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Nova ferramenta de IA ajuda empresas a identificar disparidades salariais

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

A tecnológica portuguesa TiJubu lançou o Pay Intelligence, uma ferramenta que recorre a inteligência artificial para analisar a equidade salarial nas empresas e apoiar decisões relacionadas com remunerações, aumentos e progressões profissionais.

De acordo com a empresa, em comunicado, a solução cruza informação sobre funções, competências, senioridade, antiguidade, desempenho e estrutura organizativa, permitindo identificar potenciais diferenças salariais e perceber os fatores que podem estar na origem desses desequilíbrios. A ferramenta pode também ser utilizada durante processos de contratação, promoção ou revisão salarial.

“A transparência salarial obriga as empresas a ir além da identificação de diferenças remuneratórias. É necessário perceber de onde vêm essas diferenças e conseguir demonstrar que as decisões são suportadas por critérios objetivos”, explica Rui Luz, cofundador da TiJubu.

Portugal ainda não transpôs a diretiva europeia

O lançamento acontece num momento em que as empresas enfrentam novas exigências europeias em matéria de transparência salarial. A Diretiva (UE) 2023/970, relativa à transparência salarial, entrou em vigor em junho de 2023 e a Comissão Europeia estabeleceu 7 de junho de 2026 como prazo para os Estados-Membros a transporem para a legislação nacional.

Em Portugal, a transposição ainda não está concluída. O Governo apresentou em agosto um projeto de proposta de lei, que esteve em consulta pública até 25 de agosto, estando o processo legislativo ainda em curso. O projeto prevê algumas regras que vão além do mínimo estabelecido pela diretiva europeia.

Uma das diferenças é precisamente o alargamento das obrigações de reporte às empresas com 50 ou mais trabalhadores. A diretiva europeia prevê o reporte obrigatório para empregadores com pelo menos 100 trabalhadores.

De acordo com o projeto português conhecido, as empresas com 250 ou mais trabalhadores deverão reportar as diferenças remuneratórias até 7 de junho de 2027 e, posteriormente, todos os anos. Para as empresas com 150 a 249 trabalhadores, o primeiro reporte deverá também ser feito até 7 de junho de 2027, passando depois a uma periodicidade de três anos. Já as empresas com 50 a 149 trabalhadores terão de cumprir esta obrigação até 7 de junho de 2031, igualmente com periodicidade trienal.

Estes prazos constam do projeto de transposição e não devem ser apresentados como regras já definitivas, uma vez que a proposta ainda terá de completar o processo legislativo.

Ferramenta identifica diferenças salarias entre géneros

Além da análise salarial, o Pay Intelligence integra um diagnóstico inicial gratuito, o Pay Analysis, que permite avaliar a equidade interna, a competitividade externa, a composição da remuneração e o gender pay gap. Segundo a TiJubu, os dados são analisados através de um modelo de IA proprietário, numa área isolada por cliente, com os resultados disponibilizados em minutos.

A ferramenta pode ainda ser integrada com o Career Journeys, outra solução da empresa que permite mapear percursos profissionais, níveis de senioridade, competências e oportunidades de progressão. A ligação entre as duas ferramentas procura relacionar evolução profissional e remuneração, apoiando decisões sobre aumentos, promoções e carreiras.

Para Rui Luz, o objetivo é permitir às empresas estruturar desde já os processos de remuneração. “O Pay Intelligence permite que uma organização estruture a forma como toma decisões de remuneração hoje, de modo a entender e controlar o seu sistema de compensação amanhã.”

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