Sexta-feira, Agosto 14, 2026
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Barómetro PME: Empresas mais conscientes da IA Generativa, mas longe da maturidade digital

Por: Ana Vieira

5º Barómetro PME Magazine
Pilar: Transformação Digital – Inteligência Artificial
Comentários: João Geraldes, vice-presidente da DSPA – Data Science Portuguese Association e João Duque, economista e presidente do ISEG – Lisbon School of Economics and Management


Apenas 7% das PME inquiridas diz ser indiferente à evolução da IA Generativa e 50% das PME tenta acompanhar a sua evolução.

Consegue acompanhar a evolução da IA Generativa aplicada a negócios? (5º Barómetro PME Magazine)

 

A maioria dos participantes diz tentar acompanhar a evolução da IA Generativa, e apenas 21% dizem perentoriamente que não acompanham. Em 2025, a maioria afirma ter conhecimento das ferramentas de IA aplicáveis ao negócio, o que reflete uma subida no grau de familiaridade com este tipo de recursos em comparação com o ano anterior.

“um nível de consciência e preocupação com a inovação teconológica”

João Geraldes, vice-presidente da DSPA – Data Science Portuguese Association classifica os resultados do Barómetro PME de “francamente animadores” e demonstrativos de “um nível de consciência e preocupação com a inovação teconológica” com apenas 7% dos inquiridos a mostrar indiferença à evolução da IA Generativa.

Perante o desafio de implementar este tipo de soluções nas pequenas e médias empresas, João Geraldes, doutorado em Gestão, Estratégia e Posicionamento na área de Organização e Competitividade, indica sugestões práticas como:

Formação e Sensibilização: Começar com formação básica para os colaboradores sobre o que é a IA generativa, como funciona e quais as suas aplicações. Existem muitos cursos (na DSPA) e online acessíveis e workshops práticos.

Identificar Casos de Uso: Analisar os processos internos da empresa e identificar áreas onde a IA generativa pode acrescentar valor.

Provas de Conceito (PoC) de Baixo Risco: Implementar projetos piloto com soluções de IA generativa já existentes no mercado, em vez de tentar desenvolver soluções complexas de raiz. Isso permite aprender com a experiência e validar o potencial da tecnologia.

Parcerias com Startups e Universidades: Colaborar com startups que já desenvolvem soluções de IA generativa ou com universidades que fazem investigação nesta área. Isso permite ter acesso a conhecimento especializado e a tecnologias inovadoras.

Consultoria Especializada: Recorrer à DSPA, aos seus associados e a consultoras especializadas em IA para ajudar a definir a estratégia, escolher as ferramentas adequadas e implementar as soluções de forma eficaz.

Aproveitar Incentivos (PRR): Informar-se sobre os programas de apoio e incentivos financeiros para a transformação digital e a adoção de IA com “calls” abertas”.

 

João Duque, economista e presidente do ISEG – Lisbon School of Economics and Management considera que as PME podem acompanhar o tema através de “sessões de divulgação, promoção, leitura de canais especializados, textos, assinaturas de meios especializados”.

Contudo, em áreas mais especializadas, é importante procurar soluções mais específicas, procurando “os profissionais das áreas” para uma “formação dirigida para problemas concretos, com respostas concretas”.

 

70% das empresas pretende formar uma equipa dedicada para implementação de ferramentas IA.

Mais de 70%, quase mais 10pp. em relação a 2024, demonstra vontade em formar as equipas para a utilização de ferramentas de IA, revelando assim um interesse cada vez maior na tecnologia e na automatização com o objetivo de modernizar processos e melhorar o desempenho do negócio.

Uma intenção “ambiciosa”, considera João Geraldes, vice-presidente da DSPA, mas “pouco verosímil no curto prazo, pelo menos no sentido tradicional de equipa interna a tempo inteiro. 70% é um número elevado. No entanto, a intenção de apostar em competências e recursos dedicados ao IA é positiva”.

João Geraldes, e tendo em conta a realidade empresarial portuguesa (a maioria das micro e pequenas empresas, tem em média em Portugal 2 ou 3 colaboradores [Fontes/Entidades: INE, PORDATA, Última actualização: 2023-12-18]), acredita que uma solução mais capaz passará pela combinação de recursos internos e externos “formando um núcleo pequeno de colaboradores internos para coordenar a estratégia de IA e a implementação de projetos, complementando-os com o apoio de consultores externos, startups ou universidades”.

