Domingo, Julho 19, 2026
InícioEmpresas“Preparamos o Natal a partir de maio" - Caxamar

“Preparamos o Natal a partir de maio” – Caxamar

Por: Ana Marisa Vieira


À medida que se aproxima o Natal, a procura por bacalhau dispara em Portugal. Na Caxamar, empresa de origem familiar com 36 anos, este período representa cerca de 40% das vendas anuais. A operação para garantir que nada falha na mesa dos portugueses começou em maio. 

A época natalícia representa 40% das vendas da Caxamar (Foto Divulgação Caxamar)


“Preparamos o Natal a partir de maio, assegurando stocks, e intensificamos a produção entre outubro e novembro”, explica João Feteira, diretor comercial e de marketing da empresa à PME Magazine. O bacalhau seco continua a liderar a preferência dos consumidores nesta época, mas é a categoria de demolhado que mais tem crescido.

A empresa, com sede em Ourém, no distrito de Santarém, foi fundada por Manuel Mendes Bastos e Madalena Bastos, com a venda e retalho de bacalhau salgado seco em feiras e mercados, onde usavam a sua casa como armazém para o produto.

Hoje, a liderança do negócio está a cargo de Gonçalo Bastos, filho, acompanhado por uma equipa de 100 colaboradores.


Mudança de hábitos: o consumidor quer rapidez

Nos últimos anos, a maneira como os portugueses passaram a consumir o bacalhau sofreu uma clara alteração, com a opção pelo demolhado, pronto a cozinhar, a ganhar adeptos deixando o seco mais para a época do Natal.

Bacalhau em demolha
O tempo de demolha do bacalhau varia de acordo com a espessura da peça (Foto Divulgação Caxamar)


O fator tempo tornou-se decisivo. “O consumidor quer soluções rápidas, novos cortes, produtos que reduzam tempo de preparação”, explica João Feteira. 

Em vez de uma demolha de três dias, com temperatura de água controlada, o bacalhau demolhado ultracongelado está pronto a cozinhar. Mas e fica mais barato? Quando comparamos uma embalagem de 1 kg de bacalhau salgado seco com 1 kg de bacalhau demolhado ultracongelado, o preço do salgado seco pode ser mais elevado, no entanto, após a demolha, esse produto ganha peso, o que altera o custo real por quilo pronto a cozinhar.

Assim, considerando o rendimento final, ambos tendem a ter um custo muito semelhante por kg, com a diferença de que o salgado seco exige tempo e trabalho adicional por parte do consumidor.


Pressão de preços e instabilidade internacional

A volatilidade do mercado internacional também pesa na fileira. A guerra na Ucrânia e as políticas restritivas no Norte da Europa fizeram disparar o custo da matéria-prima. “O preço aumentou quase 50% nos últimos três anos”, refere o responsável de Marketing da Caxamar, sublinhando que o impacto chega diretamente ao mercado português.

Além do encarecimento, as quotas de pesca continuam a ser um dos maiores desafios. A redução de disponibilidade, aliada à chegada de peixes de menor calibre, complica a capacidade de resposta às exigências dos clientes. “O nosso maior desafio? A matéria-prima”, aponta João Feteira.


Inovação e sustentabilidade: menos desperdício, mais eficiência

Para manter o negócio rentável e sustentável, a Caxamar tem investido em várias frentes de modernização. Na área da embalagem, há um esforço contínuo para recorrer a monomateriais, eliminar revestimentos desnecessários e otimizar o transporte, reduzindo desperdício e impacto ambiental.

Já na logística, a renovação da frota com soluções elétricas está em marcha, numa aposta que a empresa pretende intensificar.

No produto, a adaptação dos cortes ao que o mercado procura tem sido uma prioridade, reforçando o foco em conveniência e diversidade para diferentes perfis de consumidor, em Portugal ou lá fora.

Com cerca de 100 colaboradores, a Caxamar reforçou a presença internacional com a operação no Brasil. Exporta atualmente para 12 países, representando cerca de 16% das vendas. Em 2024, a faturação atingiu os 45 milhões de euros.

PODE GOSTAR DE LER
Continue to the category
PUB

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

NEWSLETTER

PUB
PUB

SUSTENTABILIDADE

Continue to the category