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José Gomes, CEO da Ageas Seguros (Foto: Divulgação)

“Queremos ser vistos como consultores de gestão do risco” – José Gomes

“Prevenção” da gestão do risco e “confiança” são palavras-chave para a Ageas Seguros, tendo em conta o novo contexto vivido pelas empresas. Em entrevista à PME Magazine, o CEO, José Gomes, fala dos melhores caminhos para continuar a apoiar as PME em tempos de pandemia.

PME Magazine – A prevenção é a palavra chave para a retoma da economia portuguesa e na gestão do risco para as empresas?

José Gomes – Face ao enquadramento que estamos a viver, a questão da prevenção é fundamental, não só para as empresas como também para as nossas vidas, dos cidadãos em geral. Saber exatamente quais são os riscos que estamos a enfrentar e como é que nos podemos prevenir ou reduzir a exposição desse risco é fundamental. Agora, diria que há outra palavra que é também muito relevante, que é a palavra confiança. E a retoma da economia só se faz com confiança, só com confiança haverá investimento, criação de postos de trabalho, consumo, haverá procura também dos próprios produtos e serviços. Fundamentalmente, a confiança também é uma palavra determinante na fase que estamos a viver.

PME Mag. – A Ageas Seguros também teve de inovar para se adaptar aos novos desafios da prevenção. Quais os novos paradigmas que destaca no meio empresarial e de que forma adaptaram os vossos seguros a esta nova realidade?

J. G. – Diria que, nesta fase que vivemos, houve um momento de grande transformação, de grande mudança. Uma mudança disruptiva e começou connosco. Como seguradora, a Ageas Seguros foi confrontada com uma situação que – diria – não estaria preparada. Inicialmente, a primeira reação foi como é que vamos conviver com esta situação? De facto, tivemos a capacidade de, nós próprios, nos reajustarmos àquilo que eram os desafios e conseguimos pôr toda a nossa equipa em casa em menos de uma semana. E conseguimos, a partir daqui, ajustar processos de suporte aos próprios clientes, sejam eles particulares, sejam as empresas. No caso concreto das empresas, desde a primeira hora mantivemos a proximidade com os nossos clientes, proximidade essa que era relevante para perceber que tipo de necessidades é que tinham, como é que podíamos ajustar os serviços e a forma de prestar serviços aos clientes, mas também como é que podíamos ajustar os nossos produtos relativamente à fase em que se encontravam e às dificuldades que, naturalmente, todas as empresas tiveram. Como tal, a nossa preocupação foi estar junto dessas empresas e assim o fizemos. Fizemos inúmeras alterações no nosso dia-a-dia, na nossa oferta. Em primeiro lugar, fizemos ajustes nos produtos, quer a nível de coberturas, por exemplo, retirar franquias em relação a determinado tipo de riscos, como foi o caso das necessidades temporárias de classes expostas, como os médicos. Alterámos também requisitos para determinado tipo de riscos: como nesta fase houve um aumento de stock das empresas, automaticamente fizemos um aumento das coberturas de stock para garantir que, se houvesse um problema, haveria uma capacidade também coberta relativamente a estas situações. E dispusemo-nos a fazer também um acompanhamento face a situações de dificuldade de pagamento de prémios face a situações de paragem, parcial ou total, como é que poderíamos refletir isso nos prémios das pequenas e médias empresas. Estivemos disponíveis para ajustar aquilo que era necessário. Uma terceira dimensão, diria que foi um comportamento geral do setor e no setor podemos falar de dois ou três aspetos relevantes: o próprio regulador, ao estender o período de pagamento dos prémios daquilo que é o obrigatório e imediato para 60 dias, fundamental e que todo o setor fez, nomeadamente a Ageas Seguros também o fez. A questão da Associação Portuguesa de Seguradores, da qual também fazemos parte, da criação de um fundo de apoio às famílias das vítimas, especialmente de pessoas que estão associadas a um grande nível de exposição relativamente a esta questão da pandemia, como a classe dos médicos, dos enfermeiros e outros demais. Nós próprios tivemos a capacidade de nos reinventarmos e de nos reajustarmos face a esta situação que, olhando para trás, se tivesse no início deste processo, não imaginaria que seria possível fazê-lo de uma forma tão rápida e tão adequada e acho que contribuímos de forma muito significativa para as dificuldades do dia-a-dia das empresas.

