Sexta-feira, Agosto 14, 2026
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Tempestades: Prejuízos deverão ultrapassar 500 milhões de euros, estimam seguradoras

Por: Ana Marisa Vieira


Os prejuízos cobertos por seguros na sequência do comboio de tempestades que atingiu Portugal entre 27 de janeiro e 13 de fevereiro deverão superar os 500 milhões de euros, de acordo com uma estimativa avançada pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), com base num inquérito realizado junto das empresas associadas.

Até dia 16 de fevereiro, foram registadas mais de 115 mil participações de sinistros. Apesar de ainda serem esperadas novas comunicações e de o processo de avaliação de danos estar em curso, o valor agregado já pago ou provisionado ascende a 360 milhões de euros.


Habitação e empresas concentram maiores indemnizações

Do total de sinistros participados, cerca de 90 mil dizem respeito a seguros de habitação, 11 mil a atividades comerciais e industriais e nove mil a seguros automóvel.

Em termos de montantes já pagos ou provisionados, a reparação e recuperação de habitações representa 170 milhões de euros, seguida da recuperação de empresas e comércios, com 150 milhões de euros. As indemnizações relativas ao seguro automóvel somam, até ao momento, 24 milhões de euros.

O dia 2 de fevereiro foi o que registou maior número de participações, com cerca de 11 mil ocorrências. A média diária ronda as cinco mil participações.

Geograficamente, o distrito de Leiria destaca-se com mais de 50 mil sinistros, seguido de Santarém, Lisboa e Coimbra, cada um com cerca de 12 a 13 mil participações.


Processos de regularização em fase avançada

Segundo a APS, que representa mais de 99% do mercador segurador nacional, mais de 80% dos sinistros já se encontram em fase adiantada de regularização ou encerrados.

Entre os sinistros participados há mais de 15 dias, essa percentagem sobe para 88%. Cerca de 29% destes já deram origem ao pagamento total ou parcial das indemnizações devidas.

As seguradoras mantêm em vigor medidas de agilização e simplificação de procedimentos, bem como equipas dedicadas à gestão destes processos.

A associação alerta, contudo, para o persistente défice de proteção através de seguros em Portugal, sublinhando que esta lacuna tende a prolongar os prazos de recuperação após eventos de natureza catastrófica.

As empresas do setor defendem a criação de um sistema integrado e articulado entre o Estado e as seguradoras para proteção em caso de catástrofes naturais.

A Associação Portuguesa de Seguradores deverá divulgar uma nova atualização nos próximos dias, à medida que o apuramento de prejuízos avance.

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