Terça-feira, Julho 21, 2026
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Uma cultura de proximidade com impacto social

Por: Ana Sofia Pardalejo, Head of People Management na askblue

Há uma coisa que aprendi a fazer nos últimos anos: ouvir. Falo sobre ouvir de verdade, com paciência, sem agenda e sem a pressa de chegar à solução.

Em meados de 2025, um grupo de colaboradoras da askblue juntou-se à PWN Lisbon (Professional Women’s Network). Desde o início que  todas queríamos um espaço para pensar em conjunto e para partilhar experiências fora do ritmo acelerado do dia a dia dos nossos projetos e clientes. Por isso, não queríamos apenas a adesão a uma rede profissional de mulheres mas sim algo mais real

Não houve nenhuma decisão estratégica que ditasse esse caminho. Houve, sim, conversas e reuniões em que as pessoas falavam abertamente sobre o que sentiam e sobre como viam o mundo. Foi com uma dessas conversas que surgiu a pergunta que nos pôs todas a pensar: qual vai ser a nossa causa? Que impacto queremos criar na sociedade?

O tema da violência doméstica estava na mesa.  Não foi um mero acaso, porque estava também nas notícias, nos números, na vida de pessoas que conhecemos ou de histórias que ouvimos. Com isto, decidimos que não queríamos ficar à margem e entrámos em contacto com a APAV – Associação de Apoio à Vítima. A partir daí, começámos a construir uma parceria e, devagar, o que era uma simples ideia tornou-se num projeto que teve, e está a ter, impacto real na sociedade.

Este caminho que percorremos diz algo importante sobre o papel social das empresas, principalmente as pequenas e médias. Há uma tendência para pensarmos que o compromisso social é um território onde só há espaço para as grandes organizações, com departamentos de responsabilidade social e verbas anuais específicas para esse efeito. Não é verdade. Na minha opinião, talvez seja até o contrário: as estruturas mais pequenas têm uma proximidade com as pessoas que as maiores raramente conseguem.

Nestas situações, o que não funciona é quando as causas sociais chegam de cima para baixo, já escolhidas, já embaladas, à espera de validação e de implementação. As pessoas sentem a diferença e sabem quando estão a participar em algo real e quando estão a cumprir um guião previamente definido, só para agradar.

No nosso caso, a causa nasceu fruto do pensamento das próprias pessoas (e de nos ouvirmos uns aos outros). A empresa criou condições, acompanhou e amplificou. E é essa a parte que me parece mais difícil de replicar sem uma cultura de base que a suporte. É importante ter um ambiente onde as pessoas confiam, e sentem, que as suas ideias têm espaço e que não vão ser ignoradas na próxima reunião de resultados ou de planeamento de ações internas e externas.

A parceria com a PWN Lisbon trouxe-nos também isso: acesso a mentorias, a encontros temáticos, a uma rede de profissionais que pensam sobre estas questões com seriedade. Mas o que mais ficou foi a consciência de que uma empresa pode ser um lugar onde se constroem coisas que vão além da empresa, que acrescentam valor à sociedade.

As empresas, independentemente da sua dimensão, não devem fugir à sua responsabilidade social, sendo que esse posicionamento deve ser um reflexo da cultura organizacional, dos valores e da visão das suas pessoas. Essa cultura é construída através da proximidade, das conversas, dos brainstormings e das parcerias que se desenvolvem.




Parceria PME Magazine/PWN Lisbon 
Este artigo faz parte de uma parceria editorial estabelecida entre a PME Magazine e a PWN Lisbon (Professional Women’s Network).

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