Terça-feira, Julho 21, 2026
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Portugal tem 181 mil milionários e destaca-se na riqueza patrimonial global 

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

Portugal conta com cerca de 181 mil milionários, de acordo com o relatório Global Wealth Report 2026 da Union Bank of Switzerland (UBS), publicado a 30 de junho de 2026. O número corresponde a pessoas com um património líquido superior a um milhão de dólares (cerca de 877 mil euros ao câmbio atual) e coloca o país acima de várias economias de maior dimensão, como a Grécia, a Turquia ou a Polónia. 

Isto significa que cerca de 4% da população adulta do país integra a categoria de milionário, um valor comparável ao de economias tradicionalmente mais ricas, como o Reino Unido ou a França. 

 

Mais bilionários no mundo mas nenhum em Portugal 

O retrato nacional surge num contexto de forte expansão da riqueza mundial. Em 2025, a riqueza pessoal global cresceu 10,8%, o aumento mais elevado dos últimos anos. 

A Europa e o Médio Oriente destacaram-se como as regiões com o maior crescimento, registando uma subida de 17,5%. No total, foram criados quase um milhão de novos milionários, elevando o número global para 57,5 milhões em 56 mercados analisados. 

O segmento dos bilionários também registou uma subida expressiva: há agora 3.302 bilionários no mundo, mais 13,1% do que no ano anterior. 

Apesar do número elevado de milionários, Portugal não surge entre os países com maior concentração de bilionários. Essa posição continua a ser dominada pelos Estados Unidos, China, Índia, Alemanha e Rússia. 

 

Riqueza concentra-se em ativos não financeiros 

Apesar de não integrar o grupo das economias mais ricas em termos de rendimento, Portugal apresenta indicadores patrimoniais relativamente robustos. A riqueza média por adulto é de 195.761 dólares (cerca de 171.800 euros ao câmbio atual), enquanto a riqueza mediana se situa nos 76.978 dólares (aproximadamente 67.500 euros ao câmbio atual). 

A diferença entre estes valores revela uma concentração significativa da riqueza nos escalões superiores da população. 

O relatório da UBS mostra ainda que, entre 2020 e 2025, Portugal registou ainda um crescimento relevante da riqueza média real por adulto, posicionando-se em 24.º lugar a nível mundial, com uma subida até 20%. 

A composição da riqueza das famílias portuguesas ajuda a explicar este perfil. Cerca de 37% da riqueza bruta está aplicada em ativos financeiros, segundo o relatório, enquanto os restantes 63% correspondem a ativos não financeiros, categoria que, na prática, é dominada pelo imobiliário, ainda que o relatório não detalhe a sua composição.  

Estes dados separam Portugal de economias como os Estados Unidos ou a Suíça, onde os ativos financeiros têm um peso muito superior. 

O nível de endividamento também é relativamente contido: a dívida representa cerca de 11,4% da riqueza bruta, um valor baixo em comparação ao panorama internacional. 

 

Desigualdade patrimonial acima da média europeia 

O relatório aponta ainda para uma desigualdade relevante na distribuição da riqueza em Portugal. No índice de Gini da riqueza, que vai entre 0 (significa igualdade máxima) e 1 (que pressupõs desigualdade máxima), Portugal apresenta um valor de 0,61, acima de Espanha (0,57), França (0,57) e Itália (0,54), embora abaixo dos Estados Unidos (0,77). 

Este indicador sugere que o crescimento da riqueza não se distribui de forma homogénea, permanecendo concentrado numa fração reduzida da população. 

 

Rendimentos baixos, mas índice de riqueza elevado 

Segundo dados da OCDE de 2024, o rendimento mediano anual disponível das famílias em Portugal situa-se nos 23,2 mil dólares (cerca de 21,5 mil euros, à taxa de câmbio atual), em paridade de poder de compra (PPP), abaixo da média da OCDE, de 31,7 mil dólares (cerca de 29,3 mil euros), refletindo um nível de rendimento inferior ao verificado na maioria das economias desenvolvidas. 

Isto significa que o caso português revela um paradoxo estrutural: um país com rendimento médio inferior ao das principais economias europeias, mas com uma elevada presença de milionários e um património médio significativo. 

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