Terça-feira, Junho 16, 2026
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«O conceito de ‘porta-drones’ traduz uma mudança para operações mais distribuídas» – EID

Por: Ana Marisa Vieira

 

A EID, empresa de Investigação e Desenvolvimento de Electrónica, está no centro de um dos projetos mais ambiciosos da modernização naval em Portugal: a instalação integral do sistema de comunicações no novo NRP D. João II. A embarcação, posicionada como uma plataforma multifuncional, introduz novas capacidades operacionais na Marinha Portuguesa, incluindo a operação de sistemas não tripulados.

Apontado como o primeiro “porta-drones” da Armada, o navio incorpora uma arquitetura tecnológica avançada, onde os sistemas C4I — Comunicações, Comando, Controlo, Computadores e Inteligência — assumem um papel crítico. A EID é responsável pela implementação do ICCS7, uma solução integrada que permite gerir, proteger e distribuir informação em tempo real em ambientes operacionais complexos.

Assim, este projeto representa uma mudança estrutural na forma como as operações navais são concebidas, cada vez mais dependentes de dados, interoperabilidade e capacidade de resposta em cenários multidomínio. 

Numa altura em que o investimento em defesa cresce à escala internacional, Martin Bennett, diretor executivo da EID explica à PME Magazine o novo paradigma, o potencial de Portugal no mercado global e os desafios tecnológicos que irão moldar o futuro das operações militares.

Foto: “Empresas portuguesas podem liderar programas tecnologicamente avançados”, Martin Bennett, diretor executivo da EID


PME Magazine (PME Mag.) – Este projeto marca a primeira integração completa de um sistema C4I num navio da Marinha Portuguesa. Que impacto estratégico tem para a EID e para a indústria nacional de defesa?

Martin Bennett, diretor executivo da EID – Este projeto representa um marco estratégico não apenas para a EID, mas também para a indústria nacional de defesa como um todo. Para a EID porque estamos a integrar de forma completa uma solução C4I num navio da Marinha Portuguesa, que resulta da nossa capacidade e maturidade tecnológicas e da qualidade da engenharia que desenvolvemos em Portugal.

Naturalmente que, para a EID, este é um reconhecimento claro do nosso posicionamento enquanto parceiro tecnológico de referência, capaz de conceber, integrar e suportar sistemas críticos de elevada complexidade operacional. A implementação do sistema ICCS7 no NRP D. João II evidencia a nossa capacidade de inovação contínua e de resposta a requisitos exigentes, tanto ao nível nacional como no contexto NATO.

Do ponto de vista da indústria nacional, este projeto é um exemplo que os investimentos no setor da Defesa também beneficiam a economia nacional. Esta é só mais uma prova que demonstra que empresas portuguesas podem liderar programas tecnologicamente avançados e contribuir para plataformas de nova geração, como é o caso deste navio multifuncional, preparado para operar em cenários altamente exigentes e diversificados.


PME Mag. – Portugal pode competir num mercado global dominado por grandes grupos de defesa?

Portugal já compete ativamente neste mercado, através de empresas como a EID, que se destacam pela excelência tecnológica, pela flexibilidade e pela capacidade de inovar num setor onde isso é absolutamente crítico.

A competitividade não depende apenas da dimensão, mas sobretudo da especialização, da inovação e da capacidade de responder de forma ágil às necessidades dos clientes. A EID posiciona-se precisamente nesses fatores diferenciadores: somos uma empresa altamente especializada em sistemas de comunicações militares complexos, com um foco muito claro em nichos tecnológicos onde conseguimos oferecer soluções de elevado valor acrescentado.

” (…) é possível, a partir de Portugal, competir e ter sucesso em mercados altamente exigentes”

Ao longo dos anos, construímos um percurso sólido assente na inovação contínua, com investimentos ano após ano em desenvolvimento tecnológico e numa forte orientação para exportação. Hoje, temos soluções em operação por todo o mundo, demonstrando que é possível, a partir de Portugal, competir e ter sucesso em mercados altamente exigentes e competitivos.

Além disso, a integração no grupo internacional Cohort plc permite-nos combinar a agilidade e especialização de uma empresa portuguesa com a escala e sinergias de um grupo global, reforçando ainda mais a nossa capacidade competitiva.


PME Mag. – O conceito de “porta-drones” antecipa uma mudança estrutural na guerra naval. Estamos perante uma revolução operacional ou uma evolução incremental?

Estamos perante uma evolução que, pela sua escala e impacto, assume contornos de verdadeira transformação operacional. A introdução de plataformas com capacidade para operar sistemas não tripulados de forma integrada pode alterar profundamente a forma como as missões navais são concebidas e executadas.

“Os sistemas não tripulados expandem o alcance e a capacidade de vigilância (…)”

O conceito de “porta-drones” traduz uma mudança para operações mais distribuídas, mais persistentes e fortemente orientadas para a informação. Os sistemas não tripulados expandem o alcance e a capacidade de vigilância, mas também aumentam significativamente a complexidade do ambiente operacional.

