Terça-feira, Agosto 18, 2026
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Trabalhar em 2026: menos rigidez, mais propósito. O talento escolhe onde quer estar

Por: Redação

A Michael Page, empresa de recrutamento, apresentou o seu mais recente estudo sobre as tendências do mercado de trabalho português para 2026, centrado nos quadros médios e superiores de grandes empresas.

De acordo com o relatório, a evolução do mercado será marcada por transformações estruturais impulsionadas por alterações regulatórias, maior transparência salarial e o impacto crescente da inteligência artificial (IA).

A reforma laboral, o foco na sustentabilidade e a necessidade de adaptação digital deverão continuar a moldar a forma como as empresas atraem, gerem e retêm talento.

“Num contexto laboral marcado pela instabilidade a vários níveis, os profissionais assumem um papel cada vez mais ativo na definição do seu percurso, valorizando não apenas o salário, mas também flexibilidade, desenvolvimento e propósito”, afirma Álvaro Fernández, diretor-geral da Michael Page.


Principais tendências para o trabalhador e empresa

O estudo destaca que a atração e retenção de talento permanecem os maiores desafios das organizações. Os profissionais procuram modelos híbridos, progressão de carreira e benefícios extrassalariais ajustados ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Do lado das empresas, cresce a aposta em políticas de gestão de pessoas inovadoras e planos de compensação flexíveis, que combinem competitividade salarial e cultura organizacional forte.

A integração da IA e o uso estratégico de dados surgem como fatores-chave em praticamente todos os setores, exigindo perfis mais analíticos, multidisciplinares e tecnologicamente competentes. As funções de business intelligence, data analysis, cibersegurança e automação são apontadas entre as mais procuradas para 2026.


Diretor financeiro pode receber até 160 mil euros/ano

No setor financeiro, a pressão regulatória e a necessidade de controlo reforçam a procura por perfis de risco, compliance e controlo interno, bem como especialistas em transformação digital e automação. A remuneração mantém-se estável, com os cargos de Diretor Financeiro a poder atingir os 160 mil euros anuais.

Em engenharia e indústria, a recuperação é visível, impulsionada pelos investimentos em energia, automação e sustentabilidade. A falta de talento técnico continua a ser crítica, com destaque para engenheiros de processo, gestores de produção e especialistas em digitalização industrial.

O setor tecnológico (IT) continua a crescer, embora enfrente desequilíbrios entre oferta e procura. Candidatos com competências em cloud, IA, machine learning e cibersegurança são os mais valorizados, com funções como Chief Technology Officer a poder ultrapassar os 140 mil euros anuais.

Na área de Recursos Humanos, observa-se uma transformação cultural profunda. Os departamentos de RH assumem um papel estratégico na competitividade empresarial, com foco em benefícios flexíveis, bem-estar e equilíbrio trabalho-vida pessoal, apontado como o fator mais valorizado por 62% dos profissionais.

O setor da hotelaria e turismo mantém-se como um dos motores da economia, reforçando o foco na experiência do cliente, digitalização e sustentabilidade. Cargos de topo, como Diretor de Hotel, podem chegar aos 105 mil euros anuais.

Já o retalho enfrenta uma fase de adaptação, marcada pela expansão do online, pela procura de perfis estratégicos e pelo desafio da rotatividade. O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal surge como prioridade para metade dos profissionais do setor.


Soft skills em ascenção

O estudo aponta ainda para uma maior valorização das soft skills, como empatia, comunicação e capacidade de adaptação — competências essenciais num mercado volátil e tecnológico. Profissionais que aliam visão estratégica e domínio digital serão os mais procurados.

Portugal continua a destacar-se como hub de talento qualificado a nível internacional, com o crescimento de centros de serviços partilhados e de hubs financeiros e tecnológicos, que reforçam o papel do país no contexto europeu.

O estudo da Michael Page 2026 resulta da análise de dados de mercado, entrevistas com candidatos e clientes e observação direta de 16 setores de atividade, incluindo Banking, IT, Engenharia, Saúde, Retalho, Indústria, Recursos Humanos e Marketing.

As conclusões refletem um mercado cada vez mais exigente, em que as competências técnicas e humanas andam lado a lado, e onde a inovação, flexibilidade e propósito serão determinantes para o sucesso das organizações.

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