“No caso concreto das empresas, desde a primeira hora mantivemos a proximidade com os nossos clientes, proximidade essa que era relevante para perceber que tipo de necessidades é que tinham, como é que podíamos ajustar os serviços.”

PME Mag. – Como é que avalia a preparação as empresas portuguesas face à prevenção dos riscos da Covid-19?

J. G. – Três notas: em primeiro lugar, ninguém estava preparado, essa é a realidade. Ninguém faria ideia do que íamos ter pela frente. Em segundo lugar, destacaria um aspeto fundamental que foi a capacidade de reajustamento e de reinvenção das empresas e isso foi falado em muitos meios de comunicação social – empresas que viraram os seus processos de fabrico para produção de bens que sabíamos que eram escassos, como foi o caso das máscaras, dos desinfetantes… No geral, surpreendeu-me a capacidade dessa reinvenção, desse reajuste. A terceira nota: a prevenção, no nosso ponto de vista, é fundamental, temos vindo a trabalhar, ao longo dos últimos três anos relativamente ao tema da prevenção e, com este contexto, acho que toda a gente ficou muito mais consciente da necessidade da prevenção. A Ageas Seguros vê este tema em três blocos: a prevenção propriamente dita, como é que garanto quais são os riscos que tenho, qual o nível de exposição, qual a probabilidade de eles ocorrerem e, se eles acontecerem, quais são as perdas máximas que estão associadas – esta é uma das dimensões quando falamos em prevenção. A outra dimensão relevante é a preparação: com base nisto, o que é que tenho de fazer, que tipo de ações devem ser feitas, a questão da proteção propriamente dita, que é vista sob vários aspetos – até agora, como viu, ainda não falei de seguros. Na proteção, tem a componente de seguros: de que forma é que posso transferir parte dessa exposição de risco para fora da empresa e, ao mesmo tempo, como é que monitorizo a atividade da empresa nessas dimensões. Por último, que é aquilo que ninguém quer, quando acontece um evento, como é que devo estar preparado para gerir esse evento. Esse tem sido, no fundo, o nosso posicionamento, a nossa ambição junto do tecido empresarial, em particular junto das PME, de criar esse awareness e essa capacidade de terem isso na sua agenda.

“Toda a gente ficou muito mais consciente da necessidade da prevenção.”

A Ageas Seguros desenvolveu um conjunto de iniciativas e meios que pôs à disposição desses nossos clientes, dos quais destacaria três ou quatro que são relevantes: o reforço da equipa interna de prevenção e análise de risco; a sensibilização por parte dos gestores de PME da capacitação necessária para dar o apoio aos nossos clientes; a certificação PME, um projeto que temos vindo a desenvolver nos últimos três anos em parceria com a [Universidade] Nova, para os nossos parceiros, para os nossos agentes, para terem sensibilidade aos temas das problemáticas da gestão de uma PME, de forma a estarem melhor adaptados para darem resposta aos desafios dos clientes; a introdução de uma cultura de prevenção e de gestão de risco na nossa estrutura comercial. A ambição que partilhamos internamente no nosso grupo e nomeadamente na Ageas Seguros – é que queremos ser vistos como consultores de gestão do risco. Somos uma seguradora, não negamos isso e obviamente esse é o nosso principal negócio, mas, se todos nós fizermos o trabalho adequado de perceber quais são os riscos, definir os planos de ação para mitigar esses riscos, se monitorizarmos essas situações –temos um conjunto de capacidades que pomos à disposição dos nossos clientes que permitem fazer essa monitorização e depois temos a capacidade de os ajudar quando acontece uma situação – isso é a nossa principal ambição e todos ganhamos, porque se eu puder não pagar sinistros porque eles não ocorrem é mais relevante para nós. Mas, acima de tudo, para os gestores, para os empresários, é bom que não existam. Uma nota que também gostava de realçar é que, muitas vezes, há a ideia de que com o seguro resolvo o problema. Com o seguro, e agora podem ter uma má interpretação das minhas palavras, resolvo parte do problema. Por exemplo, e temos tido várias situações dessas, uma linha de montagem em que há uma máquina que é muito sofisticada e que é crítica, se tem um problema e pára, ou ardeu, ou teve um problema qualquer, o empresário será ressarcido de dinheiro para repor a máquina, mas tem um problema: é que enquanto ela não é reposta a cadeia de produção está parada, a capacidade de garantir os escoamentos dos produtos é afetada, os contratos com os clientes provavelmente são também afetados. Portanto, há um interesse comum, de todos, em que de facto sejam feitas as ações adequadas para minimizar esse risco. Esse risco não é eliminado, mas quando acontece, estaremos cá também para os ajudar nessa matéria e esse tem sido o nosso grande desafio, quer junto das nossas equipas, quer com os nossos parceiros, quer com os nossos clientes, é ter essa capacidade disponível para ajudar os gestores e os empresários das PME a terem esse tema na sua agenda e, mais do que tema, agirem. E nós estamos disponíveis para os ajudar nessa jornada de identificação de riscos, de ações para mitigar os riscos e de uma preparação daquilo que são as variáveis críticas para que elas não aconteçam. E depois, cá estaremos a para pagar as indemnizações caso elas existam, e de acordo com as condições contratadas.

