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Startup Portugal quer aumentar peso das startups para 5% do PIB até 2036

Por: Ana Marisa Vieira

A Startup Portugal assinalou dez anos de atividade com a apresentação, esta quinta-feira, de um manifesto que define os objetivos estratégicos para a próxima década. Entre as principais ambições está aumentar o contributo das startups para a economia nacional, dos atuais cerca de 1% para 5% do PIB português até 2036.

Apresentado no Clube Ferroviário, em Lisboa, o manifesto estabelece dez compromissos para o desenvolvimento do ecossistema empreendedor, incluindo o reforço da igualdade de oportunidades, a melhoria das condições para investidores e a afirmação de Portugal na definição das políticas europeias para o empreendedorismo.

“A próxima [década] será dedicada a provar que Portugal pode ser um país onde nascem, crescem e permanecem empresas globais”, afirma Alexandre Santos, presidente da Startup Portugal.

A organização pretende também criar condições para acolher em Portugal pelo menos um evento de empreendedorismo de referência mundial e reforçar o reconhecimento público das startups nacionais.


Mais de cinco mil startups ativas

Criada em 2016, no contexto da Estratégia Nacional para o Empreendedorismo e no ano da primeira Web Summit em Portugal, a Startup Portugal acompanhou a evolução do ecossistema através de programas de apoio, iniciativas de internacionalização e instrumentos de ligação entre empreendedores, investidores, incubadoras, universidades e entidades públicas.

Atualmente, Portugal conta com 5.091 startups ativas, responsáveis por mais de 28 mil postos de trabalho. Estas empresas geram 2.856 milhões de euros em receitas, cerca de 1% do PIB nacional, e 1.571 milhões de euros em exportações. Os salários praticados são, segundo os dados divulgados pela organização, 81% superiores à média nacional.

Entre os marcos da última década está a aprovação da Lei das Startups, em 2023, e o lançamento do Tech Foundry Portugal – Deep Tech Edition, destinado a equipas científicas e tecnológicas que procuram transformar investigação em negócios.

A Startup Portugal destaca ainda a existência de oito unicórnios com ADN português, a participação de mais de 320 empresas em eventos internacionais através do programa Business Abroad e o apoio a mais de mil startups através do Road 2 Web Summit.


Investimento e desenvolvimento do ecossistema

No âmbito do Startup Voucher e dos Vales de Incubação, a entidade apoiou 808 projetos empreendedores, num investimento superior a 31,4 milhões de euros.

A rede nacional de incubadoras é também apontada como um elemento central no apoio à criação, aceleração e internacionalização de empresas.

Em 2026, a terceira edição da SIM Conference reuniu mais de 4.000 participantes e intervenientes do ecossistema empreendedor, incluindo mais de 100 startups nacionais e 270 investidores.

Para Miguel d’Aguiar, diretor executivo da Startup Portugal, a próxima década deverá centrar-se na criação de condições para que as empresas existentes cresçam e assumam um peso maior na economia portuguesa.

“Os próximos dez anos devem servir para dar um novo passo: criar as condições para que as empresas que já existem se expandam e se tornem uma parte mais relevante da economia portuguesa”, afirma.

O manifesto apresentado pela Startup Portugal define, assim, uma agenda para o crescimento do ecossistema, com foco na escala das empresas, na competitividade, no investimento e na afirmação internacional do empreendedorismo português.

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