Terça-feira, Agosto 18, 2026
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Renováveis garantem dois terços da eletricidade produzida em Portugal em outubro

Por: Redação


Em outubro, 66% da eletricidade produzida em Portugal Continental teve origem em fontes renováveis, totalizando 2 242 GWh. Os dados constam do Boletim Eletricidade Renovável da APREN, que revela ainda uma redução de 9,9% na produção nacional face ao mesmo período de 2024, resultado da menor geração hídrica e eólica.

No acumulado de janeiro a outubro, Portugal reforçou a sua posição entre os líderes europeus, com 75,2% da eletricidade produzida a partir de fontes limpas, o que coloca o país no 4.º lugar do ranking europeu, apenas atrás de Noruega, Dinamarca e Áustria. Em outubro, o desempenho português (66%) superou o de mercados como Alemanha (63,2%), Espanha (50%), Itália (34,2%) e França (26,3%).

Poupanças de mais de 137 milhões num mês

Entre janeiro e outubro, o preço médio horário no MIBEL foi de 65,6 €/MWh, registando-se 1 266 horas de produção 100% renovável. O contributo destas fontes gerou uma poupança acumulada de 6 301 milhões de euros, impulsionada pela produção em regime especial.

Só no mês de outubro, as renováveis permitiram evitar 66 milhões de euros em importação de gás natural, 11 milhões de euros em eletricidade importada e 60 milhões de euros em licenças de emissão de CO₂ — um total superior a 137 milhões de euros.

Para Pedro Amaral Jorge, CEO da APREN, os números confirmam o papel estratégico das energias renováveis no país.

“Portugal tem demonstrado que é possível crescer economicamente reduzindo emissões. As tecnologias limpas tornaram-se mais competitivas, seguras e acessíveis. Agora é essencial garantir um quadro político e regulatório que mantenha o investimento e acelere a transição para um sistema 100% renovável”, afirmou.


Contribuição para a economia e alertas sobre fiscalidade

A APREN sublinha que o setor renovável já tem impacto estrutural na economia, apoiando diretamente as finanças públicas e as autarquias. Entre os contributos estão o financiamento da tarifa social de energia e a entrega de 2,5% da faturação dos parques eólicos aos municípios.

A associação alerta, porém, que qualquer agravamento fiscal sobre os ativos renováveis seria “um retrocesso” face às metas de descarbonização e poderia desincentivar investimento num setor essencial para a redução da fatura energética nacional.

Desde 2015, Portugal aumentou em 9 272 MW a capacidade instalada de produção renovável — um crescimento de 75,5%. Entre dezembro de 2024 e setembro de 2025, o aumento foi de 777 MW, com destaque para a energia solar fotovoltaica, que cresceu +356 MW na componente centralizada e +418 MW na descentralizada.

No final de setembro, as renováveis representavam 78,7% da capacidade total instalada no país.

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