Também através da formação multidisciplinar, em vez da “criação de equipas completamente novas, apostar na formação dos colaboradores existentes em áreas como análise de dados, automação de processos e desenvolvimento de software”.

E ainda a contratação pontual de especialista, “recorrendo a freelancers ou consultores para projetos específicos, como o desenvolvimento de modelos de IA ou a integração de ferramentas”.

 

Em 2024, cerca de 48% das empresas investiram na transformação digital – uma subida de quase 18pp. face ao ano anterior. Só cerca de 22% das empresas tem o digital como parte da estratégia e do funcionamento diário e, para quase 20%, o digital é percecionado como um elemento essencial de alinhamento e inovação.

Os números “revelam que a implementação está a ser lenta e, que a transformação digital ainda não é vista como relevante para muitas empresas”, defende o vice-presidente da DSPA – Data Science Portuguese Association.

“O aumento do investimento é positivo, mas o facto de apenas 22% integrarem o digital na estratégia indica que muitas empresas estão a investir em soluções pontuais, eventualmente sem uma visão abrangente e holística. O facto de um em cada cinco empresas (20%) verem o digital como um elemento de alinhamento e inovação é encorajador, mas ainda é uma minoria”.

Para mudar o cenário atual, João Geraldes apontas as seguintes mudanças:

“Mudar a Mentalidade: As empresas precisam de perceber que a transformação digital não é apenas sobre comprar novas tecnologias, mas sobre repensar os modelos de negócio, os processos e a cultura da empresa.

Definir Estratégias Claras: As empresas precisam de definir estratégias digitais claras, com objetivos mensuráveis e indicadores de desempenho.

Investir em Formação: É crucial investir na formação dos colaboradores para que possam utilizar as novas tecnologias de forma eficaz e participar ativamente na transformação digital.

Medir o Impacto: As empresas precisam de medir o impacto dos seus investimentos em transformação digital para poderem ajustar as suas estratégias e maximizar o retorno”.

 

Quase 37% das empresas em 2025 não têm qualquer estrutura ou função dedicada à área digital. 19% da amostra é assegurada por terceiros apenas em caso de necessidade, enquanto 16% garante dispor de profissionais com conhecimento técnico suficiente. Apenas 5,5% das empresas contam com uma liderança estruturada e equipas.

Uma realidade que o vice-presidente da DSPA considera preocupante, mas que pode transformar-se num desafio. “O facto de uma grande percentagem de empresas não ter uma estrutura dedicada à área digital e depender de terceiros em caso de necessidade é preocupante, mas uma boa oportunidade para as consultoras (como é o caso da 2B-On)”, conclui.

A falta de equipas internas e de uma liderança estruturada poderá ter os seguintes impactos negativos:

“Adoção Lenta e Ineficaz: A falta de conhecimento interno dificulta a identificação das melhores soluções digitais para as necessidades da empresa, a implementação eficaz das tecnologias e a medição do impacto dos investimentos.

Perda de Competitividade: As empresas que não se adaptam à economia digital correm o risco de perder competitividade para as empresas que já o fizeram.

Dependência de Terceiros: A dependência excessiva de terceiros pode tornar as empresas vulneráveis a mudanças no mercado e a custos inesperados.

Falta de Inovação: A falta de uma equipa interna dedicada à inovação digital limita a capacidade das empresas de desenvolverem novos produtos e serviços e de se diferenciarem da concorrência.

Dificuldade em Atrair e Reter Talento: A falta de oportunidades de desenvolvimento profissional na área digital pode dificultar a atração e retenção de talento qualificado.

 

 

 

Ficha técnica 5º Barómetro PME Magazine:

Estudo quantitativo, com recurso a um inquérito online, enviado para as bases de dados da PME Magazine, Iberinform e da More Results (178 242 empresas).  

A amostra foi recolhida entre os dias 20 de janeiro e 28 de março de 2025, tendo sido recolhidos 214 questionários válidos com a seguinte distribuição: 130 micro empresas, 57 pequenas empresas e 27 médias empresas. 

Para um grau de confiança de 95%, a dimensão desta amostra representa uma margem de erro de ± _6,84%. A recolha da informação foi da responsabilidade da More Results. 

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