Terça-feira, Agosto 18, 2026
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“Sem destruição criativa, uma empresa antiga dominaria todo o mercado” – Professor André Silva

Por: Ana Vieira

Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt venceram o Nobel da Economia 2025 por explicarem o crescimento económico impulsionado pela inovação, na sua teoria do “crescimento sustentado através da destruição criativa”.

Num enquadramento da temática à PME Magazine, o Professor André Silva, da Nova SBE, destaca a importância da “destruição criativa” e o consequente papel das PME no crescimento económico a longo prazo.


O salto histórico do crescimento económico

Segundo André Silva, Professor Associado na Nova School of Business and Economics, o contributo dos laureados foi compreender “como o mundo passou de zero crescimento para crescimento positivo e sustentado”.

“Tomamos como natural taxas de crescimento de 2% ao ano. No entanto, até cerca do ano 1700, o crescimento per capita era praticamente nulo. Uma inovação tecnológica melhorava temporariamente a vida das pessoas, mas logo o crescimento voltava a zero”, explica o economista.

A grande viragem, sublinha André Silva, deu-se com a Revolução Industrial, quando a adoção sistemática de novas tecnologias começou a gerar ganhos permanentes de produtividade, alavancado pelo abandono de tecnologias antigas, a chamada “destruição criativa.

Lições para as PME: inovação como escolha estratégica

As teorias dos três laureados têm implicações diretas para o tecido empresarial.

“A primeira lição é que inovação é obtida com a decisão das pessoas. E é através das empresas que as decisões de inovação são transformadas em produtos”, afirma André Silva.

Segundo o professor da Nova SBE, a inovação é essencial para o crescimento a longo prazo, mas exige também preparação para competir num mercado em constante mudança.

“As empresas devem estar prontas para adotar novas tecnologias e abandonar as antigas. O processo de crescimento económico é também um processo de substituição.”

Por outro lado, as pequenas e médias empresas podem ter uma vantagem importante nesse contexto.

“(…) antes de serem amplamente adotadas, as novas tecnologias devem ser testadas em menor escala. Isso faz das pequenas e médias empresas especialmente adequadas para a inovação. O caminho natural é que pequenas e médias empresas inovem e que possam se tornar grandes empresas”.


Destruição criativa: ameaça ou oportunidade?

O conceito de “destruição criativa”, introduzido originalmente por Schumpeter e desenvolvido por Aghion e Howitt, descreve o ciclo em que novas tecnologias substituem as antigas, impulsionando o progresso económico.

Pode parecer uma ameaça, “mas é uma oportunidade”, garante André Silva. “Sem destruição criativa, uma empresa antiga dominaria todo o mercado. A possibilidade de inovação abre espaço para que novas empresas entrem no mercado. Pequenas e médias empresas podem competir com grandes empresas ao trazerem novos produtos, novas tecnologias, ou novas formas de negócio”.

Metade do prémio foi atribuída a Joel Mokyr, da Northwestern University (EUA), “por ter identificado os pré-requisitos para um crescimento sustentado através do progresso tecnológico”. A outra metade foi partilhada entre Philippe Aghion, do Collège de France, INSEAD e London School of Economics, e Peter Howitt, da Brown University (EUA), “pela teoria do crescimento sustentado através da destruição criativa”.

O Prémio de Ciências Económicas é formalmente conhecido como o Prémio do Banco da Suécia em Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel. O valor do prémio é igual ao dos Prémios Nobel e é pago pelo Riksbank.

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