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Portugueses demonstram clara aversão ao risco – estudo

Por: Redação


A maioria dos portugueses não investe, seja por falta de poupanças ou por preferência em poupar sem aplicar em produtos financeiros, conclui o Barómetro Hábitos de Investimento dos Portugueses, desenvolvido pelo Doutor Finanças em parceria com o Centro de Estudos Aplicados da Católica-Lisbon. 

Entre os que investem, os produtos mais comuns são os depósitos a prazo, Planos Poupança Reforma (PPR) e certificados de aforro ou Tesouro.

A maior parte dos inquiridos considera-se conservadora ou moderada em relação ao risco, e quase metade já perdeu dinheiro em investimentos, o que reforça a aversão ao risco. Embora muitos conheçam o conceito de diversificação, poucos o aplicam. A banca continua a ser o principal canal de informação e de investimento.

Produtos como ouro/prata (39%), ações (29%) e fundos de investimento (22%) são alternativas consideradas. No entanto, ativos de maior risco, como ETF (14%) e criptomoedas (10%), têm uma presença reduzida, mostrando uma abertura cautelosa a soluções mais voláteis.

Portugueses demonstram uma clara aversão ao risco

O perfil de risco declarado confirma esta tendência: 49% considera-se conservador, 41% moderado e apenas 6% agressivo. Quase metade (48%) detém apenas produtos de capital garantido, o que indica uma baixa tolerância à desvalorização. A experiência passada também contribui para esta prudência: 44% já perdeu dinheiro em investimentos, o que reforça a opção por soluções seguras.

A preocupação com a sustentabilidade (fatores ESG) ainda não é um fator decisivo para a maioria, com apenas 29% a considerá-la, e uma aplicação prática muito limitada. A diversificação de investimentos também é limitada: apesar de 71% conhecer o conceito, apenas 40% o aplica efetivamente.

A banca continua a ser a principal fonte de informação (52%) e o canal de investimento (50%), o que demonstra uma dependência de intermediários institucionais. Contudo, o uso de canais digitais, como aplicações (20%) e plataformas online (17%), está a aumentar, embora com menor expressão. Cerca de 21% dos inquiridos procura também aconselhamento junto de amigos e familiares.

A maioria dos investidores aplica uma percentagem moderada ou baixa do seu rendimento. Um terço (33%) investe entre 5% e 10% do seu rendimento, e 21% aplica mais de 20%, sendo estes últimos maioritariamente homens e pessoas com mais de 65 anos.

O estudo confirma a relação entre o rendimento familiar e a capacidade de investir. Nos escalões de rendimento até 1500€, a maioria aplica menos de 5% do seu rendimento. Acima dos 3000€, 11% investe mais de 20%, indicando uma maior margem para poupança e investimento.

Quanto ao tempo de investimento, 45% dos investidores tem 10 anos ou mais de experiência, sendo estes maioritariamente homens e seniores. 32% investe nos últimos 5 anos, e apenas 16% tem um histórico de investimento entre 5 e 10 anos.

Em termos de frequência, 36% reforça as suas aplicações mensalmente, 24% de forma ocasional, enquanto 15% investe anualmente e 12% trimestralmente.


Maioria dos investidores desconhece produtos em que investe

Apesar de 41% afirmar conhecer bem os produtos em que investe, 37% admite ter apenas noções básicas. Uma minoria significativa toma decisões com base em recomendações de profissionais (7%) ou de familiares e amigos (7%), o que sublinha a importância da educação financeira e do aconselhamento especializado.

“Este estudo é mais uma peça que procura conhecer melhor a realidade financeira dos portugueses. Os principais indicadores demonstram que grande parte dos portugueses ainda não investe, e aqueles que o fazem privilegiam a segurança e a preservação do capital. Para além da literacia financeira, precisamos também de uma injeção de confiança”, afirma Sérgio Cardoso, Chief Education Officer do Doutor Finanças.

O Barómetro de Hábitos Financeiros do Portugueses foi realizado entre 31 de julho e 28 de agosto de 2025, através de inquérito telefónico (CATI) a 701 indivíduos com idades entre os 18 e mais de 65 anos, residentes em Portugal, garantindo representatividade nacional em termos de género, idade, região e escalão socioeconómico.

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