Terça-feira, Julho 21, 2026
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Procura por perfis tecnológicos especializados em Portugal supera oferta 

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira


Os perfis de especialistas em tecnologias de informação continuam entre os mais procurados pelas empresas em Portugal, segundo o Guia Hays 2026, divulgado em fevereiro deste ano. O estudo indica que 23% das organizações preveem recrutar profissionais desta área ao longo de 2026. No entanto, a oferta de talento especializado continua aquém das necessidades do mercado. 

De acordo com o guia, 87% das empresas planeiam contratar no próximo ano, enquanto apenas 67% dos profissionais manifestam intenção de mudar de emprego, evidenciando um desequilíbrio entre a procura e a disponibilidade de mão de obra qualificada. 

Segundo a Hays, em comunicado, a escassez de profissionais é particularmente evidente em áreas como inteligência artificial (IA), cloud computing, cibersegurança e data & analytics, onde a evolução tecnológica continua a superar a disponibilidade de perfis especializados. 

“Portugal continua a afirmar-se como um mercado competitivo para investimento tecnológico. No entanto, o crescimento de áreas como AI, cloud, cybersecurity e data & analytics está a aumentar a pressão sobre a disponibilidade de talento especializado, reforçando a necessidade de investir na atração, retenção e desenvolvimento de competências”, afirma Patrícia Horta, manager da Hays. 

A tendência é corroborada pelo Experis Tech Talent Outlook, que faz previsões para o terceiro trimestre de 2026, haverá uma continuação das intenções de contratação no setor tecnológico. Segundo o estudo, 46% dos empregadores em Tecnologia & Serviços de IT pretendem reforçar as equipas no próximo trimestre, embora o setor apresente um abrandamento do ritmo de contratação face ao trimestre anterior.

 

IA redefine as necessidades de recrutamento 

A crescente adoção de Inteligência Artificial está a alterar o perfil das competências procuradas pelas empresas. Segundo a Hays, esta tecnologia assume um papel central no desenvolvimento de software, nas aplicações empresariais e na área dos dados, permitindo automatizar tarefas, melhorar a qualidade do código, acelerar os ciclos de desenvolvimento e reforçar a capacidade de análise e previsão.

De acordo com os dados do Guia Hays, este contexto está a levar as organizações a reforçarem o investimento em profissionais especializados em AI e machine learning, cloud computing, cybersecurity, data engineering e data & analytics, áreas consideradas estratégicas para a inovação e competitividade. Paralelamente, mantém-se a procura por especialistas em desenvolvimento de software, plataformas empresariais, soluções aplicacionais e infraestruturas tecnológicas. 

 

 

Competências técnicas e comportamentais ganham relevância 

Além do conhecimento técnico, os dados do Guia Hays 2026 revelam que as empresas valorizam cada vez mais competências transversais, como a capacidade de adaptação, o pensamento crítico, a resolução de problemas complexos, a aprendizagem contínua e o trabalho em equipas multidisciplinares. 

Ao mesmo tempo, segundo a Hays, competências em machine learning, arquitetura cloud, engenharia de dados, cibersegurança e desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência Artificial assumem um papel cada vez mais importante nas estratégias de crescimento das organizações. 

Os dados da Experis mostram também que a literacia em Inteligência Artificial é uma das competências mais difíceis de encontrar para 35% dos empregadores portugueses, enquanto 30% referem dificuldades em recrutar profissionais para o desenvolvimento de modelos e aplicações de IA.

 

Escassez de talento reflete-se nos salários 

A elevada procura por profissionais especializados continua também a refletir-se na valorização salarial das funções tecnológicas mais qualificadas. Segundo o Guia Hays 2026, entre os cargos com maior potencial remuneratório encontram-se funções de liderança tecnológica, dados, arquitetura de sistemas e desenvolvimento de software.

Cargos como Head of Software Development ou Chief Technology Officer (CTO) podem atingir remunerações anuais até 260 mil euros em Lisboa e 200 mil euros no Porto. Entre as funções mais valorizadas encontram-se ainda Head of Data & Analytics, IT Director, Data & Analytics Architect, Cloud Architect e AI/ML Engineer, refletindo o peso crescente destas áreas nas estratégias das empresas. 

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