Quarta-feira, Agosto 12, 2026
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“Portugal está a estabelecer-se como um centro de cultivo e produção de canábis medicinal na Europa” – Michael Sassano, SOMAÍ Pharmaceuticals

Por: Ana Vieira


A SOMAÍ Pharmaceuticals atua na distribuição de preparações e substâncias à base da canábis medicinal. Em Portugal, tem toda a sua área de produção e cultivo.  

Com 130 colaboradores, a SOMAÍ Pharmaceuticals opera diversas instalações no nosso país, entre elas a sua unidade original de produção farmacêutica com 3.800 metros quadrados, perto de Lisboa e as instalações adquiridas da RPK Biopharma, em Sintra. 
 
A caminho de superar os 30 milhões de euros em vendas este ano, Michael Sassano, CEO da SOMAÍ Pharmaceuticals aponta como principais desafios “a aceitação e prescrição limitadas por parte dos profissionais de saúde”, “maior investimento na educação e formação”, para que Portugal possa “liderar as exportações para a Europa, que está a sofrer alterações regulamentares, e oferecer produtos de elevada qualidade e em conformidade”.

 

PME Magazine (PME Mag.) – A SOMAÍ Pharmaceuticals tem investido em tecnologia e inovação na produção de canábis medicinal. Que mais valias terá a fábrica de Lisboa e quais os produtos que serão aqui produzidos?
Michael Sassano (M. S.) – As instalações de extração e cultivo indoor da SOMAÍ em Lisboa representam uma das infra-estruturas mais avançadas da Europa para a produção de canábis medicinal. Estão equipadas com tecnologia de ponta para a I&D, extração, formulação e embalagem de produtos farmacêuticos à base de canábis. As instalações da SOMAÍ produzem uma vasta gama de produtos, incluindo óleos, sprays sublinguais, cápsulas, gomas orais e flor seca, com mais de 120 SKUs já desenvolvidos. As instalações têm certificação GMP e permitem uma produção altamente controlada e padronizada. Embora a capacidade exata não seja pública, foi concebida para satisfazer a crescente procura internacional, com a flexibilidade de escalar a produção de acordo com as necessidades dos parceiros globais.

PME Mag. – Como vê o atual panorama da canábis medicinal em Portugal? Quais são os principais desafios e oportunidades que o país enfrenta para se tornar um player de referência na Europa?
M. S. –
Atualmente, uma grande parte do nosso produto destina-se à exportação, principalmente para a Alemanha, o Reino Unido e a Austrália, mas Portugal é o epicentro do cultivo e da produção de canábis. Portugal está a estabelecer-se como um centro de cultivo e produção de canábis medicinal na Europa.

O país beneficia de um quadro regulamentar claro, de uma autoridade nacional eficiente (Infarmed) e de condições climáticas e logísticas favoráveis. No entanto, os principais desafios incluem a aceitação e prescrição limitadas por parte dos profissionais de saúde, bem como existe ainda a necessidade de um maior investimento na educação e formação. A grande oportunidade reside na capacidade de Portugal liderar as exportações para a Europa, que está a sofrer alterações regulamentares, e oferecer produtos de elevada qualidade e em conformidade.

PME Mag. – A regulamentação da canábis medicinal varia significativamente entre países. Como é que esta diversidade regulatória afeta a estratégia de expansão da SOMAÍ Pharmaceuticals e a distribuição dos vossos produtos?
M. S. – A diversidade regulamentar entre países constitui um desafio constante para a SOMAÍ, exigindo uma abordagem adaptada e personalizada a cada mercado. A empresa adotou uma estratégia de internacionalização baseada em parcerias estratégicas locais, permitindo uma entrada eficiente em novos países.

2024 foi o ano em que a SOMAÍ se tornou um verdadeiro Multi Country Operator (MCO) verticalmente integrado, estando já presente em 12 países, e esperando passar para 20 países até ao final de 2025. Nos mercados onde a regulamentação ainda está em desenvolvimento, a SOMAÍ dialoga ativamente com as autoridades de saúde para ajudar a moldar regulamentação mais clara e centrada no paciente. Esta flexibilidade é essencial para garantir uma distribuição eficaz e em conformidade com a lei.

PME Mag. – A aceitação da canábis medicinal ainda enfrenta barreiras? De que forma está a SOMAÍ a promover a educação e a sensibilização sobre os benefícios terapêuticos dos canabinoides?
M. S. –
Sim, a canábis medicinal ainda enfrenta barreiras, nomeadamente ao nível da formação médica, do estigma social e do desconhecimento do potencial terapêutico dos canabinóides. A SOMAÍ tem vindo a investir fortemente em ações de formação médica contínua, colaborando com associações científicas, universidades e profissionais de saúde. Além disso, a empresa promove campanhas de sensibilização e fornece conteúdos baseados em factos para informar o público e os prescritores sobre os benefícios comprovados da canábis medicinal.

PME Mag. – Como vê o futuro da canábis medicinal e quais são as principais tendências que poderão moldar este mercado nos próximos anos?
M. S. – O futuro da canábis medicinal é promissor, com uma crescente aceitação médica e regulamentar a nível mundial. As principais tendências incluem a expansão de produtos personalizados de preparações e substâncias à base da canábis para fins medicinais, avanços na biotecnologia para a produção de canabinóides sintéticos e a integração da canábis nos sistemas nacionais de saúde. Prevê-se também uma maior digitalização da monitorização terapêutica e um aumento significativo da investigação clínica. Portugal, com as suas infra-estruturas e regulamentação avançadas, está bem posicionado para liderar estas tendências.

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