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Elsa Veloso, advogada e CEO da DPO Consulting (Foto: Divulgação)

A maior venda que pode ser feita nesta época tem um nome: reputação

Por: Elsa Veloso, advogada, especialista em privacidade e proteção de dados e CEO da DPO Consulting

Nunca o digital imperou tanto como hoje. Entre as inúmeras áreas em que cresceu a sua importância, a dos hábitos de consumo é das que mais se tem destacado e à medida que nos aproximamos das épocas chave do ano – Black Friday, Cybermonday, Natal – os fluxos de compra e venda aumentam de dia para dia.

Segundo um estudo recentemente divulgado pela Netsonda, 84% dos inquiridos tencionam comprar nesta BlackFriday e a intenção de compra exclusivamente via digital sobe para 36% face aos 14% de 2019. Um crescimento expectável dado o contexto pandémico que estamos a enfrentar, com as empresas a acompanharem a tendência digital e tentarem adaptar-se ao máximo ao cenário existente, focando as suas estratégias no incentivo às compras online e à antecipação de compra dos consumidores, de forma a fintarem aglomerações nas lojas físicas e as quebras de stock, maximizando as vendas.

As estratégias diversificam-se em prol do crescimento do negócio e atração de novos clientes, contudo, importa olhar além do ganho imediato. É imprescindível que as empresas desenvolvam estratégias que priorizem a segurança da informação e a privacidade dos dados pessoais dos seus trabalhadores, clientes e parceiros, assegurando que a digitalização de processos como as vendas é feita da forma correta do ponto de vista legal e, igualmente, de maneira a prevenir danos materiais e incorpóreos que possam ser irreversíveis para a credibilidade da empresa.

Smishing, fishing, tentativas de acesso a contas bancárias e solicitações enganosas de transferências monetárias são apenas alguns dos exemplos a citar. Em contexto de compras online, cada transação representa uma porta que é aberta e que tem um custo muito para além do monetário associado. Informações pessoais e privadas em circulação livre digital correm sérios riscos e há que acautelar ao máximo a sua proteção.

O primeiro passo é compreender todos os riscos inerentes ao digital e manter presente que, se esta é uma altura perfeita para as campanhas de captação de vendas online, também é, por inerente consequência, o timing ideal para uma forte concentração de atividade criminosa nesse mesmo universo. Assim, as empresas deverão criar um plano específico de ação nesta área da privacidade, proteção de dados e segurança da informação que lhes permita implementar mecanismos de modo a manterem ou atingirem a conformidade legal, bem como garantir que os dados pessoais dos consumidores são respeitados e devidamente protegidos.

Nomear um data protection officer – DPO – interno ou recorrer a uma entidade externa, subcontratando um encarregado de proteção de dados, é o ponto base de partida para criar a estratégia adequada. Devemos ter uma visão longo prazo, não deixar que a correria destas épocas faça com que ultrapassemos e descuraremos o cumprimento de todos os mecanismos necessários para assegurar da presença digital segura das nossas empresas. Só assim poderá ser acautelada a sua credibilidade e ser trabalhado o asset mais valioso que poderá possuir, seja qual for a época do ano: a sua boa reputação.