PME Mag. – A Ageas Seguros lançou recentemente o segundo ciclo do Fórum PME Global, em parceria com a Ordem dos Economistas. É importante dar cada vez mais voz às PME e àquilo que precisam para se precaverem no futuro?

J. G. – Esta iniciativa é o segundo ciclo, o primeiro ciclo foi desenvolvido há ano e meio e surge exatamente do posicionamento estratégico do que acreditamos que é a necessidade de um espaço para criar debate e partilha de experiências, exatamente no segmento das PME. Achámos importante ir pelo país, criar esse espaço junto de empresários, gestores, associações empresariais no sentido de criar um debate de temas ligados com a produtividade com a internacionalização, com temas que são específicos daquela região – também introduzimos o tema da gestão de risco –, em que são partilhadas preocupações e soluções que alguns desses empresários tiveram para fazer face aos seus desafios. Essa iniciativa foi muito frutuosa, o feedback foi muito interessante. E achámos, de facto, com base naquilo que nos disseram, que tinha valor acrescentado e foi nesse sentido que relançámos o segundo ciclo este ano. Não quisemos deixar de arrancar com a primeira conferência ainda no período de pandemia, tivemos um pequeno delay, mas temos o calendário previsto para continuar, porque é um espaço fundamental para partilha. Tivemos casos muito interessantes de empresários e gestores que, ao partilharem a sua visão de como é que fizeram face a determinado tipo de desafios, é enriquecedor para todos, porque é uma partilha com a qual todos nós aprendemos. Também aprendemos muito com estas iniciativas e por isso acho que é relevante e achámos que era fundamental dar continuidade a este projeto.

PME Mag. – Quantas iniciativas estão previstas neste segundo ciclo?

J. G. – O segundo ciclo é composto por oito fóruns. Houve um que já foi feito em Viana do Castelo, os próximos vão ser em Setúbal e em Aveiro e depois vão ser feitos os restantes cinco no decorrer deste ano e início do próximo ano. É uma iniciativa que acreditamos que traz valor acrescentado e por isso estamos a fazê-la em parceria com a Ordem dos Economistas e um conjunto de parceiros relevantes. Paralelamente, como resultado do feedback que tivemos no ano passado, lançámos recentemente o Prémio Inovação na Prevenção, em parceria com um conjunto de entidades, que visa exatamente premiar a PME que mais se distingue nos temas da prevenção, em geral, e depois temos um prémio para três categorias: proteção de pessoas, património e ambiente. Mais uma vez, este prémio enquadra-se neste nosso posicionamento de dar relevância e partilha de experiências no tecido empresarial das PME e com isto também ajudar no crescimento da economia portuguesa.

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