Quinta-feira, Agosto 13, 2026
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PME na nova economia: do “país de pequeninos” à demonização do lucro

Por: Ana Vieira


No Fórum PME Magazine by UniPeople, realizado nos dias 29 e 30 de outubro, “O papel das PME na nova economia” esteve em discussão numa mesa-redonda que reuniu vozes da economia e da gestão.

A partir do Taguspark, na quinta-feira passada, António Costa Silva, ex-ministro da Economia e do Mar, defendeu que Portugal deve deixar de ser “um país de pequeninos”, enquanto Rita Maria Nunes criticou o papel das associações empresariais, que “vivem de fundos” e “não servem os empresários”.

Rina Guerra, Head of ELITE Portugal da Euronext, apresentou um programa que “pretende ajudar as empresas de capital privado a crescer de forma profissionalizada e sustentável”.


“Queremos um país de grandes empresas”

O gestor e professor jubilado, António Costa Silva foi incisivo: “Somos um país de PME, mas o que nós queremos é um país de grandes empresas.”

O ex-ministro lembrou que “as grandes empresas estão no cerne da criação de valor”, funcionando como alavancas de crescimento para as pequenas e médias, e alertou para o “terror parlamentar” que, segundo afirmou, “demoniza o lucro e hostiliza o sucesso empresarial”.

Recorrendo a um exemplo internacional, Costa Silva destacou que “a Coreia do Sul cresceu 23 vezes em 50 anos porque criou grandes conglomerados industriais”, defendendo que Portugal deve seguir o mesmo caminho, com políticas públicas “mais amigas do setor privado” e uma administração pública “sem medo de decidir”.


“Ser empresário em Portugal é um ato de loucura”

Rita Maria Nunes, Country Manager da TAB Portugal, criticou o excesso de associações empresariais, afirmando que “muitas nascem apenas para captar fundos do Estado e criar formações que não servem para ninguém”.

“Os empresários afastam-se destes organismos porque não reconhecem o seu valor. E erradamente, porque deviam ser agregadores, mas não o são”, afirmou.

Para Rita Nunes, a fragmentação e o “pensamento pequeno” são obstáculos estruturais: “Vejo associações do mesmo setor no norte, no centro e no sul. Não somos um país tão grande para precisar de tantas.”

A empresária alertou ainda para a falta de mentalidade de crescimento: “Em Portugal, gerar lucro é quase um pecado. Muitos empresários têm medo de ter sucesso.”


ELITE quer “acelerar o crescimento” das PME

Rina Guerra, responsável pela ELITE Portugal, plataforma do grupo Euronext, apresentou uma visão mais otimista e estruturada.

A gestora explicou que o programa da ELITE “pretende ajudar as empresas de capital privado a crescer de forma profissionalizada e sustentável”, através de três pilares: formação e literacia empresarial, networking internacional e acesso a financiamento.

“Queremos pôr os empresários portugueses em contacto com uma rede pan-europeia de mais de 2000 empresas”, disse, sublinhando que a ambição e a partilha de conhecimento são fatores decisivos: “Muitas vezes basta abrir os olhos e perceber que outros já ultrapassaram os desafios que enfrentamos.”


Liderança, burocracia e mudança geracional

O debate estendeu-se ao tema da liderança e das competências de gestão. Rita Maria Nunes identificou “um enorme gap geracional”, com muitos empresários ainda presos ao modelo do “chefe tradicional”.

“Os novos empresários já não se revêm nesse modelo. Querem líderes inspiracionais, que saibam ouvir e desenvolver pessoas”, afirmou.

António Costa Silva concordou na necessidade de “mudar mentalidades”, mas voltou a sublinhar os entraves estruturais, como a “burocracia excessiva”, a instabilidade fiscal e a lentidão das decisões públicas: “Há pedidos de empresas que ficam anos à espera de resposta. O custo da inação é brutal.”

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