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Casa Branca, EUA, Joe Biden
(Foto: Pixabay)

Joe Biden eleito presidente dos EUA: o que pode mudar?

Por: Maria Inês Jorge

Depois de declarada a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais norte-americanas no último sábado, esperam-se agora tempos de recuperação das relações políticas e económicas que os EUA mantinham com outros países e organizações.

No discurso de vitória do recém-eleito 46.º presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Joe Biden acredita que é tempo de “curar a América” para que esta possa estar finalmente em paz consigo mesma. O democrata promete acabar com o legado deixado por Donald Trump e retomar os acordos e compromissos internacionais que o seu antecessor havia abandonado.

Acordo de Paris para retomar

O pacto sobre a luta contra as alterações climáticas, assinado por Barack Obama em 2015, chegou ao fim no passado dia 4 de novembro. O ainda presidente Donald Trump, que sempre negou a existência do aquecimento global, formalizou a saída dos EUA do Acordo de Paris em 2019, ideia que vinha a ser planeada já desde o início do seu mandato. Para Trump, o Acordo de Paris continha “falhas graves”, que punham em causa a indústria petrolífera norte-americana, além de “custar uma fortuna”, segundo escreveu na rede social Twitter.

Com a eleição do candidato democrata, acredita-se que os EUA voltem a assinar o compromisso com a ONU, uma vez que Joe Biden já apresentou um plano de redução das emissões de carbono até 2050, que prevê o gasto de cerca de 1,5 mil milhões de dólares no alcance da neutralidade carbónica naquele que é o segundo país com maior emissão de gases com efeito de estufa.

OMS quer trabalhar com Biden

Depois de Donald Trump ter decretado a saída dos EUA do programa de financiamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), a organização felicitou Joe Biden pela vitória nas presidenciais norte-americanas e avançou que pretende retomar as relações institucionais que mantinha com o país.

Ainda durante a campanha eleitoral, Joe Biden anunciou que, caso fosse eleito, iria reavaliar o processo de saída dos EUA e apoiar a OMS no combate à Covid-19. Apenas dois dias depois de vencer as eleições, Biden reuniu com um grupo de especialistas na gestão da pandemia para criar um plano de ação e reduzir os impactos do vírus na população norte-americana. As medidas resultantes desta reunião só poderão entrar em vigor a partir de 20 de janeiro, data da tomada de posse no novo presidente.

Relações EUA-China e rede 5G

Não será difícil esquecer a polémica pressão dos EUA sobre outros países, incluindo Portugal, para que estes não aceitassem a nova rede 5G da empresa chinesa Huawei.

Durante o mandato de Donald Trump, foram feitas declarações que apresentavam o desenvolvimento da rede 5G pela multinacional chinesa como um perigo para a segurança não só dos EUA, como de outros países. No caso de Portugal, o embaixador dos EUA chegou a anunciar que os portugueses precisam de “parceiros confiáveis na sua rede de telecomunicações” e que a opção Huawei iria “mudar a forma como os EUA interagem com Portugal ao nível da segurança e Defesa”.

Agora, apesar da eleição de Joe Biden e das críticas deste sobre a forma como foram conduzidas as relações económicas com a China, a tensão EUA-China irá manter-se, já que Biden também defende uma ação mais dura com Pequim. No entanto, analistas da agência Bloomberg acreditam que as regras e as formas de negócio irão tornar-se “menos voláteis, respeitando mais as regras”.

Retomar relações com a NATO no horizonte

O ainda presidente republicano é também conhecido por criticar os países aliados na NATO por não terem um valor de despesa em Defesa tão alto como os EUA, fazendo pressão para que aumentem os seus gastos com a organização. Donald Trump classificou ainda a NATO como sendo “obsoleta” e as reuniões do G7 como “um clube fora de prazo”.

Citados pela Reuters, alguns diplomatas mundiais acreditam que Joe Biden irá agir rapidamente com o objetivo de reatar as relações que a administração de Trump cortou com alguns dos aliados da NATO. Para já, a organização está a planear endereçar um convite a Biden para que este esteja presente na próxima cimeira, a decorrer em março de 2021, em Bruxelas.

Melhorar relações com a UE

Na última fase do seu mandato, Donald Trump ameaçou os diplomatas europeus com a cobrança de taxas aduaneiras extra sobre os produtos importados da Europa, como consequência das ajudas financeiras da União Europeia (UE) à empresa francesa Airbus, o que originou défices comerciais de ambos os lados. Já a UE ameaçou, mais tarde, aplicar outras tarifas às importações vindas dos EUA como retaliação. Recorrendo à Organização Mundial do Comércio (OMC), a organização classificou as duas entidades como culpadas nesta guerra comercial.

Esta será, no entanto, uma relação com tendência a melhorar após a eleição de Joe Biden. O que ainda não se sabe é a importância que o democrata irá dar aos negócios com a UE, uma vez que, em cimeiras da NATO realizadas no período em que era vice-presidente de Barack Obama, as reuniões com líderes europeus foram colocadas de parte e foi dado maior destaque às relações com países asiáticos.