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Estudo mostra a relação entre a taxa de pobreza, a pandemia e os vários setores sociais do país (Foto: Pixabay)

Nova SBE, “la Caixa” e BPI apresentam Balanço Social 2020

A Nova SBE, a Fundação “la Caixa” e o BPI celebraram uma parceria para a realização de um relatório onde apresentam o balanço social português em 2020, efetuando um retrato do país e os efeitos que a atual situação pandémica demonstrou. No relatório são apresentadas as taxas de pobreza e a relação direta das mesmas com os vários setores sociais.

O relatório “Portugal Balanço Social 2020” foi elaborado por Susana Peralta, Bruno P. Carvalho e Mariana Esteves, da Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center, e surgiu no contexto de uma iniciativa para a Equidade Social, um programa plurianual estabelecido entre a Fundação “la Caixa”, o BPI e a Nova SBE.

O relatório tem como objetivo analisar os padrões socioeconómicos das famílias portuguesas, fornecendo uma base de informação transversal sobre a situação social do país, estabelecendo uma comparação com 2019, de forma a perceber os efeitos da atual situação pandémica.

De acordo com este estudo, que analisa a crise económica e social provocada pela pandemia de Covid-19, bem como questões relativas à pobreza e à exclusão social, é possível verificar que a taxa de pobreza e de pobreza extrema, em 2019, situavam-se nos 17,2% e 8,5%, respetivamente, com valores a rondar os 12,5% em relação à população que se encontrava em situação de pobreza persistente.

Analisando o perído da atual situação pandémica, os números anteriores alteram-se, com a taxa de pobreza e exclusão social a representar cerca de 21,6% da população portuguesa.

Também a questão da privação material foi tida em conta nesta análise, que aponta para valores a rondar os 15,1% relativamente às pessoas que apresentavam problemas em lidar com despesas inesperadas, em 2019.

Além disto, foi ainda traçada uma relação direta entre as famílias pobres e a dificuldade no acesso ao mercado de trabalho, à educação superior e à saúde. Foram ainda identificadas as crianças como sendo um dos grupos mais vulnerável à pobreza e à exclusão social.

Com este estudo, foi possível perceber que, no que diz respeito às assimetrias regionais, a taxa de pobreza é particularmente alta em regiões como os Açores (31,8%), Madeira (27,8%), Algarve (18,8%) e Norte do país (18,3%).

Relativamente ao impacto da pandemia nos resultados do relatório destaca-se o condicionamento do acesso aos cuidados de saúde, com 135,8 milhares de cirurgias a serem canceladas, bem como 1,22 milhões de consultas, ao longo do ano passado.

Também se verificou que, apesar da poupança ter aumentado no segundo semestre de 2020, os níveis de endividamento aumentaram ao longo dos meses de confinamento. No total, houve um aumento de 11 mil beneficiários do rendimento social de inserção nos primeiros nove meses de 2020.

Na educação e no trabalho, também as famílias mais pobres tiveram mais dificuldades em adaptar-se a um ambiente de trabalho remoto, quer pela limitação de acesso a estes meios, quer pelo facto de exercerem profissões que não tornam possível a realização de trabalho remoto.

De referir que esta iniciativa tem como objetivo impulsionar o setor social em Portugal e que, como afirma Susana Peralta, “pode ser um instrumento muito útil para o Governo poder analisar a situação do país e adaptar as suas decisões estratégicas”.