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Pedro Vasconcelos, CEO da Batch (Foto: Divulgação)
Pedro Vasconcelos, CEO da Batch (Foto: Divulgação)

“A tecnologia premium é, de facto, o segredo do nosso sucesso” – Pedro Vasconcelos

Por: Marta Godinho 

A Batch é uma empresa que apresenta um serviço de logística parceira de diversas marcas através de um serviço exclusivo e online. Em entrevista com a PME Magazine, Pedro Vasconcelos, o CEO da Batch, fala-nos um pouco sobre a empresa, os seus serviços, os balanços do ano passado e os planos para o futuro.

PME Magazine (PME Mag.) – Como caracteriza a empresa?

Pedro Vasconcelos (P. V.) – A Batch é uma empresa que, mais do que um serviço de logística 360º, vende tempo aos seus clientes. Porquê? Porque ao ser o braço-direito das marcas nesta área, liberta as mesmas do peso de uma atividade que para elas é secundária, podendo estas concentrar-se no crescimento do seu negócio online. Como conseguimos? Porque temos conhecimento diferenciado e tecnologia inovadora desenvolvida in-house, o que nos permite simplificar e digitalizar um processo que tradicionalmente é conhecido como lento, arcaico, chato e burocrático. No fundo, somos uma espécie de “departamento” de logística da marca e o que fazemos é tirar o “pó” e o “ruído” a essa mesma logística: em vez de esta ser vista como um problema antigo, é encarada como uma solução moderna.

PME Mag. – Quais são os serviços que oferece?

P. V. – A Batch, enquanto parceira de logística das marcas, disponibiliza um serviço chave na mão e exclusivo em todas as etapas. Primeiro, com a integração da nossa plataforma no site do cliente em 10 minutos que é um tempo recorde em relação às poucas soluções existentes. A nível de fulfillment, asseguramos — de forma otimizada ao milímetro — armazenamento, gestão de stock, análise de dados, controlo de qualidade e processamento de pedidos. No que toca a last mile, garantimos tracking e apoio ao cliente 100% customizados, bem como entregas rápidas (em duas horas e no próprio dia) para todo o país (inclui ilhas). Desde setembro de 2022 que passámos a fazer serviços de trocas e de devoluções únicos, pois em três a quatro cliques o consumidor tem tudo resolvido. Sobre reclamações, quando algo falha, não ficamos à espera que a pessoa apresente queixa. Somos proativos e utilizamos ferramentas como envio de reagendamento automático, construindo assim uma relação de proximidade e de confiança. Por outro lado, em fevereiro de 2022 também começámos a fazer envios para a Europa. Com esta oferta multidisciplinar e de qualidade (com taxas de erro de preparação de encomendas abaixo dos 0,2% e taxas de entregas bem-sucedidas à primeira nos 97%), contamos com índices de retenção de clientes a rondar os 100% e com uma avaliação média da parte dos consumidores de quase cinco estrelas.

PME Mag. – A Batch diferencia-se bastante do que se tem feito neste setor em Portugal. Como é gerir uma empresa que se caracteriza pela rapidez nas suas entregas?

P. V. – A rapidez de entregas caracteriza-nos, mas não nos define. Isto é, a Batch não se resume a efetuar entregas rápidas de duas horas e no próprio dia, o que proporciona, por exemplo, que empresas pequenas possam competir em termos de tempo com as grandes do mesmo setor. Nós diferenciamo-nos por assegurar uma operação de last mile — do armazém até à entrega ao consumidor — extremamente funcional e digitalizada. Portanto, a nossa rapidez advém sobretudo da simplificação dos procedimentos, a qual só é possível porque está assente em tecnologia de topo, toda ela criada cirurgicamente para o efeito pela nossa equipa. Isto permite-nos ter um maior controlo da operação, ser mais ágeis no processo e responder em escala em picos de trabalho. Claro que possuir uma boa frota (a qual será em parte elétrica em 2023) e uma dark store no centro de Lisboa também nos possibilita ser mais céleres. Mas isso qualquer empresa pode ter. O mais difícil é competir com tecnologia premium. Esse é, de facto, o segredo do nosso sucesso.

“É exatamente isto que nós estamos a fazer: ajudar as empresas a desenvolver o seu negócio” – Pedro Vasconcelos

PME Mag. – Qual é a dificuldade em personalizar cada produto de forma a torná-lo mais autêntico?

P. V. – Na verdade, não há qualquer dificuldade. Há apenas desafios tecnológicos. Explico. Por norma, quando compramos online, a marca “morre” no fim de efetuado o pagamento, entrando de imediato “em campo” o nome de uma empresa de logística. A Batch, enquanto white label das marcas a nível de logística, quer prolongar a vida das mesmas até ao último momento: a entrega. Por isso, desenvolveu tecnologia que permite personalizar todos os serviços — tracking, apoio ao cliente (app para estafetas) e páginas de devoluções e de reclamações — com o logótipo e com as cores de cada cliente (reforço de identidade). Por outro lado, a nível de embalamento de produtos, dispomos de um livro de instruções de cada marca e dos respetivos materiais (caixas, sacos, papel de embrulho, laços, cartão de agradecimento, produtos de acondicionamento…), seguindo a encomenda como se fosse proveniente da loja. Ao sobreviverem de forma positiva no tempo e no espaço junto do consumidor, as marcas ficam no seu top of mind (ganham posicionamento). Ao tornarem-se mais atrativas e especiais para ele, estamos a facilitar o caminho para novas conversões. E isso é sempre o objetivo final de quem possui e-commerce.

