Terça-feira, Agosto 18, 2026
InícioCarreiras“Quiet Thriving” ganha força em Portugal: profissionais preferem crescer dentro das empresas

“Quiet Thriving” ganha força em Portugal: profissionais preferem crescer dentro das empresas

Por: Ana Marisa Vieira

O mercado de trabalho em Portugal está a dar sinais de uma nova tendência: o chamado “Quiet Thriving”. Ao contrário do “Quiet Quitting”, este fenómeno reflete uma postura mais proativa, com os profissionais a privilegiarem o crescimento interno, assumindo novos desafios e reforçando o seu envolvimento nas organizações.

De acordo com o Guia Hays 2026, 63% dos profissionais afirma estar satisfeito com o seu trabalho e 56% prefere permanecer na empresa, mesmo perante desafios. O dado sugere uma maior estabilidade e uma mudança de prioridades na gestão de carreira.

“O mercado está a enviar um sinal claro: os profissionais já não procuram apenas o próximo passo, mas um percurso com sentido”, afirma Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal. A responsável destaca o peso crescente de fatores como ambiente de trabalho, confiança nas lideranças e oportunidades de desenvolvimento interno.

Benefícios e cultura organizacional ganham peso

O estudo evidencia uma evolução nas prioridades dos profissionais. Depois de asseguradas as condições salariais, ganham relevância fatores como benefícios e rendimento estável (42%), segurança no emprego (41%) e ambiente de trabalho e relações internas (33%).

Também o equilíbrio entre vida pessoal e profissional (33%), o gosto pela função (32%) e as oportunidades de crescimento (25%) influenciam a decisão de permanência.

Na atração de talento, há algum alinhamento entre empresas e profissionais, embora não total. As organizações destacam o pacote de benefícios (57%), o ambiente de trabalho (52%) e a natureza da função (31%). Já os profissionais valorizam sobretudo benefícios (63%), ambiente (56%) e projetos desafiantes (47%).

Retenção passa por proposta de valor integrada

A tendência “Quiet Thriving” representa uma oportunidade estratégica para as empresas reforçarem a retenção de talento. Ao apostar no desenvolvimento interno, as organizações conseguem aumentar o compromisso dos colaboradores, reduzir a rotatividade e melhorar a produtividade.

Além disso, o talento interno apresenta uma vantagem competitiva: já conhece a cultura e os processos da empresa, permitindo uma adaptação mais rápida face a novas contratações.

Paula Baptista sublinha que “a retenção passa cada vez mais por uma proposta de valor consistente e por uma liderança próxima”, defendendo que as empresas devem combinar benefícios competitivos, ambiente positivo e oportunidades reais de desenvolvimento para responder às expectativas dos profissionais.

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