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“Queremos ser a aplicação a que os jovens recorrem para conhecer pessoas” – Fomo

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira

A Fomo é uma aplicação portuguesa criada para ajudar os utilizadores a descobrir novos espaços para sair e a perceber, em tempo real, onde estão os seus amigos e como estão determinados locais. A empresa nasceu em novembro de 2024, a partir de uma ideia de Mateus Zanatti e Martim Bello, que na altura tinham 23 anos. Os jovens identificarem uma dificuldade comum: encontrar um novo sítio para ir beber um copo sem depender apenas das redes sociais ou de recomendações.

A primeira versão da aplicação procurava responder precisamente a esse problema, mostrando como estavam os espaços num determinado momento. Desde o lançamento, a Fomo já passou por três grandes alterações, à medida que a equipa foi identificando formas de reduzir o atrito na utilização e de tornar a experiência mais relevante. Atualmente, a empresa é formada por quatro jovens, todos com 25 anos.

Com cerca de 5.500 downloads e 5.000 utilizadores registados, a Fomo pretende chegar aos 10.000 utilizadores até ao final do ano, apostando nas redes sociais, em parcerias estratégicas e numa maior aproximação ao meio universitário.

Em entrevista à PME Magazine, Mateus Zanatti, cofundador da Fomo, explica como nasceu a aplicação, os desafios de fazer crescer uma plataforma dependente da sua comunidade de utilizadores e a estratégia para conquistar novos públicos.

 

PME Magazine (PME Mag.) – Quando e como nasceu a Fomo? Que lacuna identificaram no mercado e que problema procuraram resolver com a criação da aplicação?

Mateus Zanatti, cofundador da Fomo – A FOMO nasceu por volta de novembro de 2024, de uma conversa entre mim e o Martim Bello, que esteve envolvido no projeto na fase inicial e a quem devemos muito da ideia original. A conversa era simples: “porque é que continua a ser tão difícil descobrir um sítio novo para ir beber um copo?”.

Toda a gente acaba por voltar aos mesmos três ou quatro sítios, porque arriscar num sítio desconhecido, sem qualquer prova social, custa uma noite estragada.  O Instagram era o único mecanismo que ajudava, e ajuda pouco: só se percebe como foi a noite num sítio depois de ela já ter acontecido, e muitas vezes os melhores sítios nem sequer aparecem nas redes.

A primeira versão da FOMO nasce daí, com a ideia de mostrar em tempo real como estavam os sítios.

A equipa foi-se formando à volta desta ideia, quase sempre por via de amigos que se conheciam e que traziam alguma coisa que nos faltava. Foi o caso da Inês, que saiu há pouco tempo mas a quem devemos a maioria do UI/UX que a aplicação tem hoje. Neste momento somos só três: eu, o Lourenço e o Vasco, cada um com as suas expertise.

 

PME Mag. – Qual foi o investimento inicial necessário para desenvolver e lançar a app? Já obtiveram retorno?

Pouco. Para além dos custos de constituição da empresa, foi preciso pagar as subscrições das app stores e pouco mais. O background técnico da equipa ajudou: montámos a aplicação de forma a ser barata de manter e candidatámo-nos ao programa de startups da Amazon Web Services, que nos deu 10.000 dólares em créditos para a nossa infraestrutura. Da Google recebemos mais 2.000 dólares, que usámos no setup de emails e noutras ferramentas.

Retorno ainda não temos, mas também porque ainda não montámos nenhum sistema de receita. Em aplicações de consumo é um tema sensível. Enquanto não tivermos uma base de utilizadores sólida, não queremos afugentar pessoas com publicidade de qualquer tipo. Dito isto, é um assunto que está em cima da mesa e em que atualmente trabalhamos ativamente.

Lourenço e Vasco, colaboradores da Fomo, e Mateus Zanatti, co-fundador da empresa (Foto Divulgação)

 

PME Mag. – Que evolução teve a Fomo desde o lançamento? Quantos utilizadores tem atualmente, quantos downloads e/ou acessos regista e como têm evoluído estes números ao longo dos últimos meses? Que crescimento registaram em 2025 e em 2026?

Nos primeiros dias tivemos cerca de 100 utilizadores. Desde aí passámos por várias fases e já fizemos três grandes alterações à aplicação, sempre que detectamos pontos fracos ou mecanismos que criavam demasiado atrito para quem a usava. O crescimento não tem sido constante, longe disso. Nas últimas semanas, por exemplo, ganhámos sem dificuldade 1.500 utilizadores ou mais.

Estamos à volta dos 5500 downloads e 5.000 utilizadores registados, ou seja, pessoas que criaram o seu perfil na Fomo. A evolução tem sido feita aos saltos, muito ligada aos lançamentos de novas versões. As últimas semanas foram as melhores até hoje – 600 novos utilizadores semanais nas últimas 3 semanas. O objetivo torna-se outro: garantir que continuam a usar a aplicação.

Em 2025 ganhámos cerca de 1.800 utilizadores. Em 2026 vamos em cerca de 3.000, muito por causa da nova versão da Fomo, a das sondagens, que se revelou bastante mais interessante para quem a usa.

