Por: Sandra Lourenço, CEO Your People
No contexto empresarial português, as pequenas e médias empresas (PME) representam a verdadeira espinha dorsal da nossa economia, impulsionando a inovação e a criatividade e impactando em todo o ecossistema empresarial.
No entanto, o desenvolvimento destas empresas muitas vezes acaba por bloquear na ausência de competências especificas que poderia ser claramente mitigada através de uma aposta contínua em formação e no desenvolvimento do Capital Humano. Desta forma, a relevância dos programas de formação adequados torna-se cruciais para o crescimento das PME em Portugal, nomeadamente ao nível do desenvolvimento e retenção do seu talento.
É certo que a formação contínua é fundamental para estas empresas que procuram não só manter-se atualizadas face às mudanças tecnológicas e de mercado, como também assegurar a evolução das competências das suas pessoas. Programas de formação, muitas vezes vistos como um selo de qualidade e competência, podem abrir portas para novas oportunidades de negócio, além de aumentarem a competitividade da empresa no mercado. A formação especializada permite ainda que as PME se diferenciem, oferecendo serviços e/ou produtos que necessitem de competências técnicas específicas.
Também para os gestores, estes programas permitem o desenvolvimento de competências de liderança, de gestão financeira e de estratégia, sendo fatores essenciais para a sustentabilidade e expansão de qualquer negócio. Além disso, investir neste tipo de formação não só melhora e acelera a eficiência operacional, como também fortalece a capacidades de tomada de decisões estratégicas.
Falo de mais produtividade, mais criatividade e mais inovação. Falo de uma contribuição clara para o crescimento sustentável da empresa, preparando colaboradores para novas responsabilidades à medida que o modelo de negócio evolui e se adapta às mudanças constantes do mercado. Paralelamente, existe um incentivo à retenção de talento, dado que se reduzem os custos associados à rotatividade das equipas, uma vez que existe uma maior motivação e comprometimento dos colaboradores.
Apesar dos benefícios evidentes, as PME, em Portugal, enfrentam crescentes desafios ao implementar programas de formação eficazes. O custo da formação e a falta de tempo são barreiras significativas, especialmente para empresas que operam com margens financeiras limitadas. Além disso, a resistência à mudança por parte de quem emprega poderá dificultar a adoção de novos métodos e tecnologias que acompanham a formação contínua. Outro desafio é a escolha de programas de formação que estejam alinhados com as necessidades reais da empresa e que possam resultar em melhorias tangíveis na performance organizacional.
Os programas de formação nas PME em Portugal apresentam um panorama de oportunidades e desafios. Enquanto os benefícios de uma força de trabalho mais qualificada e adaptável são indiscutíveis, as dificuldades financeiras e culturais representam obstáculos significativos. Uma abordagem crítica e adaptada às realidades específicas de cada empresa pode ser a chave para transformar esses desafios em vetores de crescimento e inovação. As organizações que conseguem integrar eficazmente a formação no seu dia-a-dia, além de elevarem o seu padrão competitivo, também contribuem de forma sustentável para robustecer a economia nacional.