Terça-feira, Julho 21, 2026
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Startup Portugal quer triplicar número de startups e colocar o país no top 5 europeu

Por: Ana Marisa Vieira


Portugal tem atualmente mais de 5000 startups, mas o objetivo passa por triplicar esse número e reforçar a posição do país entre os ecossistemas mais competitivos da Europa. A meta foi assumida por Alexandre Santos, presidente da Startup Portugal, durante uma entrevista ao podcast Founder Tales publicada no dia 24 de maio.

Segundo o responsável, Portugal reúne condições para aumentar significativamente o número de empresas tecnológicas de elevado crescimento e gerar mais casos de sucesso internacional.

“Porque é que não temos 15 mil startups? Porque é que não aumentamos ainda mais a probabilidade de ter mais unicórnios e impactar materialmente o nosso país?”, questionou o responsável aos entrevistadores Diogo Malafaya & Álvaro Samagaio.

A ambição da Startup Portugal passa também por colocar Portugal entre os cinco países mais atrativos da Europa para criar e desenvolver startups.

Sete unicórnios para uma economia de pequena dimensão

Alexandre Santos destaca que Portugal já apresenta indicadores acima da média internacional em algumas métricas relevantes do empreendedorismo tecnológico.

O país conta atualmente com sete unicórnios, empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares, com ADN português, um número que considera particularmente expressivo quando comparado com a dimensão da economia nacional.

“Estamos cinco vezes acima do que seria esperado para a nossa dimensão”, afirmou o presidente da Startup Portugal.

O responsável sublinha ainda que as startups portuguesas pagam salários, em média, cerca de 30% superiores à média nacional, contribuindo para a criação de emprego qualificado e para a retenção de talento.

Falta investimento nas fases iniciais

Apesar da evolução do ecossistema, Alexandre Santos identifica uma falha de mercado no financiamento das empresas em fase pré-seed, quando os projetos ainda estão numa fase muito inicial.

“Há pouco volume de dinheiro disponível para aqueles primeiros cheques”, afirmou.

Na sua perspetiva, a solução passa por mobilizar mais capital privado, nomeadamente através de business angels, complementado por mecanismos públicos de cofinanciamento.

O presidente da Startup Portugal considera que o investimento em startups gera um efeito multiplicador relevante na economia portuguesa e defende uma maior aposta em instrumentos que acelerem o crescimento das empresas inovadoras.

Lei das Startups abriu caminho a novos incentivos

Um dos marcos recentes do ecossistema foi a criação da Lei das Startups, que permitiu distinguir legalmente startups, scaleups e PME.

Uma diferenciação fundamental, considera, para desenvolver políticas públicas específicas para empresas de elevado potencial de crescimento.

Entre as medidas já implementadas destaca-se o regime fiscal aplicável às stock options, mas o responsável considera que existe margem para introduzir novos incentivos.

“Agora conseguimos identificar formalmente o que é uma startup e construir benefícios específicos para estas empresas”, explicou.

Inteligência artificial está a democratizar o empreendedorismo

A inteligência artificial poderá acelerar ainda mais a criação de novas empresas tecnológicas.

Segundo Alexandre Santos, as novas ferramentas estão a reduzir barreiras de entrada e a permitir que equipas muito pequenas criem produtos globais com recursos limitados.

“Estamos numa mega vaga tecnológica que torna muito mais fácil criar coisas”, afirmou.

Contudo, alerta para o aumento da concorrência e do ruído no mercado, numa altura em que cada vez mais projetos conseguem chegar rapidamente aos clientes.

Já entre as medidas que gostaria de ver implementadas, o presidente da estrutura aponta a necessidade de criar incentivos ao reinvestimento dos lucros empresariais.

O responsável considera que o atual sistema fiscal não recompensa suficientemente as empresas que optam por reinvestir em inovação, tecnologia ou expansão da atividade.

“Não damos qualquer benefício a empresas que decidem investir mais”, afirmou.

Para o presidente da Startup Portugal, promover o reinvestimento poderá ser uma das formas mais eficazes de acelerar o crescimento das empresas nacionais e aumentar a competitividade da economia portuguesa.

“Acho que esta é uma das indústrias que mais rapidamente pode produzir resultados para o país e mudar o futuro da economia portuguesa”, concluiu.

 

 

 

Founder Tales é um podcast sobre empreendedorismo com histórias reais, lições concretas, sem filtros. A PME Magazine é parceira de media.

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