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Hugo Marujo, managing partner da IMBS (Foto: Divulgação)

Portugal 2020: o caminho faz-se de competitividade e produtividade

Por: Hugo Marujo, managing partner IMBS

Nos últimos anos, muito se falou acerca daquilo que seriam as empresas em Portugal em 2020, a necessidade de definir e implementar a melhor estratégia, ou a mais adequada, para fazer face aos desafios de um mercado e de uma economia cada vez mais global, de modo a garantir a chegada à nova década com capacidade suficiente para olhar em frente.

Aqui chegados, a verdade é que ainda há muito para fazer para tornar Portugal e as suas empresas, sejam elas de grande, pequena ou média dimensão, cada vez mais competitivas.

Ter uma economia competitiva continua a ser uma das principais prioridades políticas da União Europeia (UE), que considera que a competitividade de um país ou empresa depende da sua capacidade para colocar no mercado produtos e/ou serviços que respondam aos padrões de qualidade dos mercados locais e mundiais a preços competitivos e proporcionem rendimentos face aos recursos utilizados ou consumidos na sua produção. Esta definição traduz-se numa maior competitividade global que coloca desafios cada vez maiores às empresas e aos seus profissionais, e que exige destes uma visão abrangente do mercado, uma aposta na globalização, na transformação dos processos, na inovação, numa maior flexibilidade e criatividade, e, acima de tudo, na melhoria contínua.

No último relatório apresentado pelo Fórum Económico Mundial, Portugal manteve-se, em 2019, na 34.ª posição do ranking mundial de competitividade, resultado que, segundo esse mesmo estudo, ficou a dever-se a alterações na metodologia utilizada. O ranking, produzido pelo World Economic Forum desde 1979, mede a capacidade dos países para competirem com outras economias. A sua metodologia foi revista no ano passado para incluir a economia 4.0, de forma a incluir a nova geração digital. Perante este resultado, dado que mantivemos a posição anterior no mesmo ranking, a pergunta que se impõe é a seguinte: como alavancar a competitividade das empresas e, consequentemente, da economia do país? A resposta não é fácil, nem tem uma receita única, mas a verdade é que a competitividade empresarial é, ao mesmo tempo, a grande motivadora para a geração de novos negócios, para a inovação e o alicerce do crescimento do tecido socioeconómico.

Como alavancar a competitividade das empresas e, consequentemente, da economia do país? A resposta não é fácil, nem tem uma receita única

Num momento em que a economia mundial se pode preparar para um abrandamento, é preciso continuar com o foco de aumentar a competitividade do país, e não é surpresa nem novidade que Portugal apresenta um conjunto de pontos fortes a maximizar e pontos fracos a minimizar que dificultam ou facilitam o seu crescimento competitivo. Se, por um lado, temos dificuldades no mercado laboral, seja através dos impostos, da mobilidade ou da gestão administrativa dos RH, se na solidez e rácios de capital da banca apresentamos das posições mais baixas no ranking, também é verdade que na utilização de inovação e tecnologia tivemos das maiores subidas. E a História, passada e recente, já nos mostrou que, com organização, os portugueses são capazes de fazer face a um bom desafio, tem de se trabalhar as lideranças e a cultura para progressivamente estar preparada para fazer face às necessidades.

Alcançar resultados diferentes daqueles já atingidos, aumentar a produtividade e atrair novos clientes num mercado saturado são conquistas que não podem ser alcançadas com uma receita pronta. É preciso inovar, produzir e competir. Estes são três conceitos e, simultaneamente, três pilares fundamentais para que as empresas sejam capazes de adquirir vantagens competitivas face à sua concorrência.

O sucesso de uma empresa (e de um país) está assente nestes três pilares, que vivem juntos, caminham em separado, mas que se interligam: Inovação, Produtividade e Competitividade.

Alcançar resultados diferentes daqueles já atingidos, aumentar a produtividade e atrair novos clientes num mercado saturado são conquistas que não podem ser alcançadas com uma receita pronta.

A produtividade é um conceito associado à transformação da capacidade instalada em produção de bens e serviços. Um país dito produtivo é aquele que consegue gerir o tempo disponível e os demais recursos para produzir com elevada eficácia. Contudo, é óbvio que não existe uma relação de proporcionalidade direta entre o tempo disponível para o trabalho e a produção obtida. Prova disso são os dados apresentados pelo Banco de Portugal no seu Boletim Económico de maio de 2018, que indicava que Portugal é um dos países da União Europeia em que as pessoas trabalham mais horas por semana, porém, essas horas não se traduzem em produtividade.  É, por isso, essencial produzir cada vez mais e melhor, com máxima satisfação das necessidades dos clientes. Contudo, aumentar a produtividade de uma empresa é um processo desafiador, cujo sucesso depende da necessidade das empresas investirem continuamente em inovações tecnológicas, melhorar processos de gestão e de execução, implementando soluções que tragam valor agregado, visível, qualificado e mensurável aos clientes. Só produzindo com mais eficiência e eficácia, e gerando uma maior rentabilidade é que uma empresa (e uma economia) conseguirá ser mais competitiva.

Promover a produtividade foi uma das prioridades da política económica presente no Orçamento do Estado de 2019 e, ao que tudo indica, manter-se-á para 2020. Contudo, continua a ser necessário implementar uma estratégia para que as organizações se tornem mais competitivas, e isso passa por apostar no investimento e na inovação, na capitalização de financiamento, na qualificação dos recursos humanos e na real efetivação da transformação digital. A definição e implementação de estratégias que permitam a flexibilização do negócio para que a empresa tenha a capacidade de acompanhar as constantes alterações do mercado, identificando riscos e oportunidades e eliminando os riscos de ficar para trás, são condição sine qua non para a competitividade. Chegado aqui, essa competitividade obriga a empresa, e todos os seus colaboradores, a puxarem pela cabeça para serem mais inovadores, e a inovação, como sabemos, é uma condição fundamental para conseguir o aumento de um negócio.

É este o Portugal em 2020, onde as empresas vão continuar a ter de enfrentar desafios vários, muitas vezes maiores do que elas próprias, para continuarem no caminho do crescimento e da competitividade. Para minimizarmos as incertezas que o futuro sempre trás, fica a certeza de que o caminho terá de ser feito de produtividade, competitividade e inovação, cada uma na medida certa.