha vida académica e profissional.

Quando pensamos em criatividade, tendemos a pensar na expressão artística: em grandes pintores, músicos ou atores. Mas o meu percurso enquanto engenheiro de software mostrou-me que a criatividade tem muitas formas e feitios. É criativo quem se predispõe a pegar nas ferramentas que tem ao dispor para resolver um problema ou procurar ativamente fórmulas que tornem mais eficientes as tarefas do dia a dia. E a criatividade surge, também, sempre que um engenheiro de software reflete sobre as linguagens e os programas que manuseia diariamente e sugere rotas alternativas.

Um engenheiro é um criativo por excelência, mesmo que nem sempre o reconheça. Assim, a criatividade é bastante intrínseca à atividade de um engenheiro que, apesar de se relacionar com estruturas rígidas, mecanismos lógicos e linguagens matemáticas, tem como principal missão a resolução de problemas.

Felizmente, continuo a constatar que os cursos superiores nesta área ainda prezam este lado criativo, unindo muitas vezes a academia e o setor económico neste sentido. As instituições académicas, por exemplo, continuam a fomentar a busca ativa de soluções práticas durante o período de investigação para a tese de mestrado, período em que muitos alunos escolhem integrar empresas tecnológicas e contribuir para o desenvolvimento de projetos internos.

Em todo o caso, não seria sensato tomar a criatividade por garantida. O espírito criativo merece ser nutrido, calibrado e reinventado, especialmente nos dias em que as tarefas do dia a dia nos levam ao limite. Por isso é que nos dias de hoje, enquanto líder de projetos e equipas, me cruzo com profissionais que no seu diariamente abordam as tarefas, técnicas ou relacionais, com um surpreendente sentido de criatividade.

Reconhecendo que não é uma componente simples de medir, acredito também que é importante que as empresas adaptem os seus parâmetros de avaliação no sentido de valorizar colaboradores mais criativos. Um perfil que participa e catapulta a inovação dentro de uma equipa acrescenta valor, tanto ao serviço entregue ao cliente como à organização, e deve ser reconhecido por isso.

Além disso, é essencial trabalhar ativamente para a criação de uma cultura aberta ao erro, à evolução, à experimentação e ao sentido crítico. Quer queiramos quer não, a busca de respostas criativas – mesmo que inseridas dentro de modelos lógicos e matemáticos – abre espaço para o erro. Neste sentido, é crucial mostrar aos que nos acompanham que existe espaço para evoluir nas capacidades técnicas e não técnicas. No fundo, a criatividade é uma ferramenta essencial para a criação de equipas de engenheiros mais resilientes e abertas à inovação.

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