Terça-feira, Julho 21, 2026
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Sintra voltou a receber Fórum do Banco Central Europeu

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Vieira


A edição de 2026 do ECB Forum on Central Banking decorreu entre 29 de junho e 1 de julho, no Penha Longa Resort, em Sintra, sob o tema Shaping Europe’s future: innovation, growth and stability”A escolha desta cidade como local do encontro mantém-se desde a primeira edição, em 2014, sendo justificada pelo BCE com fatores como acessibilidade, requisitos técnicos e condições logísticas. 

Realizado anualmente pelo Banco Central Europeu, o Fórum reúne governadores de bancos centrais, economistas e académicos para debater os principais desafios que irão moldar o crescimento, a inovação e a estabilidade da economia europeia.  

Nas últimas edições a inflação e a subida das taxas de juro dominaram os debates, mas este ano o programa reflete uma mudança nas preocupações dos bancos centrais. A presidente do BCE, Christine Lagarde, abriu o Fórum esta segunda-feira, 29 de junho, com um apelo a uma política monetária mais adaptável num contexto internacional marcado pela incerteza. 

“Voltámos ao essencial num ambiente de incerteza”, afirmou a presidente no discurso de abertura, sublinhando que os últimos anos demonstraram a capacidade do BCE para responder a sucessivas crises, desde a pandemia aos choques energéticos e inflacionistas. 

Christine Lagarde salientou que a economia europeia é hoje “mais resiliente” do que há alguns anos, o que permite ao banco central responder de forma mais ponderada a futuras pressões inflacionistas. Acrescentou ainda que as decisões de política monetária são hoje tomadas “reunião a reunião”, com base na evolução dos dados económicos. 

Discurso de abertura do Fórum do BCE, de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, em Sintra, a 29 de junho de 2026 (Foto Divulgação)


Inovação, inteligência artificial e migração dominam agenda
 

Ao longo dos três dias do encontro, o Fórum do BCE reuniu governadores de bancos centrais, investigadores e académicos para discutir alguns dos principais desafios que poderão moldar a economia europeia na próxima década. 

A primeira sessão do dia 30 de junho foi dedicada ao crescimento económico europeu e à produtividade, sob o tema Accelerating growth in Europe: innovation versus diffusion”. Os participantes debateram formas de a Europa acelerar o crescimento através da inovação, garantindo ao mesmo tempo que o conhecimento e as novas tecnologias chegam de forma mais rápida às empresas e à economia.  

A inteligência artificial teve também um papel central nesta edição. O painel “Artificial intelligence and financial stability” reuniu representantes do Fundo Monetário Internacional, do Banco de Inglaterra, da Universidade da Pensilvânia e da gestora Apollo Global Management para discutir os riscos e oportunidades da IA para o sistema financeiro. 

Ainda nesse dia, o economista-chefe da OpenAI, Aaron Chatterji, conversou com Philip Lane, economista-chefe do BCE, sobre o impacto da inteligência artificial na economia e nas políticas públicas. 

No último dia do Fórum, esta terça-feira, o debate centrou-se na demografia e na transformação digital da economia. Na sessão “Migration: implications for productivity and growth in Europe”, foi analisado o impacto da imigração na produtividade, no mercado de trabalho e no crescimento económico dos países europeus. 

Seguiu-se o painel “Europe’s role in the new global trade landscape”, que reuniu economistas da OCDE, da Comissão Europeia e de outras instituições internacionais para discutir a posição da União Europeia num contexto de crescente fragmentação do comércio global e de tensões geopolíticas. 

O encontro terminou com o tradicional Painel de Política Monetária, que juntou Christine Lagarde, Andrew Bailey (Banco de Inglaterra), Tiff Macklem (Banco do Canadá) e Kevin Warsh (Reserva Federal dos EUA), numa discussão sobre os desafios atuais da política monetária e as perspetivas para a economia global. 

Além dos debates, o BCE promoveu ainda o Young Economist Prize, que distingue estudantes de doutoramento em Economia ou Finanças e lhes permite apresentar investigação durante o Fórum, com um prémio de 10 mil euros. As principais sessões foram transmitidas em direto e ficam posteriormente disponíveis no site e no canal oficial do BCE no YouTube. 

 

As instalações do Fórum do BCE em Sintra, a 28 de junho de 2026 (Foto Divulgação)


Um encontro que nasceu em Portugal
 

O Fórum do BCE realiza-se em Sintra desde 2014, quando foi criado por iniciativa do então presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, pouco depois de Portugal ter concluído o programa de assistência financeira internacional (a troika). Desde então, o Penha Longa Resort tornou-se a sede habitual do encontro.  

Em declarações à PME Magazine, Eszter Miltényi-Torstensson, Deputy Head of Newsroom do BCE, explicou a escolha deste espaço: 

“A localização foi escolhida entre várias opções com base em critérios como acessibilidade e requisitos técnicos. Atualmente, Sintra tornou-se o símbolo da conferência global emblemática do BCE, que acolhe cerca de 150 académicos, decisores políticos, participantes de mercado e jornalistas. Estamos gratos pela hospitalidade portuguesa que experienciamos ano após ano.” 

Apenas as edições de 2020 e 2021 não decorreram presencialmente em Sintra, devido à pandemia de covid-19, tendo sido realizadas em formato virtual. O regresso ao modelo presencial aconteceu em 2022, mantendo Portugal como anfitrião permanente do evento. 

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