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Nova subida dos combustíveis: há uma ferramenta que ajuda a saber onde abastecer

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

Os preços dos combustíveis deverão voltar a subir na próxima semana, depois de o gasóleo ter atingido novos máximos. As previsões para o período de 21 a 27 de setembro apontam para uma subida de 8,5 cêntimos por litro no gasóleo e de 6,5 cêntimos na gasolina, segundo a informação divulgada esta sexta-feira pelo Contas Poupança, colocando os preços médios estimados em 2,242 euros por litro no gasóleo e 2,134 euros na gasolina.

Com o preço por litro novamente sob pressão, encontrar o posto mais barato pode parecer a solução óbvia. Mas será que compensa fazer um desvio de vários quilómetros para poupar alguns cêntimos no abastecimento? É precisamente a esta questão que responde a ferramenta “Compensa o Desvio?”, do Mais Gasolina, criada em 2009 por Eduardo Maio.

A ideia surgiu depois de o fundador perceber, através de conversas com utilizadores do site, que muitas pessoas procuravam simplesmente o preço mais baixo sem contabilizar o custo de se deslocarem até ao posto.

“Muitos não faziam essas contas e guiavam-se apenas pelo preço mais baixo. Faziam desvios de vários quilómetros e não tinham isso em conta, apenas o preço por litro é que servia de termo de comparação”, explica Eduardo Maio à PME Magazine.

A ferramenta procura responder precisamente a essa questão: quanto é que se poupa realmente ao escolher um posto mais barato quando é necessário fazer um desvio para lá chegar?

Para fazer o cálculo, o utilizador indica o combustível utilizado e o consumo médio da viatura. A ferramenta calcula depois a distância, por estrada, entre o ponto de partida e o posto, considerando a deslocação de ida e volta, estima o combustível gasto nesse percurso e acrescenta um valor associado ao desgaste do veículo.

“Esta ferramenta faz isso de forma automática”, explica Eduardo Maio. O cálculo inclui “o combustível gasto nesta deslocação, adiciona um valor fixo de desgaste da viatura (óleo, pneus, travões, etc.) e devolve o custo em Euro por cada 100 quilómetros percorridos”.

Para os utilizadores registados, também é possível adicionar cartões de desconto, cujo valor é depois considerado nos cálculos.

“É possível poupar oito euros num abastecimento de 50 litros”

A diferença pode tornar-se particularmente relevante para empresas que dependem de frotas automóveis e acumulam vários abastecimentos ao longo do mês.

“Em média, optando pelos postos mais baratos é possível poupar até oito euros num abastecimento de 50 litros”, afirma o fundador do Mais Gasolina. Numa frota que abasteça “duas a três vezes por semana no final do mês é uma poupança considerável”.

Além disso, a ferramenta permite perceber quando a deslocação deixa de fazer sentido. Eduardo Maio dá como exemplo um posto que esteja a 10 quilómetros de distância e permita poupar apenas 20 cêntimos face a outro que fique a um quilómetro.

Nesse caso, “a deslocação em termos de tempo [é] desnecessária”, explica.

No início, os dados eram recolhidos manualmente

O Mais Gasolina nasceu em 2006, quando Eduardo Maio procurava informação sobre postos que vendessem GPL, numa altura em que estava a analisar a possibilidade de converter um automóvel para esse combustível.

“A minha ideia inicial era ter apenas um mapa com as localizações e os preços, mas foi um ano marcado por fortes aumentos nos combustíveis e a ideia rapidamente escalou para ter todos os combustíveis”, conta.

A recolha dos primeiros dados era feita de forma manual, numa época em que ainda não existiam smartphones. Eduardo Maio percorreu estradas principais com uma máquina fotográfica e um GPS para registar preços e localizações.

“Os passeios de fim-de-semana com a minha mulher (na altura namorada ainda) eram feitos com ela de máquina na mão para ir tirando fotografias aos vários postos e depois em casa rever as fotografias e atualizar os preços no computador”, recorda.

A plataforma surgiu também num momento em que a informação disponível online era limitada. Segundo Eduardo Maio, algumas marcas apresentavam nos seus sites preços de referência e existia a perceção de que um posto da mesma marca praticaria preços semelhantes em diferentes pontos do país.

O Mais Gasolina permitiu mostrar diferenças entre postos da mesma marca e entre diferentes distritos. “Foi uma altura em que também começaram a aparecer os postos dos hipermercados e vieram fazer concorrência e obrigar os postos de marcas mais conhecidas a baixar os preços”, afirma.

Aumentou a procura por low-cost e GPL

Duas décadas depois, o projeto continua a ser mantido por Eduardo Maio. “É um projeto pessoal que tenho mantido nas horas vagas, não é algo comercial, e tem sido interessante porque me permite testar coisas novas na web que é a minha área profissional”, explica.

E a atual conjuntura está a refletir-se no comportamento dos utilizadores. Segundo o fundador, tem-se registado maior procura por postos low-cost, com destaque para a Petroprix e a Plenergy, que identifica como duas das marcas com preços mais baixos atualmente em Portugal Continental.

“Notou-se também um aumento das pesquisas por preços de GPL, perto de 20% relativamente ao ano passado”, afirma.

Os acessos ao site também cresceram e, segundo Eduardo Maio, estão atualmente a níveis semelhantes aos registados em 2022, quando a guerra na Ucrânia e na Rússia provocou uma forte atenção aos preços da energia e dos combustíveis.

A evolução surpreende o próprio fundador. “Seria de esperar que a tendência fosse de abrandamento com o aumento de veículos eléctricos nas nossas estradas”, admite.

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