Terça-feira, Agosto 18, 2026
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Produção europeia de vidro de embalagem cai. Indústria alerta para exportações portuguesas

Por: Ana Marisa Vieira


A produção europeia de vidro de embalagem caiu cerca de 10% entre 2022 e 2024, regressando a níveis próximos dos registados durante a crise financeira de 2008-2009. O setor fala num mínimo histórico e alerta para riscos crescentes na competitividade industrial, com impacto potencial nas cadeias exportadoras onde Portugal tem forte presença.

O alerta foi lançado na Cimeira Europeia da Indústria, em Antuérpia, pela Federação Europeia do Vidro de Embalagem (FEVE), que representa mais de 140 fábricas em 21 Estados-Membros. Em Portugal, o setor é representado pela AIVE – Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem, que integra unidades de grupos como BA Glass, Vidrala e Verallia.

Segundo a associação, o aumento dos custos energéticos e dos encargos associados ao carbono está a pressionar a rentabilidade das operações industriais, levando já ao encerramento de fornos e unidades produtivas em vários países europeus e a uma retração do investimento.


Do vinho à cosmética

“A indústria do vidro de embalagem é um pilar essencial da economia e das cadeias exportadoras portuguesas e europeias, do vinho à alimentação e à cosmética. Num contexto de custos energéticos elevados e crescente pressão regulatória, é fundamental assegurar condições de competitividade que permitam às empresas continuar a investir, inovar e criar emprego”, afirma Tiago Moreira da Silva, presidente da AIVE.

A relevância do setor estende-se a toda a cadeia de valor. As embalagens de vidro são críticas para indústrias que representam mais de 140 mil milhões de euros em exportações da União Europeia por ano, cerca de 6% do total europeu, incluindo bebidas espirituosas, alimentação premium, cosmética e farmacêutica.


Perda de competitividade internacional 

No caso português, a dependência é particularmente sensível. O país integra estas cadeias enquanto exportador relevante de vinho, azeite, conservas e outros produtos alimentares de valor acrescentado, podendo uma eventual redução de capacidade produtiva no vidro traduzir-se em aumento de custos e perda de competitividade internacional.

A pressão estrutural resulta sobretudo do diferencial energético face a outras geografias concorrentes e do agravamento dos custos no âmbito do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia (EU ETS).

A atualização prevista dos referenciais de emissões em 2026 poderá elevar significativamente os encargos com CO₂ já no próximo ano, comprometendo investimentos em modernização e descarbonização.

“Não existe uma Europa resiliente, segura ou forte sem uma indústria europeia forte. O setor do vidro de embalagem está empenhado em concretizar as ambições europeias em matéria de clima e economia circular, mas não pode assegurar esta transição sozinho”, afirma Michel Giannuzzi, presidente da FEVE, defendendo redução dos custos energéticos e simplificação regulatória.

A federação apela à adoção de medidas urgentes que reforcem a competitividade industrial europeia, incluindo mecanismos de compensação energética e de carbono, ajustamentos nas políticas de economia circular que evitem sobre-regulação, reforço da defesa comercial face a práticas desleais e incentivos à procura de produtos fabricados na Europa.

O setor do vidro de embalagem emprega diretamente cerca de 50 mil trabalhadores na Europa e sustenta mais de 850 mil empregos ao longo da sua cadeia de valor.

No conjunto, a produção de embalagens de vidro e as indústrias que delas dependem geram um volume de negócios superior a 300 mil milhões de euros, equivalente a cerca de 1% da produção industrial da União Europeia.

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