Segunda-feira, Agosto 17, 2026
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Projeto português com mais de 500 mulheres chega ao Dubai e ao Bahrein 

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

O Executive Tea Club (ETC), comunidade portuguesa de networking feminino que reúne mais de 500 mulheres, iniciou a expansão internacional para o Dubai e ao Bahrein. A estratégia de crescimento inclui também uma nova aplicação móvel. A fundadora, Raquel Mota Pinto, contou à PME Magazine que a rede já deu origem a parcerias, novos negócios e processos de internacionalização de empresas, mas admite que o impacto ainda é difícil de medir. 

Criado em junho de 2023, o Executive Tea Club, presente nos distritos de Lisboa, Porto e Aveiro, começou com apenas 28 integrantes, reunindo agora 538 mulheres. Raquel Mota Pinto afirma, em declarações à PME Magazine, que cerca de 88% das participantes são empresárias e 12% ocupam cargos executivos, sendo que uma parte significativa desenvolve a sua atividade em pequenas e médias empresas. 

A partir da base nacional, o clube começou agora a desenvolver a sua presença internacional no Dubai e em Bahrein, através da replicação do modelo por embaixadoras do projeto que ajudam a construir redes locias. 

A comunidade reúne profissionais de setores como tecnologia, finanças, saúde, comunicação, educação, turismo, hotelaria, imobiliário e indústrias criativas. Para a fundadora, o perfil das participantes reflete também o peso das PME no tecido empresarial português. 

O objetivo, contudo, não passa apenas por criar contactos profissionais. “O verdadeiro foco da comunidade está na criação de relações autênticas e de confiança”, explica Raquel Mota Pinto. A empresária defende que o networking deve funcionar como uma consequência dessas relações e não como uma obrigação de gerar negócios. 

 

Negócios e parcerias surgem, mas é difícil quantificar impacto 

Ao longo dos três anos de atividade, a fundadora do ETC identifica vários resultados para as empresas associados às ligações criadas entre as participantes. Entre eles estão a contratação de serviços, recomendações profissionais, convites para palestras, colaboração em eventos, projetos editoriais, parcerias comerciais e contactos com novos mercados”. 

Ainda assim, o projeto não dispõe, neste momento, de uma contabilização sistemática destes resultados. A própria fundadora reconhece que o modelo da comunidade não foi pensado para medir o número de contratos ou o valor dos negócios gerados. 

“Não precisamos de conhecer todos os detalhes para reconhecer que existe impacto”, afirma Raquel Mota Pinto, que considera que o valor da rede também está em resultados menos facilmente quantificáveis, como o reforço da confiança, a partilha de conhecimento ou a evolução profissional das participantes. 

Entre os exemplos apontados pela fundadora está o apoio ao projeto MIRA – Made in Riba d’Ave, ligado à Fundação Narciso Ferreira, que recupera os conhecimentos e técnicas de antigas costureiras do Vale do Ave. A comunidade também realça a parceria com a Infusões com História. “A colaboração ultrapassou a relação tradicional entre fornecedor e cliente. Originou experiências sensoriais, produtos de edição limitada, harmonizações gastronómicas e novas formas de apresentar o chá português em ambientes de hotelaria, cultura e luxo”, explica Raquel Mota Pinto. 

Raquel Mota Pinto, fundadora do Executive Tea Club
Raquel Mota Pinto, fundadora do Executive Tea Club (Foto Divulgação)

A fundadora refere ainda casos de contratação de serviços entre membros em áreas como comunicação, consultoria, contabilidade, advocacia, tecnologia e desenvolvimento de marcas. 

Apesar de já identificar casos de novos negócios, parcerias e internacionalização, a comunidade admite que precisa de estruturar melhor a recolha destes resultados. 

“O objetivo é demonstrar, com indicadores concretos, que o networking com alma pode gerar não apenas boas conversas, mas também negócios, crescimento, visibilidade, emprego, inovação e impacto social”, conclui a fundadora. 

 

Dubai e Bahrein são os primeiros passos fora de Portugal 

A expansão internacional é outro dos resultados associados à rede, e começou pelo Dubai e por Bahrein. O ETC vê nestes mercados uma oportunidade para aproximar empresárias portuguesas de líderes estabelecidas no Médio Oriente, apoiar processos de internacionalização e criar novas parcerias. 

“Não se trata apenas de levar uma marca portuguesa para outros mercados. Trata-se de levar uma história, um legado e uma forma de criar relações através da elegância, da escuta e da influência subtil”, afirma a fundadora. 

A presença nestes países é apoiada por mulheres com conhecimento dos mercados locais. “Estas ligações permitiram testar a adaptação cultural da marca, estabelecer contactos locais e abrir caminhos para futuras parcerias e oportunidades de internacionalização”, diz ainda Raquel Mota Pinto. 

 

App pretende aproximar membros 

A estratégia de crescimento inclui também uma aplicação móvel, lançada recentemente para reforçar a ligação entre as participantes. A plataforma, de acordo com a fundadora, permite conhecer áreas de especialidade, interesses e objetivos das integrantes e tem como objetivo manter as relações criadas nos encontros presenciais. A ferramenta deverá também facilitar o contacto entre mulheres de diferentes regiões a nível nacional e internacional. 

Reunião do Executive Tea Club
Reunião do Executive Tea Club (Foto Divulgação)

No entanto, ainda não existem dados suficientes para avaliar o impacto da aplicação. “Como foi lançada há três semanas, os dados de utilização são ainda algo prematuros”, reconhece Raquel Mota Pinto. 

A responsável sublinha que a App não foi pensada como uma ferramenta de prospeção comercial ou de controlo dos resultados gerados pela comunidade, mas como uma extensão digital da rede. 

 

Liderança feminina continua marcada por obstáculos estruturais 

A expansão do ETC surge num contexto ainda marcado por dificuldades. “Apesar da evolução registada, continuam a existir obstáculos estruturais, culturais e relacionais à progressão das mulheres para cargos de liderança” salienta a fundadora do projeto. 

Entre os principais desafios identificados pela fundadora estão a desigual distribuição das responsabilidades familiares. “Muitas mulheres continuam a acumular funções profissionais exigentes com uma responsabilidade desproporcionada na gestão da família, dos filhos, dos familiares dependentes e da organização doméstica”, explica.  

“Esta realidade limita a disponibilidade para aceitar cargos de maior exposição, participar em redes profissionais ou investir de forma continuada no desenvolvimento da carreira”, acrescenta ainda. 

É também identificada uma menor presença das mulheres em redes informais de influência. “Quando as mulheres não estão representadas nesses espaços, ficam mais afastadas da informação, das oportunidades e dos processos de decisão”, considera. 

Raquel Mota Pinto aponta ainda uma dimensão menos visível: a dificuldade de algumas profissionais em comunicar o seu valor, negociar condições ou assumir publicamente a ambição profissional. 

É neste contexto que o clube procura atuar. “O Executive Tea Club procura contribuir para que as mulheres não tenham de escolher entre competência e sensibilidade, autoridade e humanidade, ambição e propósito”, afirma a fundadora. 

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