Terça-feira, Julho 21, 2026
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Noxus: empresas portuguesas travam investimento em IA por excesso de foco no custo

Por: Ana Marisa Vieira


As grandes empresas portuguesas continuam a adotar Inteligência Artificial a um ritmo mais lento do que outros mercados europeus, devido a processos de decisão prolongados, cultura organizacional conservadora e foco excessivo no custo imediato. A análise é de João Pedro, cofundador da Noxus, que defende que o verdadeiro retorno da IA está na transformação dos processos de negócio e não apenas na automatização de tarefas.

As empresas portuguesas continuam a revelar resistência na adoção de soluções de Inteligência Artificial (IA), sobretudo quando desenvolvidas por startups. Para João Pedro, cofundador da Noxus, entrevistado no podcast Founder Tales, publicado esta segunda-feira, dia 29 de junho, o principal obstáculo não é tecnológico, mas sim cultural e organizacional.

Durante a entrevista, o responsável afirmou que muitas organizações continuam a encarar a tecnologia como um centro de custos e não como um investimento estratégico para aumentar produtividade e capacidade de crescimento.

“Há muito mindset de que, por ser uma startup ou uma empresa pequena, se deve pagar pouco”, afirmou. Segundo o empreendedor, esta realidade contrasta com a facilidade com que grandes fornecedores internacionais conseguem captar a atenção das empresas, muitas vezes com promessas difíceis de concretizar.

Transformar processos complexos em fluxos eficientes

A Noxus desenvolve uma plataforma que permite às organizações mapear, redesenhar e automatizar processos empresariais através de agentes de IA, mantendo o conhecimento operacional dentro da empresa. O objetivo passa por transformar processos complexos em fluxos mais eficientes, sem obrigar as organizações a substituir toda a infraestrutura tecnológica existente.

De acordo com João Pedro, o maior desafio não está na tecnologia, mas na forma como as empresas documentam e gerem o conhecimento interno. “O bottleneck é humano”, sublinhou, defendendo que a IA deve servir para cristalizar o conhecimento das equipas e facilitar a sua evolução.

O responsável considera ainda que Portugal apresenta ciclos de venda significativamente mais longos do que mercados como o Reino Unido, sobretudo nas grandes empresas. Processos de procurement demorados, estruturas mais conservadoras e menor disponibilidade de capital acabam por atrasar decisões de investimento em inovação.

Supervisão humana vai manter-se

Apesar disso, acredita que a adoção de IA nas empresas será inevitável, embora rejeite previsões de mudanças imediatas no mercado de trabalho. Na sua perspetiva, a tecnologia permitirá aumentar significativamente a produtividade das organizações, mas continuará a exigir supervisão humana e novos perfis profissionais capazes de gerir processos e garantir a responsabilidade pelas decisões.

A Noxus defende também que as empresas devem conhecer o custo real da utilização dos modelos de IA. Em vez de incluir esse custo na plataforma, a tecnológica opta por deixar que os clientes contratem diretamente os fornecedores de modelos, permitindo uma avaliação mais rigorosa do retorno do investimento.

Para João Pedro, o sucesso da Inteligência Artificial nas empresas dependerá menos da evolução dos modelos e mais da capacidade das organizações para redesenhar processos, medir resultados e integrar a tecnologia de forma sustentável.

 

 

Founder Tales é um podcast sobre empreendedorismo com histórias reais, lições concretas, sem filtros. A PME Magazine é parceira de media.

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