Sexta-feira, Agosto 7, 2026
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Comunicação e Competências técnicas vs. Competências emocionais

Por: Rui Machado, Performance mental e consciência 

Formamos pessoas para serem únicas? Muitos serviços estão a ser substituídos pela IA, e vão continuar a ser, mas a unicidade humana acredito que não. O “ingrediente” principal está em cada um de nós. Saberemos aplicá-lo no nosso dia-a-dia? Sabemos mesmo qual é esse “ingrediente” que nos distingue?

As competências técnicas, normalmente mais focadas no lógico/matemático, são necessárias e devemos investir nelas, sem dúvida. E as competências emocionais? Não serão elas que “no final do dia” fazem evoluir o ser humano? Quando evoluímos, evolui tudo o que fazemos. Então formar mais pessoas com foco na unicidade será uma excelente forma de nos integrarmos e evoluirmos com a IA, acredito muito nisso! Aprender a comunicar melhor, é uma ajuda enorme nesse processo.

Comunicar é algo que parece simples (talvez até seja), no entanto verifico que há demasiadas pessoas com dificuldades em fazê-lo.

Do lado de quem recebe a comunicação, estará a ouvir? Como costumo dizer, muitas vezes estamos à espera de que o outro se cale para falarmos. Mas podemos escutar, apenas prestar atenção ao que é dito. Do outro lado, quem está a comunicar tem a consciência que é responsável por se fazer entender? Ou vai escolher continuar a dizer algo como: vocês não estão a entender, burros que não percebem nada ou, como escreveu Thomas Erikson, estou “Rodeado de idiotas”.

Comunicar é bem mais do que falar e ouvir, visto que comunicamos de formas diferentes. Aqui gostaria de referir as múltiplas inteligências de Howard Gardner, das quais destaco as seguintes: intrapessoal, interpessoal, linguística e também a inteligência emocional.

O autoconhecimento (Inteligência intrapessoal) é um ponto de partida. Se não me conhecer, não vou investir em mudar algo do qual não tenho perceção. Também não vou conhecer os padrões que tenho, como ajo e reajo, acabo por gerar comportamentos aleatórios e não conscientes.

Compreender para melhor interagir com outros (Inteligência interpessoal), dá-nos a capacidade de comunicar e liderar melhor, pois sabemos quais as necessidades que a outra pessoa tem. A psicologia das necessidades humanas (Tony Robbins), pode ajudar-nos a identificar as motivações por trás de nossas ações, a tomar decisões mais alinhadas com os nossos valores e a alcançar um maior nível de felicidade e realização. Ter a capacidade de identificar noutra pessoa, por exemplo, a necessidade de certeza, pode fazer diferença entre chamar-lhe “idiota”, porque só estava a colocar entraves, ou fornecer à pessoa os elementos que lhe tragam essa certeza, e a comunicação flui.

Saber usar a linguagem verbal e escrita, incluindo a leitura (Inteligência linguística) é também um fator diferenciador na comunicação.

Já a inteligência emocional, segundo (Salovey & Mayer, 1990), é “A capacidade de monitorar sentimentos e emoções, tanto próprios quanto dos outros, discriminá-los e usar essa informação para orientar pensamentos e ações”. Simplificando, é a habilidade de lidar de forma eficaz com as emoções, usando-as como uma fonte de informação valiosa, tanto as que consideramos boas, como as menos boas. Para mim não existem más, pois todas nos trazem informação. A escolha que fazemos depois, para agir ou não, é de cada um.
Sentir e observar as minhas emoções foi algo que transformou a minha vida. Imaginem que a nossa vida é orientada para nos sentirmos com mais bem-estar! Ao sentir, conhecer e entender mais as emoções, sem as julgar como boas ou menos boas, consegui perceber se me estava a aproximar ou afastar desse bem-estar. Quando estamos próximos ou mesmo a sentir bem-estar, devemos continuar e até fazer mais daquilo que nos está a trazer esse sentimento. Quando nos estamos a afastar podemos fazer perguntas como:

1. O que me está a fazer sentir esta emoção e o que a gerou? (observar curioso)
2. Consigo gerir a emoção sozinho ou a quem posso pedir ajuda?
3. O que eu quero em vez disto? (que me traga bem-estar)

Qualquer emoção deve ser olhada. Quando não o fazemos, perdemos informação para o nosso autoconhecimento e crescimento enquanto pessoa. Depois podemos escolher agir sobre a informação que a emoção nos trouxe, mesmo que seja não fazer nada e deixar que ela passe, no entanto de forma consciente para nós.

Algumas perguntas que podemos colocar a nós próprios, são:
– Qual a minha intenção quando comunico algo?
– Quais as necessidades que estou a satisfazer quando comunico? E as da outra pessoa?
– Como posso comunicar melhor e como vou fazê-lo?

Numa empresa saudável onde nos sentimos bem e queremos estar, uma comunicação onde todos falam a mesma língua, mesmo sabendo que comunicamos de forma distinta, é a alavanca para que essa empresa tenha mais e melhores resultados.

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