InícioEmpresasUE quer acelerar licenciamentos e reduzir burocracia para empresas

UE quer acelerar licenciamentos e reduzir burocracia para empresas

Por: Daniela Felício com Ana Marisa Veira

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou esta quarta-feira, 16 de setembro, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o seu discurso anual sobre o Estado da União. A intervenção define as principais prioridades e iniciativas da Comissão Europeia para o ano seguinte. A competitividade das empresas e a redução da burocracia assumiram particular destaque, com várias medidas que poderão ter impacto na atividade das PME.

Uma das iniciativas anunciadas passa por uma proposta para acelerar os processos de licenciamento. A medida surge integrada nas prioridades da Comissão para a competitividade e o emprego e consta também da carta de intenções apresentada por von der Leyen.

Durante o discurso, a presidente da Comissão Europeia defendeu a necessidade de tornar a atividade empresarial “mais simples e rápida”.

A Comissão identificou ainda a simplificação administrativa como uma das áreas prioritárias para reforçar a competitividade europeia. Entre as iniciativas previstas estão, além da aceleração dos licenciamentos, um pacote de simplificação para o setor bancário e outro para os transportes.

Anunciado pacto contra o gold-plating

Outro dos pontos destacados por von der Leyen prende-se com a redução da carga administrativa que recai sobre as empresas, em particular as de menor dimensão.

A presidente da Comissão Europeia defendeu que as regras europeias devem ser aplicadas de forma mais simples e sem que os Estados-Membros acrescentem exigências nacionais desnecessárias.

A intenção passa por avançar com um “pacto contra o gold-plating”, de forma a evitar que a implementação nacional da legislação europeia crie encargos adicionais para as empresas.

A Comissão Europeia tem vindo a apresentar vários pacotes omnibus de simplificação. Segundo os dados apresentados por von der Leyen no discurso, estas medidas deverão representar uma redução da carga administrativa na ordem dos 17 mil milhões de euros por ano.

Energia continua entre as prioridades

A energia foi outro dos temas abordados no discurso, num contexto em que os custos energéticos continuam a ser apontados pela Comissão Europeia como um dos fatores que condicionam a competitividade da indústria europeia.

Von der Leyen defendeu a necessidade de reforçar a produção e utilização de eletricidade, bem como de acelerar o desenvolvimento das redes e das infraestruturas de armazenamento.

A Comissão Europeia tem atualmente um Affordable Energy Action Plan, que inclui medidas destinadas a reduzir os custos energéticos, completar a União da Energia, atrair investimento e preparar a UE para eventuais crises energéticas. Entre as áreas identificadas está também a simplificação dos processos de licenciamento.

No discurso desta quarta-feira, a presidente da Comissão relacionou ainda o reforço da capacidade energética europeia com a competitividade das empresas.

Para as empresas, a questão energética mantém-se particularmente relevante, uma vez que a Comissão Europeia considera a redução dos custos de energia e o reforço da capacidade de investimento condições para melhorar a competitividade europeia.

O discurso do Estado da União de 2026 apresenta, assim, uma agenda centrada na competitividade, simplificação e redução de dependências estratégicas. Entre as iniciativas formalmente apresentadas pela Comissão estão ainda uma nova estratégia de diversificação e uma European Corporation on Critical Raw Materials, destinada a reforçar o acesso europeu a matérias-primas críticas.

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