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Procrastinação no trabalho afeta a produtividade

A procrastinação no trabalho é uns dos maiores problemas e afeta diretamente a produtividade nas empresas. Falámos com duas especialistas em Neurocomportamento que nos explicam a origem deste efeito psicológico.

Por Mafalda Marques

Procrastinar é prorrogar a execução e resolução de determinada atividade ou compromisso importante. E esse é um comportamento que, de certa forma, é natural do ser humano. O problema é quando a procrastinação do colaborador numa empresa acontece de forma exagerada e acaba por interferir tanto na produtividade como na entrega de resultados.

Juliana Paes Garcia

Juliana Paes Garcia tem formação académica e MBA em Administração de Empresas, e depois de algum tempo a trabalhar como executiva no mundo corporativo fez uma pausa sabática, redescobriu-se e mudou de carreira.

“Descobri a minha paixão: ajudar as pessoas a desenvolverem-se. Virei empreendedora e fundei a Saviv, empresa de Desenvolvimento Humano com sede no Brasil e em Portugal, atuando com Coaching e Formações Corporativas e que utiliza a Neurociência e a Psicologia Positiva como base de atuação”, conta Juliana.

Adriana Smicaluk

O amor pela neurociência uniu-a à Adriana Smicaluk, formada em Sistemas de Informação com MBA em Marketing e sócia-diretora da NeuronioWeb, uma das empresas referência brasileira em Neuromarketing, que faz consultoria estratégica e desenvolvimento de websites e plataformas digitais usando a Neurociência para potencializar vendas.

“Participei de um workshop de Neuromarketing que a Adriana ministrou em Curitiba, no Brasil, e fiquei encantada com o jeito leve e descomplicado com que ela transmitia o conteúdo. E ela também tinha interesse em usar todo o seu conhecimento sobre o cérebro humano não somente para ajudar as empresas a venderam mais mas também para ajudarem as pessoas a serem mais felizes”, explica Juliana.

Deste então juntaram-se e criaram o curso Neurocomportamento que pretende promover um maior entendimento sobre o cérebro, ajudar a identificar padrões inconscientes, quebrando-os e reprogramando-os para um novo comportamento. Já organizaram duas edições no Brasil e organizam agora pela primeira vez em Portugal, nos dias 23 e 24 de novembro.

Desenvolvimento Pessoal

Quando questionadas sobre a razão de pegar no tema Neurociência e aplicá-lo a um curso, explicaram o poder deste conhecimento.

“Até cerca de 50 anos atrás tínhamos pouca informação sobre o funcionamento do cérebro humano (pensamentos e emoções), porque a tecnologia existente era muito invasiva e não conseguia estudar profundamente o que acontecia dentro da mente. Com o avanço da tecnologia, como a criação de equipamentos de tomografia computorizada de altíssima precisão, descobrimos um novo campo de conhecimento que nos dá muito mais fundamentos para entender porque pensamos, sentimos e agimos do jeito que fazemos, e que “botões” devemos acionar para conseguir uma mudança de comportamento eficaz.

“Conhecer os padrões mentais inconscientes que nos regem é fundamental para qualquer pessoa que queira ter uma vida mais leve, mais feliz, mais produtiva e realizada. 90 a 95% das nossas ações são tomadas de forma INCONSCIENTE. Sem conhecer o funcionamento do seu cérebro, você não consegue aceder às chaves corretas para assumir o controle da sua vida”.

Esse conhecimento científico permite hoje oferecer técnicas comprovadas e com maior eficácia para cursos e formações dedicados ao desenvolvimento humano. Menos “subjetividade” e mais fundamentação científica. A neurociência aplicada ao neurocomportamento traz mudanças de comportamento mais profundas e duradouras do que os cursos e formações tradicionais, que apenas tratam a consequência (comportamento) e não a raiz do problema (padrões mentais inconscientes), explicam.

Trabalho em equipa

Questionadas sobre o impacto da Neurociência no comportamento de uma equipa, Juliana e Adriana explicam que o curso tem foco em desenvolver autoconhecimento, comunicação e habilidade interpessoal, aumento do nível de domínio interior, redução da procrastinação e da auto- sabotagem e aumento da inteligência emocional. Todos esses temas são fundamentais para fomentar equipas de Alta Performance: aquelas que entregam resultados acima da média de forma sustentável ao longo do tempo.

Foi-se o tempo em que apenas o conhecimento técnico era suficiente. As soft skills e a capacidade de gerir as próprias emoções, além de manter-se motivado e resiliente nas dificuldades do dia a dia, são capacidades indispensáveis para uma equipa ser bem sucedida no mundo atual. Cada vez mais são essas competências que permitem o sucesso de uma empresa.

Liderança e foco

O Neurocomportamento também impacta na liderança de uma equipa ou empresa pois quanto mais autoconhecimento um líder tiver, menos sofrerá com seus seus “pontos cegos” (características negativas que não percebe que possui). Além disso, quanto mais alto na escala hierárquica, mais pressão um líder tende a receber. Por isso é fundamental que ele tenha um bom equilíbrio emocional e um bom nível de domínio interior para resistir a essa pressão sem penalizar a equipa e ao mesmo tempo manter alto nível de entrega de resultados exigido na sua função.

“Esta imersão será uma verdadeira quebra de padrão. Um momento para repensar a vida, conhecer-se melhor, entender porque age da forma que age e porque foi até agora tão difícil mudar. O formando sairá de lá  conhecendo e aprendendo a lidar com os padrões mentais inconscientes tóxicos que o limitam e que o prendem a uma realidade menor que aquela que ele merece. Mais produtivo, pois irá entender as razões que o levam a procrastinar e como reverter esse padrão. Irá também ter mais auto estima e autoconfiança, na medida em que se conhecerá melhor e aprenderá a valorizar e a potencializar seus pontos fortes. E o mais importante, sentir-se-á motivado ao perceber que agora tem as ferramentas que precisa para se libertar da auto sabotagem e exercer maior controle sobre a própria vida”, explicam as especialistas.

O treino de equipas com base em NeuroComportamento é uma ferramenta poderosa que permite aos funcionários terem recursos interiores mais fortes aos quais acedem sempre que estiverem face a uma dificuldade, um desafio, uma nova oportunidade.

Quando a empresa proporciona formação regular aos funcionários ao longo do ano, a probabilidade é maior que esse novo comportamento seja interiorizado e se torne padrão na equipa, impactando positivamente inclusive a cultura da própria empresa.

O curso de Neurocomportamento realiza-se nos dias 23 e 24 de novembro e só voltará a repetir-se em junho de 2020. Até lá, pode ser aplicado individualmente em empresas.