Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Sucesso Vs Fracasso

Por: Rui Machado, Performance mental e consciência 

Será o fracasso o oposto do sucesso?

Durante alguns anos pensei que, ao fracassar, estava a ir na direção errada para ter sucesso (seja o que sucesso for para cada um de nós). Acho até que a cultura portuguesa, seja organizacional ou individual, vai muito no sentido de: “se falhar neste projeto ou negócio, não volto a tentar, não sirvo para isto.”

Os povos mediterrâneos são mais emocionais e, como tal, expressam as suas emoções de forma diferente de outros povos. Enquanto um português expressa que “está tudo mal”, “sou mal pago”, “o País está cheio de corruptos”, outros povos tendem a ver as coisas de forma mais racional e, nas mesmas condições ou até menos boas, dizem um simples “está tudo bem”. Talvez por isso vejamos tantas sondagens em que a perceção de Portugal está tão negativa, mas depois vemos tantos estrageiros, com capacidade financeira, a querer vir morar no nosso País. Deixo a reflexão, seremos assim tão maus quanto verbalizamos?

Voltando ao assunto principal deste artigo, em certo momento da minha vida tive uma epifania relativamente a este tema. Percebi que o fracasso está no caminho para o sucesso, que quando tentas e falhas, estás mais perto do sucesso. Errar ou fracassar não te impedem de ter sucesso, mas pelo contrário, levam-te até ele.

Então qual é afinal o oposto do sucesso? A inação!

Rui, mas porque é que fracassar nos bloqueia tanto?

Quando tentamos algo e falhamos, dói. O Ser Humano é avesso à dor, então, se dói, tendemos a ficar quietos, paralisamos! Se inicialmente eu pensava no fracasso como oposto do sucesso, agora vejo que era a inação (que vinha da dor de falhar), que não me permitia avançar na direção que queria. Sabendo isto permite-me agora agir. Mesmo falhando, verifico como posso fazer diferente e continuar a agir, até atingir o objetivo/resultado que quero. O fracasso não é definitivo. Quando analisas e voltas a tentar, ele vai levar-te ao sucesso.

Noutras ocasiões, a nossa mente diz-nos que estamos a fazer algo, e tentamos enganar-nos que estamos a caminhar para o resultado, quando na realidade estamos quietos. A nossa mente existe para nos proteger e, acredita, ela vai proteger-te! É bom termos consciência que vamos, tendencialmente, evitar a dor. Logo, se falhar nos causa dor, e acreditamos que devemos fugir dela ou evitá-la, o viés de confirmação, que nos leva a “ver” aquilo que queremos ver, a “ouvir” aquilo que queremos ouvir, confirmando as nossas próprias opiniões e crenças, mesmo que essas sejam incorretas ou baseadas em pouca evidência, vai distorcer o que, de facto, é real.

As crenças ajudam-nos a compreender o que nos rodeia de uma forma rápida e eficiente, uma vez que não conseguimos processar toda a informação que nos chega em pormenor. É aquilo a que chamamos uma heurística mental, um atalho que utilizamos para nos ajudar a processar o nosso ambiente. Vamos imaginar que entramos num novo espaço onde vemos várias superfícies com quatro pernas cada. Reconhecemos os objetos imediatamente como cadeiras. Não precisamos de contar as pernas ou sentir a superfície para nos certificarmos de que nos podemos sentar nas cadeiras. Simplesmente “sabemos” com base em experiências anteriores.

A dissonância cognitiva (quando a informação que temos não coincide com o que acreditamos), pode ser invocada para nos ajudar a alinhar conflitos internos. Aqui um exemplo seria, uma pessoa que sabe que o fracasso é um caminho para o sucesso, mas continua a evitar falhar.

Acredito que a inação, que é o oposto ao sucesso, vem de crenças que nos bloqueiam ou nos fazem acreditar que estamos a agir. Por isso proponho que se procurem informações e pensamentos positivos, ou novos, para ajudar a alterar as nossas crenças.

Podemos mudar crenças em pequenos incrementos enquanto o cérebro tenta manter a coerência lógica do sistema de crenças. As crenças interagem e sobrepõem-se, coadunam-se logicamente umas com as outras. Quando uma crença precisa de ser atualizada, podemos fazer uma mudança, mas a mais pequena possível, que nos permita manter a coerência. No entanto, se a nova informação for clara e convincente, estas pequenas alterações são estáveis. À medida que introduzimos mais provas novas, as crenças podem mudar cada vez mais. Estas pequenas alterações tendem a ser permanentes e persistentes.

Podemos olhar o fracasso como aquele amigo que nos bate no ombro e nos alerta de que algo merece a nossa atenção. Não porque devamos desistir, mas para perceber se faz sentido continuar, e, nesse caso, como podemos voltar a tentar de forma diferente até atingirmos o sucesso.

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