É precisamente aqui que os sistemas C4I assumem um papel central. A capacidade de recolher, processar, distribuir e proteger informação em tempo real torna-se crítica.

Não é uma revolução súbita, mas sim de um ritmo de mudança acelerado, que irá redefinir cada vez mais o futuro das operações navais. E isto, por sua vez, exigirá sistemas tecnológicos avançados, como os desenvolvidos pela EID, para garantir tanto a eficácia como a segurança.

Foto: Divulgação


PME Mag. – A interoperabilidade com sistemas NATO é hoje crítica. Como é que a EID se posiciona num contexto de crescente integração tecnológica entre forças aliadas?

A interoperabilidade não é apenas um requisito, é um princípio estruturante no desenvolvimento das nossas soluções. Desde a sua conceção, os sistemas da EID são pensados para operar em ambientes multinacionais, altamente integrados e sujeitos a standards rigorosos, como os da NATO.

O trabalho da EID na vanguarda do desenvolvimento de sistemas, em conjunto com as Forças Armadas Portuguesas no âmbito Federated Mission Networking da NATO, é testemunho da inovação e da competência existentes em Portugal. O desenvolvimento de modelos de plataforma e sistemas interoperáveis para o Exército Português e de sistemas navais C4I para a Marinha Portuguesa são um exemplo claro dessa abordagem, permitindo a integração de múltiplos sistemas, domínios e níveis de classificação de informação, assegurando comunicações seguras e resilientes entre diferentes plataformas e forças.

Este posicionamento permite-nos não só responder eficazmente às necessidades das Forças Armadas Portuguesa, como também participar em programas internacionais.


PME Mag. – Num cenário global de aumento do investimento em defesa, que oportunidades identificam para empresas portuguesas no mercado internacional, particularmente em áreas como C4I e comunicações militares??

O atual contexto internacional, marcado por um reforço significativo do investimento em defesa, cria um ambiente particularmente favorável para empresas com competências tecnológicas.

As áreas de C4I e comunicações militares estão no centro dessa transformação, uma vez que são fundamentais para garantir superioridade informacional e eficácia operacional. Empresas portuguesas, como a EID, têm uma oportunidade clara para expandir a sua presença internacional, sobretudo em mercados que valorizam soluções flexíveis, interoperáveis e tecnologicamente avançadas.

“(…) participar ativamente em programas colaborativos europeus e da NATO”

Para capitalizar estas oportunidades, é essencial continuar a investir em inovação, reforçar parcerias internacionais e participar ativamente em programas colaborativos europeus e da NATO, que funcionam como plataformas de acesso a novos mercados e de desenvolvimento tecnológico.


PME Mag. – O futuro da defesa passa por tecnologias como inteligência artificial, cibersegurança e guerra eletrónica. Como está a EID a preparar-se para responder a estas tendências nos próximos anos?

A EID tem vindo a preparar-se de forma consistente para esse futuro, através de uma estratégia de investimento contínuo em tecnologias críticas e na evolução das suas soluções.

Mantemos um investimento consistente em investigação e desenvolvimento, precisamente para garantir que acompanhamos a evolução tecnológica. Este esforço permite-nos incorporar novas capacidades nos nossos sistemas, nomeadamente ao nível da gestão inteligente de comunicações, automação de processos e apoio à decisão. Os nossos sistemas são concebidos com elevados níveis de proteção, resiliência e integridade da informação, em linha com os requisitos mais exigentes, incluindo os da NATO.

Esta abordagem integrada permite-nos antecipar necessidades futuras e continuar a oferecer soluções relevantes e competitivas aos nossos clientes.


PME Mag. – Com o aumento do investimento global em defesa, há também maior escrutínio público. Como equilibra a EID crescimento de negócio com responsabilidade e transparência?

O crescimento no setor da defesa tem de estar necessariamente associado a um elevado sentido de responsabilidade. Na EID, encaramos a transparência, a ética e a conformidade como elementos indissociáveis da nossa atividade.

“Seguimos práticas exigentes em matéria de controlo de exportações, segurança da informação e integridade nos processos de contratação (…)”

Operamos num setor altamente regulado, onde o cumprimento rigoroso de normas nacionais e internacionais é obrigatório. Seguimos práticas exigentes em matéria de controlo de exportações, segurança da informação e integridade nos processos de contratação, assegurando total alinhamento com os enquadramentos legais e com os compromissos internacionais de Portugal.

Paralelamente, promovemos uma cultura organizacional assente na integridade e mantemos um diálogo transparente com os nossos stakeholders. Acreditamos que a confiança, tanto institucional como pública, é um ativo estratégico fundamental e que só pode ser construída através de uma atuação consistente e responsável.

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a) CNIACC – Centro Nacional de Informação e Arbitragem de Conflitos de Consumo http://www.arbitragemdeconsumo.org/
b) Centro de Arbitragem da Universidade Autónoma de Lisboa (CAUAL) http://arbitragem.autonoma.pt/home.asp
c) Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo de Lisboa http://www.centroarbitragemlisboa.pt/

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