Sábado, Julho 11, 2026
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“Trabalhamos cada vez mais com marcas premium que escolhem o Vale do Ave para as suas produções” – IVN Indústria

Por: Ana Marisa Vieira


A indústria têxtil portuguesa continua a afirmar-se nos mercados internacionais através da inovação, da sustentabilidade e da especialização técnica. Entre as empresas que têm contribuído para esta evolução está a IVN Indústria, empresa do Vale do Ave especializada em lavandaria, tinturaria e acabamentos para o setor denim.

Com uma faturação de 6,6 milhões de euros em 2025 e uma equipa de 142 colaboradores, a empresa tem reforçado a sua presença junto de marcas premium da Europa e da América do Norte, apostando simultaneamente em tecnologia, investigação e desenvolvimento e processos produtivos mais sustentáveis. A participação na Denim Première Vision, em Milão, insere-se nesta estratégia de crescimento e internacionalização.

Num setor em profunda transformação, marcado pela crescente exigência ambiental e pela adoção de tecnologias como o laser, o ozono, a automação e a inteligência artificial, a IVN Indústria tem investido na modernização das operações e no reforço das competências técnicas das suas equipas. 

Em entrevista à PME Magazine, João Martins, administrador da IVN Indústria, explica o impacto da sustentabilidade na indústria denim, analisa os desafios da internacionalização e revela como a tecnologia e o conhecimento especializado estão a redefinir o futuro do setor têxtil português.

PME Magazine (PME Mag.) – A presença da IVN Indústria na Denim Première Vision, em Milão, marca mais um passo na estratégia de internacionalização. Qual é a importância estratégica da Denim Première Vision para a IVN?

João Martins, administrador da IVN Indústria – A presença em feiras internacionais dá-nos a possibilidade de dar a conhecer a nossa empresa e os seus serviços às marcas internacionais. O objetivo último é que estas nos escolham como empresa de referência nas áreas da lavandaria, tinturaria e acabamentos.

Cada vez mais, as marcas definem elas próprias a cadeia de fornecedores que opera nas diferentes fases da produção, assegurando assim o controlo total da cadeia de abastecimento. É muito importante que nos conheçam e que nos escolham, numa lógica de parceria e de desenvolvimento de uma relação de confiança.



PME Mag. – Que mercados internacionais estão atualmente a crescer mais para a empresa?

Trabalhamos cada vez mais com marcas premium que escolhem o Vale do Ave para as suas produções. São oriundas principalmente da Europa e da América do Norte. França, Reino Unido, Escandinávia e Estados Unidos são os principais mercados.

Existe também uma oportunidade interessante de desenvolvimento no mercado canadiano, beneficiando do acordo CETA, que estabelece um regime de isenção de direitos aduaneiros (duty-free).



PME Mag. – Como evoluiu a sustentabilidade no setor denim nos últimos anos? Quais são os vossos principais fornecedores de matéria prima?

A sustentabilidade tem evoluído imenso. Um bom exemplo é a redução em mais de 50% das relações de banho (litros de água consumidos por quilograma de tecido) utilizadas nas lavagens e nos tingimentos. Ao usar menos água, consumimos menos energia e reduzimos a utilização de produtos químicos.

Também os processos produtivos têm evoluído no sentido da adoção de tecnologias mais amigas do ambiente, como as máquinas de ozono e os lasers, hoje amplamente utilizados. Destaca-se ainda a reutilização da água no processo produtivo e a utilização de energia solar, através do investimento em painéis fotovoltaicos.

Esta evolução rumo à sustentabilidade é hoje decisiva, não só pela redução da pegada ecológica, mas também pela diminuição dos custos operacionais. Trata-se de um pilar muito relevante da nossa estratégia.

Em relação à matéria-prima, no nosso caso maioritariamente tecidos denim, mantemos relações sólidas e de longa data com os principais players do mercado. Abastecemo-nos sobretudo na Turquia e em Itália.



PME Mag. – Que impacto tiveram tecnologias como o laser e o ozono na operação da IVN Indústria? Quais são hoje os maiores desafios ambientais da indústria?

Com a utilização destas tecnologias, passámos a recorrer a processos que permitem reduzir significativamente a nossa pegada ambiental.

No caso do ozono, verifica-se a substituição dos tradicionais processos de branqueamento e clareamento dos tecidos, que recorrem a produtos químicos e a múltiplas lavagens, por um processo que não utiliza água e que permite obter o desgaste dos tecidos através da utilização de ozono. Após a sua utilização, o ozono converte-se em oxigénio, não deixando quaisquer resíduos.

Já o laser permite gravar diretamente os efeitos de desgaste no tecido. Neste processo, mais uma vez, conseguimos uma grande poupança no consumo de água, que pode chegar aos 100%, e, consequentemente, na utilização de produtos químicos.

Estas tecnologias são bons exemplos da evolução da indústria para processos com menor impacto ambiental e, simultaneamente, mais viáveis do ponto de vista económico.



PME Mag. – Com laboratório próprio de I&D e equipas especializadas em engenharia têxtil, a IVN Indústria acredita que o conhecimento técnico é hoje o principal fator diferenciador da indústria portuguesa face à concorrência internacional. Como evoluiu a tecnologia aplicada aos acabamentos têxteis?

A IVN definiu três pilares principais de investimento: renovação do parque de máquinas, melhoria dos processos internos e formação das equipas. A formação contínua e a exposição das equipas aos mais recentes desenvolvimentos técnicos são aspetos prioritários.

A evolução tecnológica tem seguido uma orientação clara: reduzir a pegada ecológica da indústria. Já referimos anteriormente o ozono e os lasers, mas também ao nível dos produtos químicos se têm registado evoluções relevantes. Igualmente importante é a evolução ao nível dos processos e do design.

Quando desenha as peças, o estilista procura alcançar um determinado look. Parte da evolução passa por conseguir atingir esse resultado minimizando o número de operações necessárias. Neste processo, a nossa equipa de I&D, apoiada por todo o seu know-how técnico, assume um papel fundamental.



PME Mag. – A transformação digital está a redefinir a indústria têxtil e a IVN Indústria acredita que tecnologias como inteligência artificial, automação e análise de dados terão um papel central na próxima fase de evolução do setor. Que investimentos tecnológicos estão previstos para os próximos anos? E como imagina a indústria denim daqui a 10 anos?

Todas as tecnologias que refere já fazem hoje parte da nossa indústria. Continuarão a evoluir a um ritmo cada vez mais acelerado, pelo que teremos de manter um investimento constante.

A médio e longo prazo, espero que Portugal consiga afirmar-se como o principal destino europeu para a produção das marcas premium e de luxo.

Essa é a grande oportunidade, mas também o grande desafio que temos pela frente. Para o superar, será necessário estreitar a colaboração entre todos os intervenientes da cadeia de valor.

Espero igualmente que, apoiadas por todo este know-how acumulado, surjam marcas portuguesas capazes de se afirmar internacionalmente.

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