Profissionalizar não é burocratizar. O mito que trava o crescimento das PME

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Rita Maria Nunes, consultora e estratega, especializada em otimização operacional e gestão financeira em entrevista
Rita Maria Nunes, consultora e estratega, especializada em otimização operacional e gestão financeira (Foto DR)

Por: Ana Marisa Vieira


A ideia de que profissionalizar uma PME é caro, burocrático e reservado a grandes empresas continua a ser um dos principais bloqueios ao crescimento sustentável do tecido empresarial português. A convicção é de Rita Maria Nunes, consultora especializada em otimização operacional e gestão financeira, que alerta para um “mito urbano” que tem travado a evolução de muitos negócios.

 


“Existe quase um mito urbano dentro das empresas de que profissionalizar é demasiado caro”, afirma em entrevista à PME Magazine. Segundo a especialista, esta perceção leva muitos empresários a adiar decisões estruturais por receio de custos elevados ou de uma alegada burocratização do negócio.

Na prática, diz, a profissionalização não implica estruturas pesadas nem processos complexos. “Não estamos a falar de nada disso. Estamos a falar de criar método, criar formas de trabalhar, definir responsabilidades, saber quem faz o quê, quando e a quem responde.”

Em micro e pequenas empresas, esse processo pode começar de forma simples. “Às vezes pode ser apenas conversas informais, desde que sejam rotinas. Depois, quando o negócio começa a crescer, então sim, passa-se isso para o papel.”

Para Rita Maria Nunes, o erro está em associar organização a formalismo excessivo. A ausência de método, essa sim, acaba por ter custos reais como perda de eficiência, duplicação de tarefas, dependência excessiva do dono e dificuldade em escalar.

“A cultura do desenrasca faz com que se resolvam problemas sem nunca estruturar devidamente as bases necessárias para crescer sem estrangular o negócio e o próprio empresário”, sublinha.

A consultora defende que, se as empresas começassem a estruturar processos desde a fase micro, o crescimento seria mais simples e menos traumático. “Se na unidade micro já tivéssemos esta base completa de como fazer as coisas, tornava tudo muito mais fácil depois.”

Num contexto em que as PME representam mais de 99% do tecido empresarial português, desmontar este mito poderá ser um passo decisivo para acelerar a profissionalização, aumentar a competitividade e libertar os líderes do peso excessivo da operação diária.