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Investimento em exportações e nas empresas é um dos pontos defendidos pela AEP (Foto: Pixabay)

AEP alerta para riscos de implementação do PRR

A Associação Empresarial de Portugal (AEP) alerta para os riscos relacionados com a implementação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), dada a falta de investimentos que justifiquem um aumento da produtividade e a estabilidade fiscal, devendo o Governo ser cauteloso na gestão da retoma económica.

A AEP, através da análise do Programa de Estabilidade 2021-2025, alerta para os riscos de implementação do PRR, considerando que é preciso prudência na gestão do atual cenário económico em Portugal.

De acordo com a Associação, é necessário que o crescimento económico tenha como base um investimento nas exportações, alertando, no entanto, para os riscos ligados à aposta na retoma da atividade, essencial para a sustentabilidade das contas públicas.

Reiterando a importância de se “fazer algo mais”, Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP, garante que só assim será “possível recuperar uma trajetória favorável em termos económicos e sociais”.

Os riscos que a AEP aponta, tal como o Conselho das Finanças Públicas (CFP), têm em consideração o perfil de tempo que foi definido para a aplicação dos fundos referidos, da exequibilidade de projetos de investimento que garantam a absorção de fundos na economia, bem como da produtividade dos mesmos.

Apesar da positividade dos números apresentados pelo Governo relativamente ao impacto do PRR no PIB, a estimativa do Banco de Portugal aponta para dados bastante mais modestos. Acresce ainda o facto de ainda não terem sido realizados investimentos, através do PRR, que justifiquem um grande aumento da produtividade e competitividade.

Deste modo, a AEP sublinha a necessidade de se privilegiar o envolvimento de empresas nacionais, de forma a contribuir para a sua sobrevivência e consequente criação de riqueza e manutenção de emprego. A associação aponta ainda para que, ao nível das contas públicas, deva haver uma aposta mais vincada no apoio às empresas, uma vez que muitas delas se encontram em risco elevado de encerramento.

Luís Miguel Ribeiro, depois do Governo garantir não estar preocupado com o cumprimento das metas orçamentais, afirma também que se torna pouco claro o porquê de não se manter “o nível do défice de 2020 para apostar no relançamento da atividade económica”.

Além destes fatores, a AEP aponta ainda para uma aposta numa verdadeira reforma da Administração Pública, baseada na melhoria de serviços públicos com redução de recursos, de forma a permitir a diminuição sustentada da carga fiscal.

Afirmando a insatisfação com a estabilidade fiscal desenvolvida pelo governo, o presidente da AEP assume não compreender “a redução prevista da carga fiscal em 2021 e 2022, sendo de realçar que essa intenção não se concretizou em 2020”.

Assim, a AEP espera um reforço das verbas do PRR, com as mesmas a dirigirem-se diretamente às empresas e ao previsível impacto na atividade empresarial.