Segunda-feira, Agosto 17, 2026
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Zona Livre Tecnológica de Aveiro quer acelerar inovação e atrair empresas deep tech

Por: Ana Marisa Vieira

 

A Zona Livre Tecnológica (ZLT) de Aveiro está a afirmar-se como uma infraestrutura estratégica para o desenvolvimento e teste de tecnologias emergentes, desde drones e veículos autónomos até sistemas marítimos e inteligência artificial. A convicção é de Luís Barbosa, diretor-geral do PCI – Parque de Ciência e Inovação, que considera que este tipo de ecossistemas pode aumentar a competitividade nacional e ajudar a fixar empresas tecnológicas fora dos grandes centros urbanos.

 

Durante uma entrevista ao podcast Founder Tales, apoiado pela PME Magazine, e publicado no dia 27 de julho, Luís Barbosa explicou que a ZLT de Aveiro permite realizar testes de protótipos terrestres, aéreos, marítimos e submarinos num ambiente regulamentado e preparado para reduzir riscos associados ao desenvolvimento tecnológico.

“A Zona Livre Tecnológica não é uma sandbox”, sublinhou, explicando que se trata de uma área geográfica oficialmente homologada para testes de novas tecnologias, envolvendo o PCI, a Ria de Aveiro, o porto e a faixa costeira da região.

As Zonas Livres Tecnológicas são áreas autorizadas pelo Estado para testar tecnologias inovadoras em condições controladas, permitindo a empresas, universidades e centros de investigação validar novos produtos e serviços antes da sua entrada no mercado.

No caso de Aveiro, a infraestrutura integra espaços terrestres, marítimos e aéreos, permitindo realizar ensaios de drones, veículos autónomos, sistemas marítimos e outras soluções tecnológicas avançadas, envolvendo investigadores, empresas e entidades públicas na criação de novos projetos de inovação.

Da ideia ao protótipo digital

Ao contrário de muitos parques tecnológicos, o PCI pretende posicionar-se como um parceiro tecnológico ativo das empresas.

A infraestrutura criada em Aveiro permite desenvolver digital twins, simulações e testes virtuais antes da construção de protótipos físicos, reduzindo custos e acelerando o desenvolvimento de novos produtos.

Segundo Luís Barbosa, esta capacidade é particularmente relevante para PME e startups em áreas como defesa, mobilidade autónoma, indústria, materiais ou inteligência artificial, permitindo validar soluções ainda nas fases iniciais de desenvolvimento.

Um modelo sem equity nas startups

Um dos aspetos diferenciadores do PCI é o modelo de incubação. Apesar de apoiar cerca de meia centena de startups, o parque não entra no capital das empresas nem reclama direitos sobre propriedade intelectual.

Para Luís Barbosa, essa opção evita conflitos de interesses e garante igualdade de tratamento entre todas as empresas incubadas.

“Não somos investidores”, afirmou, defendendo que uma entidade cuja génese resulta de investimento público deve concentrar-se em apoiar o crescimento das empresas e não em retirar retorno financeiro direto da sua valorização.

Especialização como estratégia

Na visão do responsável, Portugal não precisa de dezenas de polos tecnológicos semelhantes, mas sim de ecossistemas altamente especializados.

O objetivo passa por tornar determinadas regiões referências europeias em setores concretos, criando condições para atrair talento, investimento internacional e empresas multinacionais.

O PCI está atualmente focado em áreas de deep tech, microeletrónica, fotónica, inteligência artificial, defesa, sustentabilidade e tecnologias digitais, procurando acompanhar a evolução tecnológica dos próximos anos.


Europa precisa de acelerar e olhar para África

A experiência profissional de Luís Barbosa na Ásia e em programas europeus levou-o a defender uma maior rapidez na execução de projetos de inovação.

Na sua opinião, países como Singapura ou Vietname destacam-se pela velocidade de decisão e pela reduzida burocracia empresarial, enquanto a Europa mantém uma vantagem na criação de regras éticas e mecanismos de sustentabilidade para tecnologias como a inteligência artificial.

Ainda assim, considera que Portugal necessita de definir prioridades nacionais claras. “Se perguntarmos quais são os cinco setores estratégicos em que Portugal quer ser líder, dificilmente conseguimos responder”, afirmou.

Luís Barbosa defendeu ainda a necessidade de Portugal olhar para África como um mercado estratégico para exportar conhecimento e desenvolver ecossistemas de inovação.

Na sua perspetiva, parques tecnológicos portugueses poderão, no futuro, criar programas de mentoria, formação e apoio ao empreendedorismo em vários países africanos, aproveitando as ligações históricas e linguísticas existentes.

 

 

Founder Tales é um podcast sobre empreendedorismo com histórias reais, lições concretas, sem filtros. A PME Magazine é parceira de media.

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