Portugal destaca-se na digitalização dos serviços públicos na UE

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Portugal alcança 90 pontos nos serviços públicos digitais para empresas, acima da média da União Europeia, de 88,59 pontos (Foto Freepik

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

Portugal apresenta um desempenho acima da média da União Europeia nos serviços públicos digitais, mas continua atrás dos restantes Estados-Membros na adoção de tecnologias como inteligência artificial e computação em nuvem pelas empresas. O diagnóstico consta do Relatório de Portugal sobre a Década Digital 2026, da Comissão Europeia.

A Comissão Europeia considera que Portugal tem uma “posição excecional” nos serviços públicos digitais para cidadãos e empresas, mas identifica como um dos principais desafios do país a digitalização das empresas em tecnologias avançadas.

Portugal continua a ficar atrás da média europeia na utilização de cloud computing e inteligência artificial pelas empresas, enquanto a evolução das competências digitais básicas também tem sido mais lenta do que na União Europeia.

Os dados mais recentes mostram que 63,9% das PME portuguesas atingiram, em 2025, pelo menos um nível básico de intensidade digital, abaixo dos 71,4% registados na UE. A meta europeia para 2030 é chegar aos 90%.

A diferença é ainda maior na adoção de tecnologias avançadas. Apenas 11,5% das empresas portuguesas utilizavam inteligência artificial em 2025, contra 20% na média da União Europeia. A meta fixada para 2030 é que 75% das empresas utilizem IA.

Também na computação em nuvem Portugal está atrás dos parceiros europeus. A utilização de cloud situava-se nos 34,1% das empresas, face a 46,7% na UE, enquanto a meta para o final da década é de 75%.

Há, contudo, um indicador em que Portugal supera a média europeia: 45% das empresas utilizavam ferramentas de análise de dados em 2025, contra 39,9% na UE.

 

Digitalização está entre os pontos fortes

É na digitalização dos serviços públicos que Portugal apresenta um dos melhores resultados, de acordo com o eGovernment Benchmark 2026. O país obteve 90 pontos em 100 nos serviços públicos digitais destinados às empresas, acima dos 88,6 pontos da média da União Europeia. Nos serviços destinados aos cidadãos, a pontuação portuguesa foi de 86,4 pontos, também acima da média europeia de 84,6.

Os dados do estudo ajudam a explicar este resultado. Na disponibilidade online dos serviços públicos, Portugal alcança 99,88 pontos, contra 95,08 na média da UE. No entanto, quando estão em causa serviços públicos digitais transfronteiriços, a pontuação portuguesa desce para 74,54 pontos, ligeiramente abaixo dos 75,96 pontos da média europeia.

Esta diferença é particularmente relevante para empresas com atividade noutros mercados da União Europeia, uma vez que a Comissão aponta a interoperabilidade, a identificação digital e a validação de documentos como alguns dos obstáculos que ainda dificultam os serviços públicos transfronteiriços.

 

2,1 mil milhões de euros para a transformação digital

O roteiro nacional português para a Década Digital inclui 157 medidas, com um orçamento total de 2,1 mil milhões de euros, equivalente a cerca de 0,86% do PIB. Contudo, 62% destas medidas deverão terminar até ao final de 2026, correspondendo a 1,6 mil milhões de euros, ou 75% do orçamento público previsto no roteiro.

A transformação digital conta ainda com 4,7 mil milhões de euros provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência, enquanto os fundos de coesão contribuem com outros 2,3 mil milhões de euros. A Comissão Europeia estima que os investimentos digitais do PRR português tenham um impacto económico total de 4,14 mil milhões de euros.

Apesar dos progressos, Bruxelas recomenda que Portugal continue a apoiar a adoção de IA e computação em nuvem pelas empresas, áreas em que o país permanece abaixo da média europeia. O relatório destaca ainda a necessidade de continuar a reforçar as competências digitais da população.