Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Plataforma de jovens profissionais de saúde apresenta plano para valorizar carreiras e modernizar o SNS

Por: Helena Schlindwein

A Plataforma de Jovens Profissionais de Saúde lançou o plano de motivação e valorização, um documento estratégico que visa responder aos desafios estruturais que afectam milhares de jovens que exercem funções na área da saúde em Portugal.

O documento identifica problemas críticos como a precariedade contratual, a ausência de progressão nas carreiras, os níveis alarmantes de stress e burnout e a crescente emigração de profissionais qualificados. Segundo o Barómetro da entidade, apenas 10% dos jovens se declaram satisfeitos com as suas condições de trabalho e mais de 60% referem que os seus horários não permitem uma articulação aceitável entre vida pessoal e profissional.

 

Criação de um Sistema Nacional de Monitorização de Indicadores

Em resposta à PME Magazine, Sofia Aguilar, representante da plataforma de Jovens Profissionais de Saúde, explicou que uma das propostas centrais é a criação de um Sistema Nacional de Monitorização de Indicadores, sob coordenação da ACSS, que recolherá dados sobre vínculos laborais, acesso a formação certificada, níveis de stress e bem-estar e representação de jovens em cargos de coordenação.

Estes resultados seriam divulgados em relatórios anuais públicos e apresentados à Comissão Parlamentar de Saúde.

 

73% afirmam que voltariam a escolher a mesma profissão

Além disso, a ausência de perspectivas de progressão é identificada como uma das principais causas de desmotivação entre os jovens profissionais de saúde. Apenas 36% destes acreditam ter reais possibilidades de evoluir na sua carreira, segundo o Barómetro realizado pela Plataforma.

Esta estagnação tem efeitos directos na retenção, quando os profissionais não vislumbram horizontes de desenvolvimento, tendem a afastar-se progressivamente do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Entre os jovens que percepcionam possibilidades de progressão, 73% afirmam que voltariam a escolher a mesma profissão. Já entre aqueles que não acreditam ter futuro na carreira, menos de metade repetiria a escolha profissional.

A carência de expectativas para o desenvolvimento profissional conduz à desmotivação precoce destes jovens que progressivamente se afastam do SNS”, comentou Sofia Aguilar.

Com isso, é proposto a criação de um plano nacional de reformulação de carreiras em saúde que integre mecanismos de progressão automática por tempo de serviço e progressão diferenciada por mérito, baseada em critérios de desempenho, bem como a revisão dos instrumentos de avaliação existentes.

Prevê ainda a criação de uma base transversal de regulamentação, aplicável a todas as carreiras da saúde, de forma a assegurar maior equidade e transparência.

O plano contempla igualmente o reconhecimento formal do papel técnico-científico de profissões que ainda não dispõem de enquadramento em carreira específica, como médicos dentistas, nutricionistas, psicólogos, médicos veterinários e fisioterapeutas, garantindo para estas áreas condições justas de ingresso, progressão e valorização profissional.

Esta medida permitiria a valorização da aquisição de competências certificadas através da bonificações de tempo de progressão de carreira”, acrescentou Sofia Aguilar.

 

Aproveitar os meios tecnológicos mais atuais para desenvolver mecanismos mais flexíveis de comunicação

Outra vertente é a aposta na telessaúde, com recolha e monitorização de indicadores à distância, sobretudo em áreas remotas. A medida inclui oportunidades de teletrabalho para os profissionais do SNS, cuja eficácia seria avaliada com base em indicadores de produtividade e satisfação.

O plano defende ainda a criação de unidades experimentais de inovação assistencial assentes em equipas transdisciplinares, com autonomia organizativa e responsabilidade conjunta em objectivos de desempenho.

Sofia Aguilar sublinhou que, “o objetivo prende-se em aproveitar os meios tecnológicos mais atuais para desenvolver mecanismos mais flexíveis de comunicação com os utentes, sobretudo os que se encontram em áreas mais remotas. Para além disso, permitiria desenvolver oportunidades de teletrabalho com maior flexibilidade laboral para os profissionais do SNS”.

A proposta de introdução da telessaúde no SNS não é vista como uma substituição indiscriminada dos cuidados presenciais, mas como um complemento que deve ser utilizado apenas quando não existe prejuízo na qualidade do acompanhamento prestado aos utentes.

O princípio orientador é que os cuidados de saúde mantenham sempre a sua dimensão humana e personalizada, colocando as necessidades individuais das pessoas no centro do processo assistencial

Neste sentido, a telessaúde surge como uma forma de aproximar os serviços das populações em áreas remotas ou com menor cobertura assistencial, bem como de criar maior flexibilidade laboral para os profissionais, através da possibilidade de teletrabalho em determinadas funções.

 

A transdisciplinaridade permite a prestação de cuidados com maior qualidade

A prestação de cuidados de saúde de qualidade exige não apenas competência técnica, mas também coordenação, integração e enfoque nas necessidades do utente. Para alcançar estes objetivos, é “fundamental que os cuidados sejam prestados de forma coordenada entre diferentes profissionais e níveis de intervenção, garantindo acesso contínuo a todos os serviços ao longo da vida”.

Neste sentido a transdisciplinaridade permite a prestação de cuidados com maior qualidade, mais abrangentes e centrados nas necessidades dos indivíduos e comunidades. O impacto não será só visível a curto prazo, com a satisfação do utente mas também a longo prazo através da deteção precoce de potenciais problemas, a promoção da saúde e a satisfação das necessidades de cada utente de uma forma holistíca e integrada”, comentou Sofia Aguilar em resposta a PME Magazine

Com isso, é proposto a criação de um “projeto-piloto de unidades experimentais de inovação assistenciais baseadas em equipa, testando- se novos modelos de atuação baseados na autonomia das equipas transdisciplinares, com maior flexibilidade, mas também responsabilidade”.

Estas unidades experimentais seriam lançadas sobre a tutela da Direção Executiva do SNS permitindo a liberdade organizativa para a gestão e alocação de recursos, o desenho de fluxos de atuação centrados nos utentes, a definição de objetivos de desempenho conjunto e a integração de profissionais de diversas áreas da saúde”, explicou a representante da plataforma.

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