“As redes sociais torna-se uma resposta óbvia. (…) Várias vezes, [as pessoas] ficam-se apenas pelo headline – e foi exatamente isso que explorámos.”

 

PME Mag. – Qual tem sido a estratégia de marketing da Fomo para chegar ao público-alvo? A aposta está sobretudo nas redes sociais ou recorrem também a outros canais? Existe atualmente alguém dedicado exclusivamente à área de marketing e comunicação?

A estratégia é um desafio interessante – como alcançar o máximo número de pessoas, com um budget que, arredondado aos cêntimos, ficaria muito próximo de 0.00€? 

As redes sociais torna-se uma resposta óbvia. Através de muita pesquisa, percebemos que as pessoas consomem muitas notícias nas redes sociais. Várias vezes, ficam-se apenas pelo headline – e foi exatamente isso que explorámos.

Num misto de “fake news” e “ragebait”, simulámos entrevistas ao nosso co-fundador – Lourenço Castelão, o Criativo responsável pela estratégia da Fomo – numa versão escrita. Estas entrevistas são divididas em 2 imagens, publicadas no Instagram. A primeira é uma opinião forte sobre um certo assunto, com o objetivo do leitor queres saber mais. Quando faz swipe, depara-se com a segunda quote, que é uma conclusão disparatada que reverte para a nossa app. Deixo aqui um exemplo vencedor:

  1. Esta geração está perdida. Só quer saber de beber copos com amigos. Precisam de ajuda.

2. Para ajudar, criámos uma app para saberem onde se bebe copos com os amigos. Chama-se Fomo.

Para além disto, planeamos fazer uma série de vídeos ao longo das semanas que mostrem o nosso progresso, os nossos updates e as dificuldades que temos. Acreditamos que esta transparência é um passo importante para uma relação próxima com os nossos utilizadores.

“O que realmente aumenta a qualidade de experiência é uma só coisa: o número de utilizadores.”

 

PME Mag. – Sendo uma empresa ainda numa fase inicial, quais têm sido os principais desafios para fazer crescer a Fomo e conquistar utilizadores? Que estratégias estão a desenvolver para aumentar a notoriedade da aplicação e chegar a novos públicos e mercados?

Apesar de estarmos constantemente a pensar como melhorar a aplicação através de novas features e versões, a Fomo já tem a qualidade necessária para servir o seu propósito. O que realmente aumenta a qualidade de experiência é uma só coisa: o número de utilizadores.

A verdade é que não deixamos de ser uma aplicação dependente de utilizadores. Quantas mais pessoas participarem nas nossas sondagens, mais insights temos sobre “onde devo ir hoje?”. O principal desafio é alcançar possíveis utilizadores de forma cost-efficient.

A estratégia está assente em redes sociais, parcerias estratégicas com objetivo de conversão e parcerias estratégicas com objetivo de notoriedade.

Dando exemplos concretos, uma parceria com um quiosque em que “Se instalares Fomo, recebes uma cerveja grátis” é uma parceria de conversão. Há uma recompensa óbvia em instalar a aplicação.

No entanto, uma parceria com a organização de um evento – que nos disponibiliza espaços para colocarmos pósters e fazermos conteúdos – é uma parceria de notoriedade. Permite-nos alcançar um melhor público, mesmo que seja só de raspão. Aqui o objetivo não é apenas alcance – é frequência. Quantas mais vezes a marca Fomo aparecer na cabeça das pessoas, mais perto (ou mais longe, se estiverem fartas) estão de instalar a aplicação.

O próximo objetivo é estabelecer parcerias universitárias – para todos os caloiros, alunos deslocados, estrangeiros ou colegas sem um grupo definido se encontrarem em hot spots universitários, onde conhecem futuros amigos que partilham a mesma fase de vida, as mesmas dificuldades e –  se tudo correr bem – alguns dos mesmos gostos.

“A Fomo não quer substituir o contacto presencial, quer ser a ponte para o primeiro contacto entre pessoas (…)”.

 

PME Mag. – Qual é a visão da Fomo para os próximos anos? Que objetivos têm definidos para a aplicação em termos de utilizadores, expansão e funcionalidades?

Queremos ser a aplicação a que os jovens recorrem para conhecer pessoas que de outra forma nunca conheceriam, por nunca experimentarem sítios novos. É um defeito que reconhecemos em nós próprios e na nossa geração: temos mais receio de arriscar em algo completamente novo, e isso é mal visto pelas gerações mais velhas.

Mas também somos uma geração habituada a decidir com base em provas e em dados, porque nunca foi tão fácil obtê-los. Basta perguntar a um ChatGPT e a resposta aparece, coisa que antes não acontecia. A descoberta social pode adaptar-se a isso. A Fomo não quer substituir o contacto presencial, quer ser a ponte para o primeiro contacto entre pessoas e para experiências que de outra forma ficariam por fazer.

Em números, gostávamos muito de chegar aos 10.000 utilizadores até ao final do ano. Sentimos que existe bastante procura no meio estudantil (especificamente universidades) por uma aplicação como a nossa e achamos que pode crescer de forma substancial. As funcionalidades vão ser ditadas pelo que os utilizadores nos mostrarem querer e, claro, pela nossa veia criativa.

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