“Estamos a apostar continuamente todas as fichas no que nos torna originais: tecnologia própria de exceção”

PME Mag. – Conte-nos um pouco sobre a dark store situada em Alvalade.

P. V. – Estamos no negócio da flexibilidade e da transparência e as dark stores são uma tendência de mercado a nível da logística em todo o mundo e, claro, também em Portugal. Com um armazém situado numa das zonas mais centrais, com mais densidade populacional e mais bem servidas de acessos — Alvalade —, naturalmente que conseguimos ser muito eficientes no que concerne a entregas rápidas do que se estivéssemos situados na periferia. Posso adiantar ainda que, em breve, também vamos inaugurar uma dark store no Porto, numa zona que seja estratégica, visto que já temos esse mercado consolidado. Como efetuamos entregas em todo o país e nas ilhas, com o tempo, e se se justificar, também podemos ter apenas frota ou até mesmo abrir mais armazéns como estes noutras capitais de distrito. Para finalizar, com as entregas de duas horas e no próprio dia estamos a dar resposta a dois estudos muito recentes. O primeiro, de dezembro de 2022, da plataforma de lojas online Shopify, refere que, nos EUA, 46% dos consumidores querem entregas rápidas. O segundo, da consultora McKinsey, sobre os cinco zeros que os empresários devem implementar, o qual foi apresentado em março do mesmo ano, defende que, se querem vingar, todas as empresas têm de ter a opção de entregas rápidas. E é exatamente isto que nós estamos a fazer: ajudar as empresas a desenvolver o seu negócio.

PME Mag. – De que forma é que Batch traz inovação em situações de crise?

P. V. – É uma pergunta curiosa. A Batch nasceu em março de 2021, em plena Covid-19, ou seja, no epicentro da crise, e tem a palavra inovação em destaque no seu ADN. Traduzindo: numa altura de absoluta incerteza, soubemos detetar e dar resposta às necessidades óbvias do mercado: com as lojas não-essenciais fechadas, as pessoas compravam online, porém não queriam esperar muito tempo para receber as encomendas. Elas pretendiam usufruir da experiência quase de imediato, como se estivessem a sair da loja física, o chamado click to door. E foi isso que (re)criámos: o ambiente de compra offline, mas no conforto do lar. Contudo, o que nos distingue é que nós não olhámos para o mercado com olhos apenas de presente (que era caótico). Nós olhámos com perspetiva de futuro, dando estrutura consolidada ao nosso negócio para continuar a fazer sentido no pós-reabertura do comércio. A pandemia “já passou”; todavia, entretanto, o conflito na Ucrânia e a inflação bateram-nos à porta. Resumidamente, desde que nascemos (em 2021) o contexto tem sido sempre de crise, e a verdade é que nós continuamos a crescer. Isto significa que estamos aptos a enfrentar quaisquer adversidades. Tudo porque estamos a apostar continuamente todas as fichas no que nos torna originais: tecnologia própria de exceção. E isto é claramente desafiar todas as teorias livrescas do ramo, as quais defendem que uma startup nunca deve fazer tudo. Mas nós fazemos e os resultados estão à vista.

PME Mag. – Qual é o balanço que faz de 2022?

P. V. – Para a nossa empresa foi um ano excelente e marcado sobretudo pela palavra “crescimento”, quer a nível de volume de negócio, quer de clientes (já contamos com mais de 300 marcas, 90% das quais portuguesas), quer de equipa. E quando temos recursos humanos com know-how e que se identificam com o projeto, isso reflete-se na proposta de valor que oferecemos aos nossos parceiros. Por outro lado, passámos a contar com um novo acionista — um dos maiores investidores portugueses nos setores da energia e do imobiliário —, o que faz toda a diferença na estratégia da empresa.

PME Mag. – Que planos e que objetivos estão na agenda da empresa para 2023?

P. V. – Por enquanto estamos a capitalizar a Black Friday e o Natal, pois, como são “épocas altas” na área da logística, muitos clientes que tinham serviços pontuais perceberam que, de facto, nós somos uma mais-valia e, como tal, querem-nos ter como parceiros a tempo inteiro. Para o plano traçado para 2023, a Batch tem, essencialmente, três grandes objetivos: triplicar o volume de negócio, aumentar a rentabilidade da operação e continuar a integrar mais pessoas na sua equipa. Só desta forma é que vamos crescer com as marcas e ajudar as marcas a crescerem.