Recrutar em Portugal: o desafio de atrair talento com verdade e confiança

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Cinco pessoas sentadas num processo de recrutamento
As PME enfrentam dificuldades reais para atrair e reter as pessoas certas - não por falta de talento, mas por falta de alinhamento entre o que se oferece e o que se procura (Foto Canva)

Nuno Feijoca, Responsável de Expansão e Crescimento da TAB

Nuno Feijoca
Responsável de Expansão e Crescimento da TAB

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Recrutar bem é mais do que preencher uma vaga – é construir o futuro da empresa. Neste artigo, partilho a minha experiência em grandes grupos e o que tenho aprendido ao apoiar PME em Portugal. Vamos explorar os principais desafios do recrutamento hoje: desde a importância da cultura organizacional, à clareza na proposta de valor, aos modelos de trabalho e à relação de confiança entre empresa e candidato. Mais do que respostas, deixo perguntas para reflexão – porque cada empresa tem o seu caminho.

O recrutamento mudou – e Portugal também!

O mercado de trabalho em Portugal está em transformação. A competição por talento é global, mas os desafios são locais. As PME enfrentam dificuldades reais para atrair e reter as pessoas certas – não por falta de talento, mas por falta de alinhamento entre o que se oferece e o que se procura.

Mas o que podemos aprender com quem já tem processos mais maduros?


O que aprendi nas grandes empresas

Tive o privilégio de liderar equipas e processos de recrutamento em grupos multinacionais e, nessas organizações, o recrutamento é estratégico: há clareza na proposta de valor, processos bem definidos e investimento em employer branding. Mas o que realmente faz a diferença é a coerência entre o que se comunica e o que se vive internamente.
E quando olhamos para a realidade das PME, o cenário é bem diferente.


O que falta às PME?

Nas pequenas e médias empresas, o recrutamento é muitas vezes reativo. Falta tempo, estrutura e, sobretudo, uma proposta clara de valor para o colaborador. Mas o maior desafio é outro: a falta de confiança e transparência na relação entre empresa e candidato.


A informação vem de dentro

O verdadeiro employer branding não está num vídeo bonito ou num post no LinkedIn com fotos dos líderes em grande destaque. Está, sim, na forma como os colaboradores falam da empresa, como vivem os seus valores e como acolhem os novos colegas. A informação mais poderosa vem de dentro – e é essa autenticidade que atrai talento.

A cultura organizacional é, ao final do dia, a forma como todos fazem as coisas e respondem aos desafios. Como todos sabem, a célebre frase ‘a cultura come a estratégia ao pequeno-almoço’ destaca a importância da cultura no sucesso de qualquer organização. Uma cultura forte e alinhada atrai e retém talento, e é essa autenticidade que faz a diferença no recrutamento.

Outro fator que influencia diretamente o sucesso do recrutamento é o modelo de trabalho adotado.


Modelos de trabalho

Hoje, as empresas enfrentam a escolha entre modelos de trabalho híbrido, 100% presencial ou 100% remoto. A chave é ajustar-se à verdadeira necessidade dos colaboradores, promovendo o equilíbrio entre vida e trabalho. Em Portugal, temos realidades díspares: empresários que não têm confiança nas suas equipas e obrigam a 100% presencial, e empresas multinacionais que operam 100% remoto, onde alguns colaboradores sentem falta do contato real. Uma coisa é certa: a maioria das empresas já tem tecnologia para modelos mistos. Como é que a sua empresa está a lidar com esta questão?


Do lado do candidato: Assertividade e Clareza

O candidato ideal não é apenas competente – é alguém que sabe o que quer da sua carreira e entende o valor que pode acrescentar à função. A assertividade, neste contexto, é uma forma de respeito: para consigo próprio e para com a empresa.

A oferta certa: Desafio + Evolução

Uma boa proposta de recrutamento não se resume a salário e benefícios. Tem de incluir um desafio realista e uma perspetiva clara de evolução profissional. As pessoas querem crescer – e querem saber que estão a entrar num projeto com futuro.


As minhas sugestões para as PME:

1. Seja transparente: diga o que a empresa é – e o que ainda não é.
2. Valorize a cultura interna: ela é o seu maior trunfo.
3. Escute o candidato: entenda o que ele procura, não apenas o que oferece.
4. Pense a longo prazo: recrutar é investir numa relação, não preencher uma vaga.

No fundo, tudo se resume a uma relação de troca e de Co-contrução – e é aí que está a chave!


Conclusão: Recrutar é Relacionar!

No final, o recrutamento é uma troca de valor. A empresa oferece um projeto, uma cultura, uma oportunidade. O candidato oferece talento, energia e compromisso. Quando essa troca é feita com verdade e confiança, o resultado é mais do que uma contratação – é o início de uma relação duradoura.

 

 

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