Segunda-feira, Agosto 17, 2026
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Porto e Lisboa no top mundial para trabalho remoto e lazer

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

As políticas de trabalho flexível estão a tornar-se um fator cada vez mais importante para as empresas atraírem e reterem talento. A conclusão é reforçada pelo Work from Anywhere Index 2026, divulgado esta quarta-feira, 5 de agosto, pela International Workplace Group (IWG), que coloca o Porto na 4.ª posição e Lisboa na 9.ª entre os melhores destinos do mundo para combinar trabalho remoto e lazer. 

Os dados surgem numa altura em que o trabalho remoto continua a ter expressão em Portugal. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, no primeiro trimestre de 2026, 21,1% da população empregada trabalhou a partir de casa com recurso a tecnologias de informação e comunicação, o equivalente a cerca de 1,12 milhões de pessoas, um valor ligeiramente superior ao registado no mesmo período do ano anterior.

Segundo o IWG, em comunicado, “esta transformação da forma de trabalhar é apoiada pela infraestrutura digital de Portugal”. A empresa cita dados da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) que indicam que, no final do terceiro trimestre de 2025, as redes de alta velocidade cobriam 96% dos alojamentos familiares em Portugal.

O estudo partiu de uma análise de 50 cidades com base em indicadores como segurança, clima, velocidade da internet, alojamento, transportes, gastronomia, oferta cultural, sustentabilidade, disponibilidade de espaços de trabalho flexíveis, custo de vida, acesso à natureza e existência de vistos para nómadas digitais. Portugal é o único país com duas cidades, Porto e Lisboa, entre os dez melhores destinos analisados.

 

Flexibilidade pode ajudar a reter talento

Além do ranking de destinos, o estudo também evidencia a crescente importância das políticas de Work from Anywhere (WFA) para trabalhadores e empregadores, a nível global. Segundo a IWG, 80% dos profissionais afirmam que uma política deste tipo tornaria uma oferta de emprego mais atrativa, enquanto 62% admitem mudar de emprego para beneficiar de melhores condições de trabalho flexível.

Além disso, 90% dos inquiridos consideram que a possibilidade de escolher onde trabalham melhorou o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e 80% dizem que aumentou a sua produtividade.

O estudo do IWG mostra ainda que mais de metade dos profissionais (51%) afirma que a sua entidade empregadora já disponibiliza uma política de Work from Anywhere, sinal de que este tipo de modelo está a tornar-se uma prática cada vez mais consolidada no mercado de trabalho.

 

Usar o trabalho remoto para prolongar as férias

Para Mark Dixon, Executive Chairman e fundador da IWG, a tendência deverá consolidar-se nos próximos anos. “Estamos a assistir a um número cada vez maior de profissionais que prolongam as suas viagens para trabalhar remotamente ou que escolhem passar períodos mais longos no estrangeiro enquanto nómadas digitais”, afirma.

O responsável considera que “esta tendência veio para ficar”, com um número crescente de empresas a adotar políticas de trabalho flexível e remoto, uma mudança que, diz, contribui para melhorar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e para aumentar a produtividade.

Os resultados do estudo apontam para uma valorização crescente da flexibilidade laboral por parte dos profissionais, sugerindo que as empresas que oferecem modelos de trabalho flexível poderão beneficiar na atração e retenção de talento. Para muitas PME, que enfrentam dificuldades de recrutamento em alguns setores, esta poderá constituir uma vantagem competitiva.

O estudo conclui ainda que o trabalho remoto está a alterar a forma como os profissionais viajam. Quase metade (48%) planeia prolongar férias através do trabalho remoto em 2026 e 43% afirmam já ter trabalhado remotamente a partir de um destino de férias sem recorrer a dias férias.

A crescente procura por flexibilidade também está a impulsionar o mercado de escritórios flexíveis. Segundo a IWG, este segmento regista um crescimento anual superior a 20% desde 2018, impulsionado pelo trabalho híbrido e pela procura das empresas por soluções imobiliárias mais ágeis. Em Portugal, a empresa opera atualmente 30 espaços de trabalho flexíveis, dos quais 20 se localizam em Lisboa e no Porto.

 

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