Portugal longe das metas na recolha seletiva de biorresíduos

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Bioresiduos
Portugal tem como meta assegurar a recolha seletiva de biorresíduos em todo o território até 2030 (Foto Canva)

Por: Ana Marisa Vieira


Apenas um quinto do território continental dispõe de recolha seletiva de biorresíduos alimentares em toda a área, segundo a ERSAR. O atraso coloca o país longe de cumprir as obrigações legais e as metas europeias definidas até 2030.

Portugal continua significativamente atrasado na implementação da recolha seletiva de biorresíduos alimentares. De acordo com o Inquérito de Diagnóstico de 2025 da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), apenas 19% dos alojamentos do território continental estão integralmente abrangidos por este serviço, apesar de alguns avanços face a 2024.

O relatório, baseado nas respostas de 222 entidades gestoras (EG), que representam 94% do universo nacional, revela que 51% das EG afirmam ter implementado a recolha seletiva de biorresíduos até outubro de 2025. No entanto, a maioria admite que o serviço não cobre toda a sua área de intervenção. Estas entidades abrangem 76% do número total de alojamentos, mas apenas uma parte dispõe efetivamente de recolha seletiva desta fração de resíduos.

Segundo a presidente do Conselho de Administração da ERSAR, Vera Eiró, “como a maioria das entidades gestoras não disponibiliza o serviço em toda a sua área de intervenção, apurou-se que apenas 19% dos alojamentos do território continental estão cobertos”. Um valor que fica muito aquém da obrigação legal em vigor desde 31 de dezembro de 2023.

Portugal tem como meta assegurar a recolha seletiva de biorresíduos em todo o território até 2030, com objetivos intermédios definidos para 2026 e 2035, em linha com o Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU 2030) e as diretivas europeias. “Estamos com um atraso significativo, que exige um esforço acelerado para evitar o incumprimento das metas europeias”, alerta Vera Eiró.

Entre os principais obstáculos apontados pelas entidades gestoras estão a fraca adesão da população, mesmo após campanhas de sensibilização, a insuficiência de meios financeiros e humanos e vários constrangimentos operacionais, como dificuldades logísticas, morosidade nos concursos públicos e falta de articulação entre os sistemas de gestão “em alta” e “em baixa”.

No que diz respeito ao financiamento, as EG identificam como principais fontes o POSEUR, o Fundo Ambiental e os apoios comunitários associados ao PERSU 2030. Ainda assim, muitas entidades consideram que os apoios são insuficientes ou chegam tarde, dificultando a implementação dos sistemas de recolha seletiva.