Terça-feira, Julho 21, 2026
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Startup portuguesa cria lâmpada que deteta crises de epilepsia

Por: Ana Marisa Vieira


A startup portuguesa Lampsy Health está a preparar a entrada no mercado, em agosto, de um dispositivo inovador para monitorização de epilepsia que assume a forma de uma lâmpada de mesa equipada com câmara e inteligência computacional. A solução foi desenvolvida para detetar movimentos anómalos que possam indicar crises epiléticas e alertar automaticamente familiares ou cuidadores.


Segundo Vicente Mayer Garção, fundador da Lampsy Health, no podcast Founder Tales, a tecnologia surgiu a partir de um projeto académico desenvolvido em parceria com o Hospital de Santa Maria e pretende responder a um problema crítico: cerca de 86% das crises noturnas passam despercebidas.

“O objetivo é detetar rapidamente potenciais crises e permitir uma intervenção imediata dos cuidadores”, explicou durante o podcast sobre empreendedorismo em português, apresentado por Diogo Malafaya e Álvaro Samagaio, publicado no dia 1 de junho. 


Alternativa aos wearables

Ao contrário da maioria das soluções existentes no mercado, que recorrem a pulseiras ou outros dispositivos usados no corpo, a Lampsy apostou num equipamento discreto e integrado no ambiente doméstico.

A decisão resultou de vários estudos com utilizadores. De acordo com o fundador, muitas pessoas com epilepsia, sobretudo crianças e pessoas com sensibilidades sensoriais, têm dificuldade em utilizar wearables de forma contínua. A isso soma-se o estigma social associado à doença.

“Queríamos passar dos wearables para os invisibles”, afirmou o fundador.

A solução funciona através de uma câmara equipada com visão noturna e processamento local dos dados, dispensando o envio permanente de imagens para a cloud.

Privacidade no centro da tecnologia

A privacidade foi uma das preocupações centrais do desenvolvimento do produto. Todo o processamento é realizado localmente no dispositivo e existe um modo de privacidade que elimina automaticamente as imagens após análise.

A empresa garante que os utilizadores podem controlar o acesso remoto ao vídeo e recorrer a uma proteção física da câmara quando desejarem.

Entrada no mercado prevista para agosto

A Lampsy prevê iniciar as primeiras vendas já em agosto, após concluir o processo de certificação como dispositivo médico de Classe I.

O modelo de negócio passa pela recomendação do equipamento por médicos e especialistas, podendo posteriormente ser adquirido pelos utilizadores ou financiado por seguradoras.

Além do mercado de consumo, a startup está também a explorar oportunidades junto da indústria farmacêutica, nomeadamente em ensaios clínicos para epilepsia, onde a recolha rigorosa de dados sobre crises continua a representar um desafio.

Menos falsos alarmes

Um dos principais argumentos da empresa é a redução significativa dos falsos alarmes, um dos fatores que mais contribui para o abandono de sistemas de monitorização.

Segundo dados apresentados pela startup, os testes realizados com cerca de 200 pacientes e mais de 9.000 horas de monitorização indicam uma taxa média de apenas um falso alarme a cada 90 noites.

A empresa afirma ainda alcançar taxas de deteção superiores a 95%, contribuindo para aumentar a confiança dos utilizadores no sistema.

Apoio europeu e expansão internacional

Recentemente, a Lampsy foi selecionada para o programa EIC Pre-Accelerator, iniciativa do European Innovation Council que atribui um financiamento de 150 mil euros e facilita o acesso a futuras rondas de investimento europeu.

A startup pretende utilizar estes recursos para reforçar a validação clínica da tecnologia e acelerar a expansão internacional.

A estratégia passa por lançar primeiro o produto em mercados europeus, incluindo Portugal, Alemanha, França, Espanha e Reino Unido, antes de avançar para os Estados Unidos, onde a empresa prevê obter aprovação da FDA.

Cinco mil interessados em lista de espera

Antes mesmo do lançamento comercial, a Lampsy Health já reuniu uma lista de espera com cerca de 5.000 potenciais utilizadores.

A startup portuguesa mantém também parcerias com hospitais portugueses especializados em epilepsia e está a expandir a sua rede de colaboração internacional.

Com origem num projeto universitário e após vários anos de investigação, a startup portuguesa acredita que a monitorização contínua e discreta poderá tornar-se uma ferramenta essencial para melhorar a qualidade de vida das pessoas com epilepsia e das suas famílias.

 

 

 

Founder Tales é um podcast sobre empreendedorismo com histórias reais, lições concretas, sem filtros. A PME Magazine é parceira de media.

 
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