Segunda-feira, Agosto 17, 2026
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Neuraspace capta 15,6 M€  para acelerar tecnologia espacial com IA

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

A startup portuguesa Neuraspace garantiu um investimento de 15,6 milhões de euros para acelerar o desenvolvimento das suas soluções de gestão de tráfego espacial e vigilância espacial baseadas em inteligência artificial, reforçando também a aposta em aplicações para o setor da defesa. A operação combina 9,6 milhões de euros provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) com 6 milhões de euros de investimento privado liderado pela Lince Capital, Explorer Investments e Armilar Venture Partners.

Segundo a Neuraspace, em comunicado, os recursos serão utilizados para expandir a presença internacional, reforçar a plataforma de inteligência artificial, aumentar a rede própria de sensores óticos e acelerar o desenvolvimento da solução NeuraspaceDEF, direcionada para entidades governamentais e de defesa.

Mais concretamente, os 9,6 milhões de euros provenientes do PRR serão investidos na instalação de um radar para reforçar a rede de sensores da empresa. Em entrevista ao ECO, a CEO da Neuraspace, Chiara Manfletti, revelou que a empresa está “a manter conversações com a Força Aérea Portuguesa para avaliar se uma das suas bases aéreas poderá ser um local adequado para a instalação do radar”. A responsável acrescenta, na entrevista ao jornal, que a intenção é instalar o equipamento nos Açores, embora as conversações ainda estejam em curso.

Fundada em 2020, a stratup portuguesa desenvolve tecnologia que permite monitorizar satélites e reduzir o risco de colisões, recorrendo à análise de grandes volumes de dados através de inteligência artificial. Atualmente, a empresa acompanha mais de 600 satélites pertencentes a clientes comerciais e institucionais, entre os quais a Agência Espacial Europeia (ESA), a Spire Global, a NanoAvionics e a GEOSAT.

Nos últimos doze meses, a empresa registou um crescimento superior a 350% nas receitas e tem vindo igualmente a reforçar a sua presença na área da defesa, contando já com contratos com a Força Aérea Portuguesa e a NATO. Mais recentemente, foi ainda selecionada como parceiro principal por um ministério da Defesa europeu.

Para a Lince Capital, este investimento reflete o potencial estratégico da empresa. “A Neuraspace afirmou-se como uma das mais promissoras empresas europeias de tecnologia espacial, combinando excelência técnica com uma crescente tração comercial num mercado de importância estratégica cada vez maior”, afirma Vasco Pereira Coutinho, CEO da gestora de capital de risco. “Acreditamos que está bem posicionada para se tornar uma referência europeia em soluções de vigilância espacial e gestão de tráfego espacial baseadas em inteligência artificial.”


11,7 mil milhões de euros para a economia espacial

O investimento na tecnológica portuguesa surge numa altura de forte crescimento da economia espacial. De acordo com o ESA Report on the Space Economy 2026, o investimento privado em empresas do setor atingiu um máximo histórico de 11,7 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 60% face ao ano anterior. No mesmo período foram realizados 324 lançamentos orbitais e colocados em órbita 4.556 satélites, refletindo a crescente procura por infraestruturas e serviços espaciais.

Além disso, no contexto atual, a gestão do espaço orbital parece ser cada vez mais complexa, alerta a startup portuguesa. Com o aumento do número de satélites em órbita o risco de colisões cresce, e os operadores ainda enfrentam ameaças como ataques cibernéticos, interferências de radiofrequência, falsificação de sinais GNSS (spoofing) e bloqueio de comunicações (jamming). A plataforma da Neuraspace combina dados de diferentes sensores com modelos de inteligência artificial para apoiar a deteção e resposta a estes riscos.

Citada no comunicado, a CEO da empresa considera que esta ronda marca uma nova etapa no crescimento da tecnológica Neuraspace. “Estamos a reforçar as capacidades soberanas da Europa em vigilância espacial, ao mesmo tempo que disponibilizamos os serviços operacionais baseados em inteligência artificial de que a próxima geração de missões comerciais, institucionais e de defesa irá necessitar.”

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